14.12.12

Vida Organizada


Quando terminei de escrever o último post, fiquei durante um bom tempo observando tudo ao meu redor, tentando detectar tudo aquilo que me incomodava,  revendo as minhas atitudes e o reflexo disso tudo na minha vida e na minha casa. Olhar nos próprios olhos através do espelho nem sempre é fácil, mas é uma das chaves que abrem as muitas portas esquecidas e emperradas dentro de nós.

Observei a bagunça do dia a dia, que vai acumulando sem que a gente tenha muita consciência por conta da vida maluca e da falta de tempo. Não fiquei muito contente com o que vi, principalmente depois de ter feito uma faxina daquelas no final de semana. Em menos de três dias tudo estava novamente de pernas para o ar.

O amontoado de livros, papéis e correspondências na mesa que usamos para estudar; a impossibilidade de usar o sofá por conta da quantidade de livros e roupas que estavam ali esperando para voltar aos seus lugares de origem; a desorganização do nosso quarto e do nosso guarda-roupa e o pequeno caos da cozinha eram só um detalhe externo da bagunça que se tornou a nossa cabeça nesses últimos meses. Definitivamente não dava mais para continuar assim.

Fiquei pensando no enorme desperdício de tempo das nossas vidas por conta de pequenos hábitos, da falta de rotina e dos inúmeros “deixa aí que depois eu faço” que nós dissemos e que sempre serviram de desculpa para deixar as pequenas tarefas para depois. Conviver tranquilamente com a própria bagunça é até possível, mas quando a bagunça começa a atrapalhar o caminho dos dois, aí fica um pouco mais complicado.

Bagunça me desconcentra, me irrita e eu sempre a encaro como um atestado de incapacidade pessoal. Eu vou bagunçando, acumulando algumas coisas, mas como o meu limite de tolerância é mínimo, as coisas logo começam a entrar nos eixos. O problema é a bagunça do outro, que eu não tocava e não arrumava por questão de respeito ao caos criativo alheio, até que eu percebi que se o caos criativo não estava mais sendo eficiente nem para ele, estava sendo muito menos para mim.

Os seis livros abertos ao mesmo tempo, os três dicionários em três línguas diferentes, o computador com dezenas de abas abertas, a pilha de papel para anotações aleatórias, os cadernos antigos e outros materiais de estudo que não estavam sendo utilizados naquele momento só estavam fazendo com que ele não conseguisse se concentrar. Não era à toa que ele ultimamente levava mais de três horas para finalizar a leitura de um texto e não conseguia se imaginar alcançando o objetivo dele, fazendo com que a autoestima escorresse pelo ralo. Só quando me coloquei no lugar dele, percebi porque o meu desempenho nos estudos também estava indo ladeira a baixo.

Ele tem poucas horas disponíveis para estudar, já que trabalha 'full time' e a renda dele é responsável por fazer a vida aqui funcionar. E eu? Eu tenho muito mais tempo disponível, trabalho bem menos e não tenho nenhuma desculpa plausível para dar caso eu não consiga alcançar o meu objetivo! Depois do pânico, assumir de uma vez por todas a ordem da casa e da nossa rotina então me pareceu uma missão inadiável.

Após esse exame de consciência e de observação, peguei a minha agenda - que ultimamente andava esquecida - e fiz algumas anotações. Levantei da minha cadeira e, sem dizer absolutamente nenhuma palavra, decidi organizar a vida por etapas. Na mesma noite, a sala se tornou muito mais agradável para se estar e a mesa de estudos ficou muito mais confortável e convidativa. Gostei do resultado e, no dia seguinte, dei continuidade ao processo sem muito alarde depois que cheguei do trabalho.

Quando ele chegou em casa, eu o informei que daquele dia em diante nós teríamos que reaprender a seguir uma rotina de estudos e, que se nós quiséssemos mesmo que o nosso “ano de uma meta só” desse certo, nós teríamos que nos ajudar. Conversamos enquanto preparávamos o jantar e ele se motivou bastante quando eu apresentei uma planilha de horários e estudos que eu havia feito para ele. Na mesma noite, enquanto eu seguia com a minha fase de organização da casa, ele começou a seguir a rotina que eu havia elaborado e, para a nossa surpresa, funcionou direitinho e ele se sentiu super estimulado para seguir adiante.

Finalizei a etapa de organização da casa hoje pela manhã e agora só precisamos nos vigiar para manter cada coisa no seu lugar, mantendo o cuidado diário, mas sem muito esforço e perda de tempo. Hoje mesmo começo a minha rotina de estudos já que finalmente estou conseguindo sentir a minha cabeça mais equilibrada. Estamos confiantes e eu espero mesmo que essa nova fase dê certo. Vamos ver no que vai dar. :P 

Escrevi esse post enorme só para compartilhar com você – que anda com a vida de cabeça para baixo também – que é possível sim colocar a vida nos eixos. Comece hoje também! O segredo é fazer uma coisa de cada vez.


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ps: O título do post é uma referência ao blog mais legal do mundo para quem quer colocar a vida nos eixos, o vidaorganizada.com!

3 comentários:

  1. Até meus 14 anos eu arrumava tudo o que via pela frente em casa, dava até gosto de ver e de ficar em casa, mas com o passar do tempo acordei e vi que ninguém me ajudava e ainda desorganizavam tudo o que eu já tinha feito e fazia todos os dias. Então comecei a fazer o trivial que é lavar a louça e cuidar das roupas, porque se as pessoas que convivem no mesmo espaço que você não te ajudam, por quê você tem que fazer sozinha sempre? Porém, minha mãe me ensinou a fazer a minha parte sempre, independe do que for, mesmo ela não fazendo a dela. Mas com o tempo tu vai desanimando e perdendo a vontade e dai tudo fica pra depois sempre, até que atinge a tua vida, a que existe além da tua bagunça doméstica. Beijos

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    1. Nati, eu também passei por essa experiência quando ainda morava na casa dos meus pais. Eu vivia me estressando porque queria organizar tudo – quase sempre do meu jeito – até que eu percebi e entendi que era eu quem estava errada. Continuei ajudando nas tarefas do dia a dia e comecei a respeitar/entender a organização maluca da casa dos meus pais, mas com a certeza de que quando eu tivesse a minha própria casa eu tentaria fazer diferente.

      Acho que é mais fácil conseguir um resultado quando só duas pessoas convivem no mesmo espaço. Quando a família cresce, realmente fica mais bem complicado. :/

      Um beijo!

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  2. Oi, Menina Linda!

    Adorei a sua dica! E mais: a sua grande sacada de que talvez a cabeça da gente funcione melhor com uma casa bem arrumada. O ruim é que eu também estou tendo as mesmas decepções depois de perder um tempão fazendo faxina. Sempre acho que tem livro sobrando e não consigo me desvencilhar de tudo...rs

    Como "piorante" (ou nem tanto! rs), minha filha ainda é criança e sempre tem coisas espalhadas pela casa...

    E mais piorante ainda (e isso é piorante mesmo... e sem remédio! rs) é que sou geminiana... então as minhas gavetas só ficam arrumadas até o momento em que termino de arrumar, porque no momento seguinte já estão desarrumadas de novo... eu sou uma negação...rs

    Mas vou ver o blog que você indicou... quem sabe se eu não me ajeito, não é?! E adorei a sua visita! adorei saber que vc lembra do meu post! E adoraria um dia, quem sabe, fazer um lanchinho com você, conversando sobre coisas agradáveis, sentadas na grama de um parque bem florido e cheio de sol!

    Um abraço, querida!

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