29.11.10

A harpa e a cristandade

E era sempre a mesma coisa durante os últimos anos. Dia 24 de dezembro nos concentrávamos na cozinha durante todo o dia, preparando e comendo os nossos pratos preferidos, conversando e contando histórias e enfim, aproveitando o dia do natal da maneira que achavamos mais sincera. Na sala tocava a Harpa e a Cristandade e sempre que o silêncio calava as famosas melodias, alguém mudava o lado do disco de vinil e a alegria recomeçava.

Enquanto eu me encarregava de cuidar das sobras das panelas, minha mãe e meu irmão preparavam as tortas e os salgados entre outras tantas delícias da infância. Quando cresci, passei a ajudar também e era muito divertido fazer parte de todo o processo. O natal para mim sempre foi esse momento, quando estávamos juntos e o dia era leve e engraçado. A noite em si era reservada apenas para as visitas e para os telefonemas dos parentes distantes, nada muito animador.

Hoje no shopping, ao ouvir aqueles primeiros acordes, ganhei um passaporte mágico para voltar ao passado. Senti o o cheiro do bolo de chocolate que acabava de sair do forno e ouvi a gargalhada feliz da minha mãe. Dia 24 vai ser diferente, vai ser o 1º natal sem a minha avó, que nos deixou ano passado, e sem a minha mãe, que estará celebrando a data no hemisfério norte, vendo a neve e congelando ao lado do meu irmão.

6 comentários:

  1. Sabe..o natal me trás lembranças tristes. Não sei não curto.
    E pio mesmo sem os pais, e hoje sem os parentes qeu com o tempo se afastam de ti.
    Deve ser uma lei natural.
    Sei lá.
    Ficarei com a minha família hoje...
    marido e dogs.
    beijo Kuriozza

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  2. Huuummmm

    Será que vale apelar para a Santa Internet e para a cam para estar, de alguma forma, mais próxima a eles?

    Um beijo.

    ℓυηα

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  3. adorei o trecho que vc deixou la no blog. Obrigada pelo carinho.

    Sobre seu post, coisa boa é poder voltar ao passado e ter boas lembranças.

    o beijo

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  4. O importante é que vc conserva suas lembranças.E isso de certa forma traz os entes queridos pra perto da gente.
    Não fisicamente mas ajuda a aquecer os nossos corações.
    Obrigada pelo comentário viu.

    * Super Beeejo *

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  5. como dizem, palavras são como tapas! pra mim, elas doem muito mais, pois não deixam marcas físicas..

    Beijoos

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  6. oxalá eu pudesse comentar este texto com um silêncio reverencial e saudades das pessoas que antes ocupavam as cadeiras da minha mesa de Natal...as mesmas que este ano permanecerão vazias.

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)