5.4.11

#12

Era uma vez uma sapatilha super confortável, azul e linda, que foi comprada para ser usada na minha primeira viagem internacional. A sapatilha azul tinha uma fivelinha dourada que dava um ar elegante à produção. Ser elegante e estar confortável é tudo que a gente precisa, né? Acontece que a sapatilha azul resolve quebrar dentro do avião. Não me pergunte como porque até agora eu não entendi como a maldita fivela se soltou se a única coisa que eu fiz dentro do avião foi ficar sentada e não fazer nada durante horas.

Pois é, eu tinha um tênis. Acontece que o tênis resolveu se esfarelar quando chegou em Berlim. Pois é, ele não gostou de fazer esforço e resolveu se aposentar. Disse que estava muito feliz por ter conhecido a Branderburguer Tor e por carregar o pó da Europa para o seu local de descanso. Coitato, mal sabia ele que eu odiava usá-lo. Apesar de confortável, nunca superei o fato de ser obrigatório utilizar tênis no colégio. Eu odeio usar tênis. Sim, eu me acho horrórível de tênis. Parece que carrego dois paralelepípedos nos pés. Eu gosto é de salto e vocês sabem disso. 

Pois é, saímos pelas ruas de Berlim à procura de um calçado que coubesse no nosso bolso e nos meus pés. Encontramos umas lojinhas muito legais, com casacos e botas, coisas que toda mulher adora por um precinho tão lindo. O pobrema é converter pro real. Promessa ingrata, promessa sem jeito. Comprei uma botinha e um sapato que eu achei o máximo e que o Baltazar achou esquisitíssimo. 

4.4.11

#11

Nesses primeiros dias fizemos grandes descobertas nos canais abertos da tv alemã. Sim, existe muita coisa bizarra e às vezes não entender não é bem o problema. Por exemplo, existe um canal onde duas senhoras passam o dia vendendo velas. Isso mesmo, velas - coloridas, aromatizadas, bordadas etc. As séries são todas dubladas em alemão, o que fica meio estranho assim a primeira vista, e as novelinhas deles conseguem ser piores que as do sbt e da record juntas. 

Alguns canais passam filmes que até na sessão da tarde já deixaram de passar porque, né? Cansou. Tem muitos canais de vendas de qualquer coisa, roupa, sapato,  panelas, perfumes e acessórios eróticos (!) Também tem canais com programas sobre previsão do tempo. No início eu achei um pouco inútil mas depois entendi a necessidade de saber mais ou menos o que vai acontecer com o tempo antes de sair de casa.

Meus programas favoritos são os desenhos animados, que passam a qualquer hora do dia! Aqui passa o Bob Esponja, American Dad, Futurama, Ugly Americans, South Park e muitos outros - todos em alemão. Assistir desenho animado tem as suas vantagens, como por exemplo ajudar a aumentar o meu pobre, muito pobre, pobre mesmo, vocabulário.  Levando em consideração que eu sou praticamente uma criança aprendendo a falar por aqui eu não me sinto tão mal por utilizar esse meio para o aprendizado. E também não precisa nem entender o que eles estão falando, apenas olhe, escute e ache graça se entender alguma coisa.

3.4.11

Berlin

Foram mais de 6 horas de trem de Reutlingen até Berlin, admirando as paisagens e torcendo para a estação central chegar logo. E a todo momento nos perguntávamos o que aqueles lugares haviam sofrido, quantos deles não haviam sido completamente devastados pela guerra. Ele fica em silêncio, querendo acreditar no que os olhos estão vendo, tentando entender tudo em volta. É bonito.
 

2.4.11

#10

Domingo, dia de sol, dia de passear e libertar a Lolla* que existe em nós. Também foi dia de colocar a geógrafa que existe em mim em ação para ensinar ao Baltazar como se lê um mapa. Pronto, cumpri a minha missão na terra e ele não se perde nunca mais. Pesquisamos o endereço de alguns pontos turísticos aqui em Berlim e verificamos qual era o mais viável para chegar caminhando. Com o lema "metrô é para looser", calçamos o nosso tênis e partimos para a aventura.

O dia estava lindo, o céu azul e o clima estava bom. Fomos conhecer o nosso primeiro ponto turístico de Berlim: o Portão de Brandenburgo!

#9

A primeira noite no apartamento foi uma aventura, já que qualquer barulho nos deixava em estado de alerta. O ruído nos encanamentos nos assustava, assim como o barulho que a geladeira fazia e deixava de fazer repentinamente nos fazia correr até a cozinha para ver se estava tudo bem. O ruído que o chão de madeira fazia em determinados pontos do quarto nos convidava a uma reflexão sobre a idade do prédio e a possibilidade de ele desabar em breve. O mais engraçado era o nosso estado de pânico quando imaginávamos que a vizinhança era perigosa, que as pessoas que também moravam no prédio eram suspeitas. Apesar da tensão, a noite dos horrores também não durou muito tempo por conta do nosso cansaço - ainda bem.

Na manhã de sábado saímos para fazer uma caminhada pelas redondezas e para localizar o supermercado, a padaria, o metrô, enfim, essas coisas fundamentais para a nossa sobrevivência. Na pracinha ao lado da nossa rua tinha uma grande feira livre, com barraquinhas de comida de várias nacionalidades, frutas, verduras, roupas, sapatos e muita gente feliz por conta do sol que estava fazendo.

A vizinhança é muito tranquila. As fachadas dos apartamentos e casas antigas são lindas. As praças são lindas e as crianças brincando nelas também </Caetano>. Estamos instalados em um dos grandes pólos gastronômicos da cidade e temos tudo aos nossos pés. O dia e a noite são bem animados por conta dos inúmeros restaurantes, barzinhos, sorveterias e lojas diversas que existem aqui no bairro, que diga-se de passagem é conhecido como o bairro gay de Berlin, ou seja, é animado mesmo! 

Apesar de existir toda essa badalação na rua, é incrível como aqui é silencioso. A feira é silenciosa, os restaurantes, os bares, a rua! Você só consegue ouvir a sua respiração e alguns pássaros cantando enquanto você caminha pelas calçadas. É incrível. Estamos apaixonados por Schönenberg!

1.4.11

#8

Madrugamos, ou melhor, mal dormimos. Ontem à noite o nossos protetores queridos fizeram um jantarzinho de "despedida temporária", foi ótimo. Agora sim começamos a sentir um frio na barriga. Até agora nós ainda estávamos em casa. Eles cuidavam tanto da gente, explicavam as coisas, ensinavam como agir em determinadas situações, que praticamente era uma extensão da nossa família. Agora não, somos só nós dois e precisamos cuidar um do outro ainda mais que antes, se é que isso é possível.

Entrar naquele trem foi engraçado. Eu estava morrendo de medo de acontecer alguma coisa errada, como não conseguirmos trocar de trem na estação certa ou simplesmente perder o outro trem, ou qualquer outra catástrofe parecida. Quando o maquinista (?) do trem começa a falar em alemão e você não entende NADA, o pavor aumenta bastante. O inglês deles é péssimo e você também só vai entender alguma coisa parecida com o alemão, ou seja, nada.

No início foi ótimo. Paisagens lindíssimas e estações de trem que pareciam aqueles brinquedos que todo mundo teve na infância, aqueles bloquinhos de madeira que imitavam uma cidade. Chegando a Stuttgart, tivemos 9 minutos para trocar de plataforma e encontramos o nosso trem (ICE) pra Berlim. Levamos mais de seis horas para chegar ao destino final, e foi bastante cansativo. As paradas em cada estação de cada cidade colaboravam bastante para o prolongamento da viagem, e nos deixavam ainda mais ansiosos para chegar.

A coisa mais absurda que eu presenciei até então foi ver seis pessoas sentadas durante mais de seis horas, uma ao lado da outra, mudas. Você fica constrangido até por respirar. Baltazar até ofereceu um chocolate para o rapaz ao meu lado, mas ficou só no "vielen Dank" mesmo.

[Paisagens e mais paisagens.]

A vontade de sair do trem aumentava a cada parada até chegarmos a Berlim. Quando finalmente chegamos à estação central foi aquele baque. Tudo rápido, pessoas de um lado pro outro, trens partindo, metrô chegando. A namorada australiana do rapaz que nos alugou o apartamento nos esperava em frente a um Kebab que fica dentro da Hbf. Nos identificamos, conversamos um pouco e pegamos o metrô. Chegando ao apartamento ficamos muito mais tranquilos. Estava tudo em ordem, tudo funcionando e a dispensa previamente cheia pelo menos para os 2 primeiros dias.

Graças a Deus chegamos bem!
Espero que dê tudo certo.