30.6.12

Minha casa

É engraçado estar longe de casa, longe das paredes que me viram crescer, longe dos coqueiros que protegiam o meu quarto do sol intenso das três da tarde. O tempo passa e com ele tudo muda. A cada telefonema recebo uma novidade que me deixa emocionada e a do último mês foi saber que a casa onde cresci não existe mais. 

A fachada azul, o andar de cima, a sala grande, a varanda onde eu passava horas deitada no chão olhando para o céu, os corredores compridos que carregavam as correntes de ar frescas, meu quarto quente, nada disso existe mais. 

O quintal ainda continua verde, o mamoeiro produz frutos cada vez mais bonitos, o coqueiro mais alto precisou ser cortado, pois ameaçava a segurança da casa vizinha, e o menor continua lindo e dando frutos durante o ano inteiro - frutos que eu insistia em recusar quando criança por achar que a água que existia dentro dele estava contaminada pelo xixi do cachorro.

As coisas que deixei ficarão acomodadas no quarto de hóspedes, que nos aguarda com muita ansiedade. E cada pedaço da casa que ilustrava as minhas lembranças passou a existir apenas na minha memória.

Chegou a hora de construir a história aqui.

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"Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem

Mesmo que não venha o trem

Não posso parar..."





4 comentários:

  1. Mas, refazer a história noutro lugar também será interessante. Enquanto isso, guarda-se na memória a história de toda uma vida.

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  2. Queria poder visitar a casa que morei quando era pequena, ela tinha uma certa magia. Aquela casa já foi castelo, já foi clínica, já foi selva, já foi "minha casa depois de casada". Foi onde eu aprendi a tabuada - e sofri com isso, mas foi onde tive os melhores anos da minha infância.

    Diz minha mãe que a casa está tristonha e mal cuidada, mas uma coisa é certa: em minha memória ela, está de pé e continua sendo mágica e maravilhosa como sempre. Acho que no seu caso deve ser assim também e eu aprecio isso.

    Beijo e sucesso com o recomeço! :)

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  3. Deve ser muito estranho saber que a casa que antes guardava tantas lembranças não existe mais. Eu nao sei bem como eh isso porque filha de jogador de basquete eh igual filho de diplomata, cada hora num lugar diferente. Eu aprendi a nao me apegar aos lugares que morei.
    Maridon ja eh o oposto, ele sempre morou no mesmo lugar, ate ir pra universidade. Ele sofre bem mais com adaptações...
    Mas esse tipo de dor, de adaptação, eh sempre boa. Sempre faz a gente crescer.. nao eh mesmo?

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  4. Escritores são aqueles seres aparentemente comuns,que possuem a misteriosa habilidade de traduzir os sussurros do Vento...

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)