27.5.09

Carta ao Leitor

Sempre tive um grande respeito pelas diferentes psicopatologias, pela falta de conhecimento e, principalmente, pela ignorância alheia decorrente da incapacidade de interpretar as figuras de linguagem existentes em nossa língua.

Se não assino aqui com o meu nome verdadeiro é porque reconheço que a internet, como todos sabem, é uma zona de litígio e exposição é algo bastante perigoso nos dias de hoje. Eu realmente optei por utilizar um nome estranho e fictício que despertasse o "pré – conceito" de qualquer um, justamente para ver até onde as pessoas são capazes de chegar com os seus julgamentos.

Aparentemente, tudo aqui funciona de maneira livre, mas isso é um engano. Existe um código de ética velado e informal, baseado no bom senso de cada usuário. No que diz respeito aos Blogs e Blogueiros, isso se manifesta de maneira mais clara, pelo menos para mim e para outros que conheci através desse lugar.

Eu acompanho muita gente bem antes de ter esse pequeno espaço. Acredite, se eu visito um espaço e deixo algumas palavras é porque tenho um grande carinho e respeito por quem escreve e pelo que é escrito. Em hipótese alguma eu seria capaz de desrespeitar o autor e a sua obra. Jamais cometeria a infantilidade de levantar polêmica por razões tão ínfimas e ridicularizar a opinião de alguém. Gentileza e delicadeza na comunicação é algo que considero primordial e, sinceramente, uma coisa que eu sempre tive foi tato para as palavras.

Lamento que minhas palavras não tenham sido compreendidas como almejei e reconheço que sempre ocorrerão essas falhas, afinal tudo aqui é propositalmente escrito de maneira subjetiva - já que escrevo sobre os meus sentimentos - e não me proponho a fazer resenhas das grandes obras existentes por ai.

Sim, é um Blog pessoal e as palavras são de minha responsabilidade também. Cada qual se propõe a seguir uma temática ou categoria que lhe convém. Não escrevo aqui com intenções de me equiparar aos grandes, gerar polêmicas ou desrespeitar desconhecidos.

Também não costumo perder tempo procurando citações dos “Grandes Filósofos da Humanidade” no Google, só para ilustrar os meus textos, mas gosto de mostrar alguns fragmentos de livros que realmente estou lendo ou li, e os mesmos são devidamente creditados.

Pelas palavras que escolhemos cotidianamente mostramos um pequeno reflexo da nossa maturidade psicológica e intelectual, mas uma coisa é você e o mundo acadêmico e as suas formalidades, outra coisa é um Blog pessoal e “descomprometido” com qualquer teor científico, teórico e estrutural.

Tenho segurança suficiente para admitir que sou apenas uma iniciante e, como tal, não possuo ainda o conhecimento que me proponho a ter e jamais o atingirei de maneira plena, até porque isso é infinito. Mas estou sempre buscando, estudando, crescendo a cada dia de maneira perceptível na minha vida real. E, sinceramente, não me proponho a cultivar esse modismo de auto-afirmação, dos pseudo-intelectuais de frases feitas em suas declamações nas mesas de bar.


Só eu sei de mim, do que li e do que pretendo ler. O meu encontro com os grandes acontece de maneira silenciosa e solitária e não convém anunciar em folhetins publicados por ai. Maturidade foi algo que adquiri muito cedo, apesar da pouca idade. Veja bem, eu não acredito que uma grande quantidade de anos de vida seja diretamente proporcional a maturidade, não em todos os sentidos. Você e as suas palavras são uma prova disso.

Quanto ao ‘sentir-se abusada”, acredito que você é que precisa conhecer a palavra e os seus significados levando em consideração, principalmente, os regionalismos existentes na língua portuguesa. Mas, quanto à insinuação com relação ao sentido sexual, você também poderia resolver essa sua "pendência" porque esse seu recalque sempre se manifestará de maneira negativa. Acredito que não sou a primeira a constatar isso, você já deve saber.


Respeito não é algo para ser exigido, não de mim. Acontece naturalmente.


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24.5.09

Desejos

Em dias assim, me permito fugir de obrigações e compromissos. Enquanto arrumo a pequena bagunça que mostra os indícios de uma semana tumultuada, mentalmente repasso o número de coisas que deixei por fazer. Não foram poucas. Sem que a gente perceba, o trabalho suga, atropela os nossos planos e nós deixamos os desejos para depois. Desejo de viver, aprender e crescer mais e mais.
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22.5.09

Le premier Bonheur du jour

Le premier bonheur du jour
C’est un ruban de soleil
Qui s’enroule sur ta main
Et caresse mon épaule

C’est la souffle de la mer
Et la plage qui attend
C’est l’oiseau qui a chantée
Sur la branche du figuier

La premier chagrin du jour
C’est la porte qui se ferme
La voiture qui s’en va
Le silence qui s'instale

Mais bien vite tu reviens
Et ma vie reprend son cours
Le dernier bonheur du jour
C’est la lampe qui s’éteint

[Le premier Bonheur du jour - Os Mutantes]


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21.5.09

Balada do Louco

Enquanto as meninas da quarta série queriam ser modelos ou pediatras, respondia com toda convicção que seria uma cientista da NASA. Desde esse dia, as suspeitas de anormalidade foram constatadas e nunca mais sairam de mim.
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18.5.09

Negras Nuvens

Nós, que sempre gostamos dessa chuva que cai para lavar as nossas angústias e para acalmar as nossas almas, agora ficamos apavorados com as nuvens negras anunciadas pelo céu.


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15.5.09

Carta para ti #2

Não acreditei quando olhei o seu nome como remetente daquele e-mail. Eram dez horas da manhã e eu nunca esqueci a adrenalina que senti ao ler suas palavras. Uma por uma, li e reli, e quatro horas se passaram até que eu conseguisse responder. Quem demoraria quatro horas para responder tão poucas linhas?

Palavras ali era o que menos interessava. O importante foi o laço que demos em volta das nossas vidas. E o teu sobrenome, que eu acho tão lindo, nunca imaginei que um dia pudesse se tornar meu.

Horários, rotinas, possibilidades. Quantas vezes nos perguntamos se teríamos nos conhecido se não fosse os acontecimentos daquela noite, com tantos encontros e desencontros.

E se eu não tivesse ido àquela festa pelo aniversário da minha melhor amiga? Se você não estivesse na cidade, como na verdade não deveria estar? Se você não tivesse parado de tocar para pegar uma bebida exatamente na hora que eu comecei a cantar a música que você tanto odeia?

"Ele se apaixonou primeiro pela voz dela"

Mas você me ouviu e passou a gostar da música por causa da minha voz, que ecoou nos seus pensamentos por quase um ano até o dia em que nos reencontramos e fomos apresentados. Você finalmente pode olhar dentro dos meus olhos e nós passamos aquela madrugada inteira conversando sobre tudo, enquanto o céu nos presenteava com todas as suas estrelas da madrugada e o sol nos iluminou com seus primeiros raios.

Fiquei feliz quando você disse que gostaria de ser uma pessoa importante para mim. Alguém por quem eu tivesse tanto carinho quanto as pessoas que eu amava. [...] Dias depois recebi o seu e-mail, onde li as palavras mais lindas dessa minha vida inteira.

E os e-mails nos aproximavam cada vez mais, nos diálogos de cada dia, nas entrelinhas dos nossos sentimentos, das nossas dúvidas e angústias corriqueiras. Aquele era o nosso refúgio e em cada palavra que eu lia tentava imaginar a melodia que sua voz gostaria que eu escutasse.

De uma linda amizade, o relacionamento tornou-se o que os outros chamam de namoro. Nunca nos preocupamos com isso. Nunca nos intitulamos. Simplesmente éramos como somos até hoje e somos cada vez mais.

"Ela é a minha companheira"

Foram quase quinhentos e-mails diários. Você perguntava, eu respondia. Eu divagava, você compreendia e assim aprendiamos mais sobre nós. Depois, a vida se encarregou de nos aproximar de uma vez e agora estamos juntos sempre.

Essa história completa hoje cinco anos, mas ainda recebo seus e-mails.
Eles sempre terminam com “te amo”.

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12.5.09

O sorriso dos olhos

Enquanto a velocidade aumenta, os meus olhos tentam acompanhar as luzes e os fios deformados que saltam dos postes do caminho. É bom sentir o vento bagunçando os cabelos e o toque leve e frio que faz carícia no rosto. A mente viaja e, em vão, tento ordenar meus pensamentos soltos. E quem me vê envolvida nessa nuvem de frieza nem imagina o calor de sentimentos que habita em mim. Em mim e no meu discreto olhar de sorriso infantil.

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9.5.09

Sim

Lojas lotadas. Uma mistura sem sabor de anúncios coloridos com as luzes das fachadas indiscretas. Uma confusão de rostos, vozes e expressões. Tanto barulho, tanta fila. E na praça de alimentação o jovem pianista trava uma disputa desleal com as risadas e com as piadas da mesa onde acontece o happy hour dos executivos engravatados.

Respeito muito o trabalho daquele rapaz.

[...]

- Vamos embora?
- Antes preciso passar naquela loja do primeiro piso.

E enquanto descíamos pela escada rolante, os últimos acordes ecoavam de uma forma tão profunda que seria impossível não notá-los.

A moça da loja mostrou os anéis. Enquanto observávamos a diversidade de modelos, pediu que eu experimentasse o que ele havia escolhido.

- Muito bonito.

[...]

Corredores lotados e um piano mudo.

- Quer se casar comigo?

E mais uma vez nos casamos, do nosso jeito torto e sincero. No entardecer de uma véspera de natal, no meio de uma praça no centro da cidade; na feira de artesanato mais famosa da cidade; no corredor de um shopping. Sempre com magia, sempre com carinho, sempre uma surpresa, sempre caminhando...
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8.5.09

Súplica Cearense

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou?
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

[Luís Gonzada /Composição: Gordurinha e Nelinho]

[...]

Agora, chove demais.

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5.5.09

Nós

Chego a humilde conclusão que devo odiar esses dias desregulados de feriados intermináveis em que nós nos iludimos, vivendo nessa atmosfera incomum, achando que a vida é feita de silêncios e nós. Agora, qualquer dia é dia de quarta - feira de cinzas e em mim não existe a menor vontade de voltar às feiras da realidade.
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