30.11.11

O jogo da amarelinha

Em silêncio, enquanto bebo outra xícara de café e olho a chuva pela janela, repenso e penso umas mil vezes sobre os últimos passos, sobre as últimas escolhas e sobre como eu cheguei até aqui. Eu, que até então apenas me imaginava dando pulos e rodopios pelas poças rasas de água, enfrentei a chuva sem proteção alguma e abri um sorriso para os possíveis nãos que poderia receber. Finalmente decidi acolher a cidade que me acolheu com tanto sol em meus dias tristes. Foi uma aceitação de um jeito torto e sincero, um tanto tardio, mas verdadeiro. Eu precisava desse tempo todo. Eu sou assim, cheia de ponderações. Enquanto voltava para casa, pulei como quem pula amarelinha num dia de sol sob a chuva, em poças de lágrimas.

24.11.11

Eu


Não gosto de algumas interpretações equivocadas sobre alguns textos e muito menos sobre algumas pessoas. Encontrar falhas textuais e humanas é fácil, ainda mais quando se está sob um pedestal iluminado e estranhamente imune a esses erros. Tenho preguiça daqueles que se utilizam das ideias dos grandes e tomam como base um conceito equivocado na desenfreada busca de credibilidade para o seu frágil discurso. Um discurso velado de culpas e desculpas esfarrapadas para encobrir o próprio erro simples e grotesco de falta de visão.



Também detesto classificações. Acho restritivo demais, agressivo demais e muito pouco inteligente. Triste daquele que se sente feliz em se enquadrar em uma sigla, em um grupo, em uma modinha. O ser complexo humano é tão habilidoso quanto um bom ator, que sustenta as tantas máscaras usadas no seu teatro. Por isso, antes de querer enxergar os outros e seus defeitos através de rótulos e tarjas pretas, procure curar o seu desespero. Antes de ditar sobre a melhor forma de vida, procure fazer com que a sua seja um pouco mais verdadeira de verdade, e menos aparentemente ideal.



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ps: Esse texto não é nenhuma indireta, fiquem calmos. Li e assisti algumas coisas que reviraram o meu estômago nos últimos dias. Esse texto é apenas o fruto de uma reflexão minha sobre algumas coisas com as quais não concordo. Simples assim. :)

22.11.11

Novidades

Quem visita o blog há algum tempo já percebeu que algumas coisas mudaram por aqui. Fiquei muito contente porque ganhei um layout novo e lindo de presente da querida Lis! Entre uma conversa e outra no twitter, falei da minha busca por um visual mais bonito para o blog e ela me veio com essa ideia bonita. Não sei nem como agradecer direito. Obrigada! :)

A novidade maior está ali na parte dos comentários. Eu sempre achei terrível essa lacuna que existia por aqui, causada pela falta de respostas. Pensando principalmente nisso adotei o Disqus! Agora sim, a gente pode conversar, responder e complementar o comentário um do outro e até curtir, para os adeptos do joinha do facebook. 

Mas, como comentar? Não sei o que é o Disqus e não quero me cadastrar em outro site SÓ pra comentar aqui. Vixe, e isso lá é problema gente? Na caixa de comentários você pode escolher comentar através do seu login do Gmail (que vale também pro Blogger), twitter, Facebook, Yahoo e OpenId. Chique né! Mais conectado, impossível. Agora quero a opinião de vocês! Gostaram das novidades?

19.11.11

Três por Quatro

Pegou minha três por quatro sobre a mesa e me disse a queima roupa que eu era feia. E que o amor era algo muito sublime, que nos fazia enxergar de uma forma muito bela o feio. Disse isso porque minutos antes viu que ele olhava a foto sobre a mesa e dizia que tinha ficado bem bonita, apenas um pouco escura. Culpa dessas máquinas automáticas que tiram foto em cabines solitárias.

Olhei a minha foto com a minha melhor cara de sinceridade, de mim mesma até nos defeitos e nas bochechas coradas. Não estava feia, de maneira nenhuma. Aliás, era essa uma das três por quatro melhores que tinha na vida. Só perdia para aquela da carteirinha do Crea, que ficou fantástica e já não tem uma cópia disponível.

Passado o choque com a declaração gratuita, fiquei pensando nessa relação paranoica que algumas pessoas têm com a falsa beleza tão inutilmente perseguida. Logo ele, o também patinho feio cheio de defeitos e cobranças. Logo ele, muito imperfeito e chato também. Disse que eu era feia sem nenhum constrangimento.

Peguei minha três por quatro sobre a mesa e o mandei ir à merda.

18.11.11

Amarelo

A mulher que mora do outro lado da rua usa sempre uma burca negra. Nas poucas vezes em que a vi, ela estava de preto da cabeça aos pés. Mas, outro dia, eu a encontrei na rua e me surpreendi ao olhar os seus sapatos muito amarelos. Era um amarelo vivo, aberto, que contrastava lindamente com o cinza do céu e com a escuridão do asfalto. Ela me mostrou mais uma vez que a gente precisa colorir essa vida, nem que seja do nosso jeito.

15.11.11

Autumn

E sem dúvida o outono é lindo. E tanta gente sorriu pra mim na rua que fiquei até desconfiada. Será que sujei meu rosto com graxa? Eu tenho essa mania de sempre achar que tem alguma coisa errada comigo. Mas nem tinha. Parece que as pessoas sentem a sua felicidade e se contaminam com ela. Velhinhas, crianças, cachorros e uma caixinha de maçãs de graça.

9.11.11

Batalha Perdida

O meu problema é enxergar apenas o lobo, e não a suposta casca doce e macia de cordeiro. Então todos questionam o porquê de não existir uma segunda, terceira e tantas outras infinitas chances. A resposta é tão óbvia e simples que eu ainda me assusto ao ter que explicar algumas das minhas escolhas.

Eu não consigo ir contra meus sentimentos a ponto de me jogar de uma ponte sabendo que eu não sei nadar. Não existem salva vidas. Existe apenas você e o monstro que não permite que o oxigênio chegue às suas vias respiratórias. E desse embate, inevitavelmente, você sairia com a alma e o coração ferido. Todos os guerreiros foram vencidos e não há uma viva alma para provar o contrário. Todos eles caminham por aí arrastando os sonhos nas correntes de uma intenção fracassada. Agora eu pergunto se você pularia. Você lutaria sem respirar mesmo sabendo que seria em vão?

Eu tenho limitações e tento vencê-las a cada dia. Eu tento sim ser uma pessoa melhor, mas eu sei também até onde posso ir e, sinceramente, eu não posso e não quero atravessar a fronteira outra vez. Conhecendo o que conheço e sabendo ainda que não vi nem trinta e cinco por cento do risco total de perigo, eu preciso mesmo tentar outra vez? Preciso mesmo arriscar a minha vida e a minha alma por uma missão fracassada? Eu assisto idas e vindas, chances e desesperos praticamente todos os dias e sinceramente, optei por não participar disso tudo simplesmente por ser um direito meu não me envolver em certas questões que nem a mim pertencem.

Não queiram enxergar ilusões debaixo de uma névoa inebriante de falsas intenções. Não queiram viver de mentira e, por favor, não insistam com esses discursos vencidos, maculados de experiências fracassadas e esperançosas de uma verdade que nunca será. Eu simplesmente só não consigo lutar por aquilo que eu não acredito. Não adianta. Eu não consigo me sentir culpada por isso. Se eu só enxergo o lobo foi porque assim ele se mostrou para mim.

8.11.11

Das certezas

Nada é mais gratificante que a certeza de que você pode sim caminhar com as próprias pernas.

3.11.11

Sugar

Mas a vida não é só açúcar e céu azul, não mesmo. Tem dia que tudo é chato, que você está feia e que o seu cabelo não colabora. Tem o dia cinza, de vento gelado, e a fila no banco para pagar o aluguel. Tem a pilha de louça suja para lavar, as roupas aguardando o varal e a preguiça das pequenas coisas da rotina. E tem também as decisões, isso ou aquilo, salgado ou apimentado? Tem dia que você só quer um colo e algumas palavras bonitas, mas não tem ninguém por perto e você se conforma com um pedaço de chocolate mesmo. Isso é vida real. É vida! E lembre-se, açúcar demais engorda!

Dedicado a nossa Tpm de todo mês!