3.2.11

Ainda sobre o tempo

"Vou vendo os ônibus a caminho da cidade. Vou vendo os barcos a caminho do mar. Vou vendo os aviões a jato, tão ativos nas suas rotas. Vou vendo homens falando e programando. Mas eu não vou. Fico sempre a beira do cais. Fico sempre a beira de mim. Sem poder seguir a vibração do meu dever. Sem seguir a tempestade do meu destino. Pois não tenho tempo.


Decerto, grato reconheço, ao ser distribuída a loteca do mundo, muitas coisas foram colocadas em meu percurso. Muitas e variadas. Mas não ganhei tempo. Não ganhei, pelo menos, a qualidade de tempo que se casasse comigo, que me servisse como calça, que estivesse de acordo com o meu corpo pequeno. Ou com o extraviado pensamento.

O tempo. O tempo me sobra demais ou me falta. Uma branca eternidade de horas atadas. Uma braçada de horas iguais e inúteis. Ou esta pausa indefinida de quem espera o beijo de um anjo. Ou a campainha de um telefone. "


Paulo Mendes Campos - Pois é (Samba). 
Retirado do livro Os bares morrem numa quarta-feira, página 22. 


Impossível passar por essas palavras e não lembrar desse blog e do grande desafio travado com o tempo que eu não também não tenho. Mas que terei em breve.

3 comentários:

  1. tempo tempo tempo
    antes eu sentia que ele corria de mim, hoje eu corro com ele... acho que a idade vai dando essas impressões diferentes.
    bjsss

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  2. "Fico sempre a beira do cais. Fico sempre a beira de mim." Essa parte me tocou em especial. Eu sinto isso msm, q fico a beira de mim... Com medo de ser td q eu posso ser...

    Obg por sua visita, q bom q se identificou. Bom encontrar alguem q passa pelo msm q nós, nao é? Vai dar td certo sim. =)

    Bjs e voltarei..

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  3. obrigada! x*
    incrivelmente, eu melhorei da noite pro dia! acordei e todos os sintomas tinham passado e me sobrava disposição (fui até pra piscina, um milagre, hahaha)

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)