31.3.11

#7

Novo destino confirmado: esqueçam Heidelberg, nós vamos para Berlim! Tivemos a grande sorte de encontrar um apartamento ótimo e bem localizado, em uma área central de Berlim. Nós estávamos procurando uma coisa bem mais simples, um quarto para estudantes ou coisa do tipo, mas conseguimos encontrar um  apartamentoZinho já todo mobiliado (ótimo), com quarto, sala e cozinha integrada.

Pelo site parece estar tudo ok. Aquecimento, água, energia, máquina de lavar e internet estão inclusos no preço. Baltazar conversou com o proprietário, que por acaso é brasileiro, e está alugando o apartamento exatamente por um mês, o mês que precisamos estar em Berlim. Negócio fechado. Nos encontraremos na estação central de Berlim para receber as chaves e o rapaz irá nos levar até o ap. Obrigada Deus, mais uma vitória pra nossa listinha.

A dificuldade para encontrar um lugar em Heidelberg era justamente o por conta do pouco tempo de contrato. Lá eles só querem alugar por no mínimo seis meses. Os albergues não tinham vaga para os 30 dias e também ficar esse tempo todo em albergue seria muito cansativo. E não precisa nem comentar sobre o preço né? Impraticável, não preciso escrever mais nada. Estamos indo comprar as passagens para Berlim agora. No mais, torçam para dar tudo certo.

30.3.11

#6

Os dois últimos dias foram de intensas pesquisas. Para definirmos o nosso próximo destino precisamos, primeiramente, encontrar algum local para ficar. Têm sido complicado encontrar um lugar em Heidelberg, uma cidade que fica bem perto daqui. Hoje tivemos uma pequena surpresa e pode ser que amanhã o nosso destino seja outro. Vamos aguardar as negociações.

28.3.11

#5

Após tomarmos café e verificarmos os e-mails e as demais providências burocráticas necessárias para os próximos dias, fomos convidados para um passeio maravilhoso. Fomos até a cidade de Tübingen!  O dia estava muito agradável, sem chuva e com um friozinho gostoso de sentir. 

Tübingen é uma cidade universitária, pequena e tem a cara da Alemanha da nossa imaginação. A vista do castelo é lindíssima, de onde podemos observar praticamente toda a cidade. No centro, encontramos muitos cafés, restaurantes e lojinhas tentadoras. Finalizamos o passeio em uma cervejaria, a Fischer’s, onde Baltazar provou a especialidade da casa, produzida lá mesmo, e eu experimentei um Apfelstrudel, (uma torta de massa folhada com recheio de maçã) com sorvete de creme. Foi uma delícia.

27.3.11

#4

Reutlingen é uma cidade linda. As casas são um sonho, os gramados são bem cuidados e os jardins possuem uma grande variedade de plantas e flores, que começam a chegar com a primavera. Existem pouquíssimos prédios e da janela temos uma linda vista das colinas. A primavera está chegando para mostrar as suas infinitas cores e, aos poucos, as árvores que estavam cobertas de neve começam a ganhar cor. Esse pedaço de paisagem me lembra muito a nossa caatinga quando recebe os primeiros dias de chuva. A vida sempre esteve lá, a cor estava apenas adormecida.

A organização alemã é algo que vem nos impressionando muito. O silêncio é incrivelmente perturbador. Os hábitos e as pequenas grandes diferenças culturais também. Cada detalhe sobre o uso da água, da energia e principalmente da disposição do lixo são interessantes. Os recursos naturais aqui são extremamente valorizados e, portanto, muito caros. Existe um imposto cobrado até pela água da chuva que cai na área de cada residência. O teto da casa onde estamos no momento é completamente revestido por placas solares. A casa funciona com a energia gerada pelas placas instaladas no próprio telhado. É incrível.

O sol tem aparecido todos os dias, mas mesmo assim está frio. A temperatura varia entre os 12 ºC durante o dia e 5 ºC graus durante a noite e é óbvio que isso é calor se comparado ao frio de Quebéc. Um passo de cada vez já que saímos dos 40º de Fortaleza ontem, não é? Estamos 5 horas a frente do Brasil e o nosso organismo ainda não entendeu muito bem a mudança. Acordamos aqui praticamente ao meio dia e dormimos muito tarde. É estranho olhar para o relógio e entender que são 8 horas da noite quando ainda vemos o sol pela janela.

O aprendizado tem sido enorme. Estar esses dias na casa de pessoas queridas tem sido muito importante, pois temos a instrução e o acolhimento juntos, na mesma casa. 

26.3.11

#3

Acordamos um pouco tarde e ainda desnorteados com a nova casa. Tomamos o café no horário do almoço e depois saímos para conhecer a cidade. Encontramos um celular baratinho e resolvemos comprá-lo. Dessa forma não estaremos incomunicáveis aqui. Depois da visita ao centro, fomos ao supermercado e isso merece um livro! Quantas novidades!

Senti um pouco de frio na rua, pois ventava bastante. Foi engraçado ver tantas pessoas diferentes. Agora nós somos os estrangeiros. As coisas são lindas e baratas para quem ganha a vida em Euro. Fiquei louca com os cosméticos, com os chocolates! São inúmeras variedades de pães, que delícia! Espero que a gente se estabeleça logo para que nós possamos nos organizar e, enfim, desfrutar um pouco mais das novidades.

A ficha ainda não caiu.

Nuvens

Olhando pela janela ainda nao consigo acreditar que conseguimos. Em cada detalhe, um novo universo. A contagem regressiva acabou e chegou a hora de viver o nosso sonho. O meu sorriso era maior que eu quando avistei o velho continente. Foram horas e horas no céu, entre nuvens e expectativas. Chegamos com um sorriso anestesiado de sono e incredulidade.

A Alemanha nos recebeu com um céu estrelado, coisa rara na cidade chuvosa onde estamos no momento. Hoje amanhecemos banhados de sol e com 12°. Um dia bom por aqui. Eu olho pela janela e lembro de cada sorriso, cada boa sorte, cada boa viagem e cada estamos torcendo por vocês. Eu trouxe todos vocês comigo, podem acreditar.

Tschüs!

25.3.11

#2

Enquanto eu arrumava as malas, ainda não compreendia que era eu que estava viajando. Em momento algum tive tempo para ter medo, frio na barriga ou coisa do tipo. O dia havia sido tão estressante que eu só desejava sentar e dormir o máximo possível durante todas as próximas horas. No aeroporto tivemos pouco tempo com as pessoas que foram nos acompanhar. Eu estava bastante atrapalhada, chorei um pouco na despedida. Eu sempre choro em despedidas.


Fizemos o check-in e enquanto aguardávamos o voo, bebemos alguma coisa para o tempo passar. A verdade é que tudo aconteceu mais rápido do que eu poderia imaginar. Quando percebi, já estávamos na fila, a caminho do avião. Lá dentro eu fiquei com um pouco de medo, afinal, seria a minha primeira viagem nas entranhas do pássaro voador.


Ficamos sentados na asa, ou melhor, na turbina. A minha poltrona era a da janela e eu ainda tive coragem de acompanhar a decolagem olhando tudo, a velocidade com a qual passávamos pelas luzes da pista até avistar a cidade lá de cima.


O avião não estava tão lotado. Muitas pessoas dormiam nas poltronas vazias. Eu não consegui fechar os olhos, por mais cansada que estivesse ou que o sono me forçasse a dormir. Acompanhei a viagem acordada e senti as turbulências quando atingimos aquela zona crítica sobre o oceano. O sistema de localização na telinha me ajudava a me situar. Poder jogar paciência e assistir tv durante as horas de tédio também foram importantes para eu me manter calma.


Foi engraçado ver o dia chegando mais cedo. Foi incrível ver o sol lá de cima. Lindo mesmo foi avistar o continente europeu, de dia. Acho que nunca vou esquecer a minha primeira imagem de Portugal e as suas colinas. Um sonho, lindo demais.


Depois de aterrissarmos, minha maior ansiedade era com relação à imigração. Apesar de ter tudo direitinho, existia aquele pavor por conta das histórias mirabolantes que eu li nos fóruns dos viajantes dessa vida. Eu também fiquei um pouco preocupada pelo fato de estar completamente surda! Mesmo com o chiclete, sofri bastante com a pressão durante a aterrissagem e senti muita dor. Essa parte foi terrível. Eu não estava escutando nada e minha cabeça estava cheia de ar. Os momentos na fila foram descontraídos. Baltazar e nosso protetor querido puderam nos acompanhar na fila para brasileiros e durante a minha passagem pela imigração eles estiveram o tempo todo atrás de mim.


[Passaporte carimbado. Passagem livre.]


Ficamos ainda uma hora no aeroporto de Lisboa aguardando a conexão para Munique. Achei o sotaque português muito bonito e tudo me parecia muito familiar. A ficha ainda não havia caído. O cansaço também não ajudava a raciocinar direito, enfim, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.


O voo da Lufthansa foi ótimo. O avião era um pouco menor, mas aparentemente era bem mais potente. Parecia que estávamos voando a jato, entretanto a viagem pareceu ser bem mais longa. Nunca vi as horas demorarem tanto para passar. Nesse voo a minha linda sapatilha azul, comprada às vésperas da viagem, resolveu quebrar e eu tive que correr para o outro voo no aeroporto de Munique com a fivelinha dourada batendo no chão. Que vergonha!

O aeroporto de Munique era um mundo. Sentimos a temperatura cair consideravelmente assim que saímos do avião. Entramos no ônibus que estava nos aguardando para seguirmos para o último voo, mas antes precisamos fazer o último check-in e não foi necessário passar por mais nenhum tipo de fiscalização ou imigração.


O último avião era um jatinho (?) e o voo durou no máximo 15 minutos. O atendimento foi ótimo e eu achei incrível como essa parte da viagem aconteceu de maneira rápida. Quando chegamos a Stuttgart, uma amiga nos aguardava com o seu filho e um outro senhor. Com muita gentileza eles nos levaram para Reutlingen e ajudaram o tempo inteiro com as malas (que chegaram intactas, diga-se de passagem).


Foram mais 10 minutos de carro até Reutlingen, numa Autobahn muito escura. O céu estava estrelado e a noite estava muito bonita. A Alemanha nos recebeu de braços abertos. 

24.3.11

#1

E quem disse que os sonhos não podem tornar-se realidade?

14.3.11

Espelhos

E é engraçado ver tanta expectativa nos olhos de quem ainda me vê como criança. A verdade é que em alguns dias nem eu acredito que já cresci. Eu pensava que com o passar dos anos eu seria igual a irmã mais velha de uma amiga da escola, com aquele jeito de mulher. Não foi bem assim. Olho no espelho e vejo uma menina. Os outros também.

2.3.11

Dos rótulos

É preciso ser muito pobre de espírito para manter alguém sob as algemas dos fatos do passado. É preciso ter a mentalidade muito pequena para não entender a grandeza e a diversidade de momentos da vida e rotular alguém pra eternidade. Tire os rótulos do seu diário verbal. Ninguém se resume assim, tão facilmente.


ps: E quem se importa se a menina é Devassa?