4.8.12

Amargo

Durante toda a minha vida eu fui uma pessoa extremamente diplomática, extremamente. Muitas vezes engoli o meu orgulho amargo e até assumi erros que não eram meus, apenas para facilitar a resolução de um problema ou para evitar que outros maiores acontecessem em decorrência da minha postura.

Finalmente percebi que, até hoje, a única pessoa que realmente sofria e perdia o gosto pela vida com esse comportamento era eu. Só eu. Todos seguiam radiantes de felicidade e donos da razão enquanto eu, burramente, engolia o choro e seguia cambaleando para juntar os restos de mim espalhados pelo caminho, adaptando os meus passos para me adequar a uma realidade que não me pertencia.

Eu sempre tentei pensar no bem estar de todos, mas não funcionou. Enquanto eu, em vão, me esforçava para isso, ouvia constantes insinuações e acusações embaladas em falsos elogios. Ontem foi a gota d’água, ontem eu ouvi tudo o que eu precisava ouvir para finalmente acordar desse pesadelo e sair das trevas em que vocês me aprisionaram.

A verdade é que eu desisti. Desisti porque não existe ser humano nesse mundo capaz de carregar um fardo tão pesado como esse sem se cansar. Finalmente entendi que não existem seres humanos envolvidos nessa história, existem monstros que me acusam de sofrer de loucura quando percebem a força dos tênues traços da minha lucidez. Os doentes dessa história na verdade são vocês e eu não vejo sentido em continuar lutando por uma convivência pacífica impossível de se conquistar nessa realidade.

Eu finalmente entendi, aprendi e decidi que, de agora em diante, eu só me responsabilizo por mim: pelos meus atos, pelas minhas decisões e pelos meus erros. Eu decidi que de agora em diante, egoisticamente, eu estou em primeiro lugar e continuarei assumindo todos os meus futuros atos de cabeça erguida, com consciência de que esses sim pertencem a mim. E que cada um siga construindo a sua própria prisão e fazendo as suas próprias escolhas. A minha, no caso, foi me libertar.

Um comentário:

  1. Está certíssima. Ninguém tem o dever de carregar fardo de ninguém. Cada um tem que responder por si mesmo, assim evita cargas que não são nossas, dores e desolação.

    Sábia decisão, a sua. ;)

    :**

    Sacudindo Palavras

    ResponderExcluir

Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)