25.3.11

#2

Enquanto eu arrumava as malas, ainda não compreendia que era eu que estava viajando. Em momento algum tive tempo para ter medo, frio na barriga ou coisa do tipo. O dia havia sido tão estressante que eu só desejava sentar e dormir o máximo possível durante todas as próximas horas. No aeroporto tivemos pouco tempo com as pessoas que foram nos acompanhar. Eu estava bastante atrapalhada, chorei um pouco na despedida. Eu sempre choro em despedidas.


Fizemos o check-in e enquanto aguardávamos o voo, bebemos alguma coisa para o tempo passar. A verdade é que tudo aconteceu mais rápido do que eu poderia imaginar. Quando percebi, já estávamos na fila, a caminho do avião. Lá dentro eu fiquei com um pouco de medo, afinal, seria a minha primeira viagem nas entranhas do pássaro voador.


Ficamos sentados na asa, ou melhor, na turbina. A minha poltrona era a da janela e eu ainda tive coragem de acompanhar a decolagem olhando tudo, a velocidade com a qual passávamos pelas luzes da pista até avistar a cidade lá de cima.


O avião não estava tão lotado. Muitas pessoas dormiam nas poltronas vazias. Eu não consegui fechar os olhos, por mais cansada que estivesse ou que o sono me forçasse a dormir. Acompanhei a viagem acordada e senti as turbulências quando atingimos aquela zona crítica sobre o oceano. O sistema de localização na telinha me ajudava a me situar. Poder jogar paciência e assistir tv durante as horas de tédio também foram importantes para eu me manter calma.


Foi engraçado ver o dia chegando mais cedo. Foi incrível ver o sol lá de cima. Lindo mesmo foi avistar o continente europeu, de dia. Acho que nunca vou esquecer a minha primeira imagem de Portugal e as suas colinas. Um sonho, lindo demais.


Depois de aterrissarmos, minha maior ansiedade era com relação à imigração. Apesar de ter tudo direitinho, existia aquele pavor por conta das histórias mirabolantes que eu li nos fóruns dos viajantes dessa vida. Eu também fiquei um pouco preocupada pelo fato de estar completamente surda! Mesmo com o chiclete, sofri bastante com a pressão durante a aterrissagem e senti muita dor. Essa parte foi terrível. Eu não estava escutando nada e minha cabeça estava cheia de ar. Os momentos na fila foram descontraídos. Baltazar e nosso protetor querido puderam nos acompanhar na fila para brasileiros e durante a minha passagem pela imigração eles estiveram o tempo todo atrás de mim.


[Passaporte carimbado. Passagem livre.]


Ficamos ainda uma hora no aeroporto de Lisboa aguardando a conexão para Munique. Achei o sotaque português muito bonito e tudo me parecia muito familiar. A ficha ainda não havia caído. O cansaço também não ajudava a raciocinar direito, enfim, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.


O voo da Lufthansa foi ótimo. O avião era um pouco menor, mas aparentemente era bem mais potente. Parecia que estávamos voando a jato, entretanto a viagem pareceu ser bem mais longa. Nunca vi as horas demorarem tanto para passar. Nesse voo a minha linda sapatilha azul, comprada às vésperas da viagem, resolveu quebrar e eu tive que correr para o outro voo no aeroporto de Munique com a fivelinha dourada batendo no chão. Que vergonha!

O aeroporto de Munique era um mundo. Sentimos a temperatura cair consideravelmente assim que saímos do avião. Entramos no ônibus que estava nos aguardando para seguirmos para o último voo, mas antes precisamos fazer o último check-in e não foi necessário passar por mais nenhum tipo de fiscalização ou imigração.


O último avião era um jatinho (?) e o voo durou no máximo 15 minutos. O atendimento foi ótimo e eu achei incrível como essa parte da viagem aconteceu de maneira rápida. Quando chegamos a Stuttgart, uma amiga nos aguardava com o seu filho e um outro senhor. Com muita gentileza eles nos levaram para Reutlingen e ajudaram o tempo inteiro com as malas (que chegaram intactas, diga-se de passagem).


Foram mais 10 minutos de carro até Reutlingen, numa Autobahn muito escura. O céu estava estrelado e a noite estava muito bonita. A Alemanha nos recebeu de braços abertos. 

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