21.8.11

#17

Há alguns dias eu tenho sentido um desejo enorme de comer Canja de Galinha. Mas, não é qualquer canja não. É a canja da minha mãe, a melhor do mundo, desculpa aí. Quando fomos ao supermercado ontem, visitei o Quebéc - setor dos frios e congelados – e me deparei com um dos maiores dilemas da minha vida: devo comprar um frango em sua totalidade, sem penas, ou devo comprar um frango esquartejado, bonitinho e praticamente perfeito para já entrar na panela?

Confesso que durante muito tempo na minha vida eu senti horror em ver um frango inteiro, apenas sem as penas e a cabeça, se é que vocês me entendem. Deve ter sido algum trauma de infância, daqueles que surgem quando você vê a sua própria mãe matar o seu frango de estimação. Incrível como você esquece que aquela bandeja de filé de peito ou de coxas faz parte de um todo que não está mais ali, naquele momento. Mas como viver é aprender e é superar os desafios, por menores que eles sejam, compramos dois frangos inteiros. Dois.

Como já era tarde da noite, deixei a tarefa para o dia seguinte. Tive uma noite horrível, cheia de pesadelos onde pessoas morriam esquartejadas ou da pior maneira possível, como nunca antes visto em nenhum filme de terror com seus quilos e quilos de ketchup. Freud explica.

Acordei e, de repente me vi em um domingo de sol e enfrentando um dos maiores desafios da minha vida. Não tinha mais como fugir. Eram só os dois frangos e eu, obviamente sob a supervisão de um adulto porque nunca se sabe, né?

Cuidar do primeiro foi mais trabalhoso. Eu ainda estava cheia de “não me toques”, soltando um “coitado do frango” a cada articulação que eu desmontava. Separei as partes nobres lembrando sempre o quanto minha mãe fazia o mesmo serviço com uma técnica e uma velocidade invejável. Nas partes mais complicadas, preciso confessar que contei com a ajuda de Baltazar. Cozinha é treino, como fala o nosso guru, e eu senti que no segundo tudo iria melhorar.

O segundo, e maior, foi realmente mais fácil. Eu quis fazer tudo sozinha porque eu preciso estar preparada para o dia em que não tiver ninguém disponível para me ajudar. Eu consegui utilizar melhor a tesoura e a faca e, incrivelmente, nem foi tão traumático como eu imaginava. Passei tanto tempo ocupada, me esforçando para tirar qualquer vestígio de gordura ou pele que no final das contas o trabalho foi até terapêutico. Quem diria! Separamos as partes nobres para congelar e as partes não tão nobres assim foram utilizadas para fazer a minha primeira canja de galinha. Ficou uma delícia!

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