31.12.13

Dos novos dias

2013 também sai pela porta da frente, com todas as honras e agradecimentos que merece. Cumpriu a rísca o seu papel e me trouxe vários momentos únicos nos quais eu pude reencontrar, exercitar e renovar a minha fé em Deus, em mim e também nas pessoas. Foi difícil, é claro, mas foi incrivelmente bonito e feliz. 2014 já pode entrar nas nossas casas e nas nossas vidas trazendo acima de tudo saúde, física e mental, que é o combustível essencial para a realização dos nossos sonhos.

Um ano novo feliz e cheio de saúde para todos nós.

28.12.13

Das vontades

Eu - que cresci brincando de confeitar bolos de aniversário para bonecas, que passava as tardes enrolada em linhas, rendas e guipires, que costurava miniaturas malfeitas de vestidos coloridos, que construia as minhas casinhas imaginárias sempre perto da roseira – reneguei e evitei muitas coisas durante muito tempo.

Numa casa onde todos cozinham bem, era com orgulho que eu afirmava por aí que não sabia cozinhar. Com uma avó artesã de talento incrível, nunca persisti no aprendizado da linguagem das agulhas. Com tantas tias costureiras, nunca me interessei por aprender a comandar as máquinas mágicas e barulhentas.

Enquanto molho as muitas plantas dessa casa, me vejo em frente a roseira tão bonita da minha infância outra vez e sinto nascer em mim o desejo de aprender todas essas coisas que um dia eu deixei para lá. Já venho me aventurando na cozinha e tem dado certo, mas confesso que o meu objetivo é aprender muito mais. 

Talvez eu não consiga realizar tudo isso já em 2014, mas eu quero em poucos anos poder já cozinhar melhor os meus pratos favoritos, conseguir fazer pelo menos algo da arte da minha vó e ser capaz de costurar os meus vestidos mais simples, nem que seja daqueles fresquinhos para usar em casa. Ando super animada, mas vamos ver se eu consigo. ;)

26.12.13

Dos presentes

Para completo terror e desespero das nossas mães, independentemente de conversarmos diariamente por horas seguidas no colégio, era comum passarmos uma hora ou mais ao telefone, comentando os acontecimentos incríveis ou não dos nossos dias. É muito engraçado pensar nessa vida sem internet, sem rede social para estreitar laços quase inexistentes na realidade. A impressão que eu tenho é de que as relações eram poucas, mas eram todas de verdade.

O telefone está presente em todos os bolsos, mas ouvir tornou-se tão obsoleto. Eu mesma me limitei a falar somente com minha família e essa distância toda faz com que cada vez que eu escute o som da voz de cada um seja quase um presente para mim. Que loucura é lembrar que falar era algo natural. Aos poucos tenho voltado a ouvir vozes amigas e confesso que isso tem me feito muito bem.

Ontem me dei de presente uma ligação demorada para essa mesma amiga de tantos anos e foi engraçado perceber que o tempo não passou em muitos aspectos. Foi muito bom reviver, mesmo que por poucos minutos, a experiência do momento da conversa, da voz, das risadas e dos tantos assuntos inacabados. A sensação que eu tive ontem ao ter essa conversa só reforçou a ideia de meta que eu tinha para o próximo ano, que é estar mais presente, de verdade.

Estou reaprendendo a me entregar ao café da manhã sem notícias, ao momento de reflexão sem barulho externo, à conversa sem smartphone sobre a mesa, a desatualização necessária, ao tempo que cada coisa pede. Eu preciso aprender a viver a experiência do momento, sem pensar nos passos de amanhã ou do próximo mês. Em 2014 eu quero estar mais presente na minha vida e na vida das pessoas que são importantes para mim, pessoal ou virtualmente. Não existem barreiras geográficas para quem está disposto a estar.

20.12.13

Das últimas páginas

Quando me lembro dos nossos dias no iglu, sinto o frio percorrer a espinha e fazer cócegas na minha barriga. No ano passado, os dias de dezembro foram frios e solitários, apesar da rotina lotada de muito trabalho e da experiência incrível de viver no coração da cidade. Naqueles longos seis meses de inverno, repetíamos diariamente que se arrependimento matasse, nós estaríamos a sete palmos do chão.

É engraçado relembrar todos os acontecimentos, os motivos que nos levaram a tomar determinadas decisões e a consequência que esses atos trouxeram para a nossa vida hoje. No iglu eu comecei a alimentar novamente os nossos planos de voltar para cá. Foi lá também que eu tive a mais sábia decisão das nossas vidas, de procurar uma casa compartilhada para viver os nossos últimos dias no reinado. Coincidentemente, encontrei aquele anúncio que acabara de ser publicado, entrei em contato e em uma semana estávamos com um contrato assinado em nossas mãos. Tivemos medo, mas nós já estávamos mesmo tão sofridos e calejados que, sinceramente, eu queria mesmo era ver no que aquilo ia dar.

Acho que nunca vou esquecer o que senti quando entrei naquela casa iluminada pelo sol da tarde, quando vi aquelas janelas imensas, as paredes brancas, o nosso quarto minúsculo e o jardim cheio de árvores. Foram dias bons, apesar dos seus momentos difíceis. Foram dias de muita música, de muita comida, de risadas, de amigos. No nosso último jantar, foi feito o brinde mais bonito, dedicado “àqueles que fizeram de uma casa, um lar”.

Saímos daquela casa com as mesmas malas que carregávamos quando saímos para a nossa nova vida. Descemos as ladeiras da cidade pela última vez enquanto eu chorava um choro alegre, triste e confuso de felicidade. Chorei como choro agora, de agradecimento, por tudo que vi, vivi e aprendi enquanto tive a oportunidade de estar naquela cidade. Fez um sol tão bonito enquanto deixávamos os muros coloridos para trás. Espero voltar um dia, para visitar os amigos e os lugares que aprendi a amar.

A aventura pegou a estrada e tomou novo rumo, mudou de endereço, continua me desafiando diariamente e me deixando de cabelo em pé. Apesar das incertezas, não tenho medo. Sigo tentando, fazendo o que posso, agradecendo por cada oportunidade e tentando ser melhor para mim e para aqueles que, de um jeito ou de outro, se importam.

Ainda não consegui finalizar o tal balanço geral sobre as metas pequenininhas do ano que termina, mas é notável que o saldo é bastante positivo. Enquanto eu escrevia as minhas metas no nosso iglu, nem imaginava a quantidade de coisas que eu ainda estaria por viver.  E como foi bom. Foi bom perder o medo, trabalhar bastante, sair da zona de conforto, conhecer pessoas novas, realizar sonhos, mudar de ideia, abrir mão de certezas, aprender com os meus erros, aceitar as minhas fraquezas, tentar trabalhar os meus defeitos, alimentar minha esperança e, principalmente, reencontrar a minha fé. 

17.12.13

Déjà vu

As manhãs de dezembro são de uma beleza fria e quietude únicas que fazem um barulho danado no peito. Caminho pela casa enquanto escuto o silêncio de fora e tento compreender o chamado de dentro. Leva tempo, eu sei, nada vem de imediato. Agradeço pelo novo dia, pela cama e pelo alimento do corpo e da alma. Agradeço, mas continuo pedindo e permaneço sempre em dívida. Então o dia acorda, os carros correm, a vida provoca e ensina. Daqui a pouco é vinte e quatro, depois de amanhã os dias terminarão em quartorze. Mas hoje não, o hoje é agora. Um dia de cada vez.

15.12.13

Uma vida, duas malas

Casa, carro, consumo e contas a perder de vista nunca foram tópicos muito presentes nos nossos planos de vida e também nunca trouxeram para nós o significado de felicidade. O estilo de vida minimalista já fazia parte dos nossos dias mesmo antes de termos a oportunidade de conhecer e vivenciar conscientemente essa escolha. As vantagens e o aprendizado que uma vida mais simples proporciona são inúmeros e realização de sonhos parece ser a mais incrível delas.

Ter a vida em duas malas não é tão fácil quanto parece. Requer ponderação, autoconhecimento e principalmente aceitação. Tenho lido bastante a respeito dessa escolha, de viver uma mais simples, e me alegro quando percebo que venho fazendo parte desse movimento, de alguma forma, mesmo sem perceber ou querer.

Esse blog nasceu no início da concepção dessa aventura, no momento do sonho e da dúvida, na hora do questionamento e de todas as incertezas. Desde então eu escrevo sobre os meus dias, sobre os meus medos, sobre as minhas pequenas vitórias e desafios diários. O meu objetivo era criar algo bem simples: as imagens seriam as palavras, a fotografia seria a descrição e a interpretação da coisa toda sempre dependeria dos olhos de quem lê.

Apesar do ideal minimalista de vida, cheguei a conclusão que esse blog se alimenta mesmo é de excessos. Emoções não se definem em poucas palavras, devaneios e experiências também não. Felizmente nesse espaço eu não preciso me preocupar com o excesso em si e com o peso. Parece loucura, mas eu carrego a minha vida em duas malas e em um blog. Literalmente.

14.12.13

Jobseeker

Eu fico o tempo inteiro me questionando sobre o que eu realmente posso e quero fazer profissionalmente. Vale mesmo a pena se especializar cada vez mais e, assim, fechar um leque de possibilidades de atuação? Quais das minhas habilidades, adquiridas além da minha formação e experiência profissional, podem me ajudar a encontrar um emprego na minha área ou em um outro setor totalmente distinto? No final das contas será sempre um papel o fator decisivo para atestar as minhas capacidades?

Existe nesse mundo alguma instituição autorizada para comprovar e certificar a minha coragem?

Admiro muito essas pessoas que conseguem contornar os momentos de crise com criatividade e fazem disso uma porta aberta para novas oportunidades ou até mesmo uma nova profissão. Eu tenho coragem – que não é tudo, mas diz muita coisa – e força de vontade, mas viver tanto tempo nesse limbo de possibilidades, onde se pode fazer quase tudo ou quase nada, tem me deixado um pouco confusa e sem chão.


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ps: Calma, esse post não é uma reclamação. É apenas uma pequena reflexão sobre caminhos, escolhas e saídas possíveis para momentos incertos na vida profissional. :)


13.12.13

Das epifanias

Palavras retratos relatam meus dias. Elas são imagens, paisagens, sentimento e coração.  

5.12.13

Enquanto engoma a calça

Piano invadindo a casa agora. Chuva e anoitecer pela janela. Menos dois lá fora, mas estou de short e camiseta aqui dentro, então está tudo bem.
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Uma dor de cabeça a menos: recebi permissão para trabalhar.
Uma preocupação a mais: preciso arrumar um emprego. Agora lascou. 
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Durmo e acordo buscando formas para me reinventar, me redescobrir. Já reclamei antes da minha falta de talento para quase tudo. Precisava mesmo era de uma orientação, um “faça isso, você é capaz”, mas o teto do quarto ainda não aprendeu a falar. Como não tenho tempo a perder, digo para mim mesma que sou capaz e dou a minha cara a tapa, mesmo sabendo que irá doer.
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Vejo amigos sendo promovidos, comprando imóveis e automóveis, tendo seus filhos e me pergunto se eu deveria mesmo estar por aqui, vivendo essa vida maluca. Mal finalizo a pergunta e já respondo a mim mesma que se eu não tivesse jogado “tudo” para o alto aos vinte e cinco, aos trinta eu teria enlouquecido e deixado milhares de prestações para a minha pobre família pagar. Estou feliz nesse caminho, com orgulho da minha coragem de ter arriscado e vivido tudo isso agora. E no futuro?
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Do futuro, só Deus sabe. E a vida é que tem razão.

2.12.13

Dos rodopios

Me convidou para dançar mesmo confessando não saber direito os passos e a direção a seguir. Aceitei. Rodopiei. Sorri e suei. Dançamos e nos divertimos sem que ninguém soubesse, olhasse ou percebesse e foi muito bom. A vida é isso. É saber aproveitar uma tarde fria e chuvosa de outono lá fora de uma maneira pulsante, quente, alegre e dançante, mesmo sem saber para que lado girar. É abrir a cabeça, se desvencilhar de velhos preconceitos e arrastar o pés de acordo com cada canção-desejo-coragem-coração. 

25.11.13

Dos recados

Eu sinto sempre uma felicidade imensa quando presencio algum acontecimento bonito a minha volta. Ter tido o privilégio de transitar entre o mar e o sertão quando criança me ajudou a aprender a observar e a respeitar o ambiente. A troca da maré, o céu azul a espera da chuva tão aguardada no sertão, o curso do rio já seco ou transbordante de fartura, a fruta ainda verde no pé, lama de manga pelo chão, o pôr do sol de cada dia entre tantas outras coisas sempre fizeram parte do meu caminho e, de certa forma, são importantes para mim.

É engraçado pensar que nos meus momentos mais difíceis, em que eu buscava alguma direção, sempre recebi um recado bonito da natureza, pedindo para eu tivesse um pouco mais de paciência. Ela sempre deu um jeito de me mostrar que os ciclos, o renascimento, as perdas, todas essas coisas fazem parte. Então eu me acalmo, confio, tento fazer minha parte e espero. Ontem à tarde, ganhei um arco-íris duplo, completo e perfeito do céu. 

24.11.13

Dos abraços

E aí que o final de semana foi dela, minha querida, que ontem comemorou mais um ano de vida numa festa muito legal e cheia de pessoas super interessantes! Teve muita música, declaração de amor e ela lá toda elegante - e sapeca - dançando na pista. Foi bonito de ver tanta alegria! Obrigada pelo convite e pela oportunidade de fazer parte desse dia bonito também. <3

22.11.13

Dos vizinhos

Enquanto o som invade e cresce a cada nota dentro do apartamento, tento imaginar o rosto responsável pela execução dessa tal arte tão elaborada. Imaginei primeiramente uma senhora, que para preencher o tempo vazio dos seus dias, resolveu dar aulas. Imaginei também uma jovem, que encontrava no piano a alívio para as suas dores, fugas e amores. Também pode ser um jovem, um senhor, não sei.

Não conheço os vizinhos do apartamento acima. Sei apenas que eles fazem muito barulho, que eles têm uma criança hiperativa que, assim como toda e qualquer criança, não tem horário fixo para gritar, brincar e correr pela casa. Sei também que nesses últimos dias eles têm discutido bastante. No dia da última discussão mais acalorada, o piano tocou sem parar.

Hoje foi um dia cinza e frio aqui dentro, e eu resolvi entregar um pouco os pontos. Aproveitei que a chuva caia e soltei a represa da alma para aliviar um pouquinho esse peso das costas também. Senti que era necessário e que seria bom para que eu pudesse me renovar. O som do piano foi meu companheiro durante toda a tarde, do início ao fim, com direito a execução de algumas das minhas músicas favoritas.

A vida tem mesmo um jeito engraçado de fazer um agrado inesperado e carinhoso nesses meus dias tristes. Depois do choro solitário, um sorriso calmo  chegou para me fazer companhia. Acho que vou deixar um bilhetinho no hall, agradecendo aos vizinhos pela música boa de todos os dias.

21.11.13

Das provas

Quase trinta anos nas costas e ainda não aprendi a relaxar antes de uma prova. Se nessa semana eu praticamente não dormi, de ontem pra hoje foi que eu não consegui dormir mesmo. Uma e trinta da manhã e eu estressada com uma parte da gramática específica que sempre puxa o meu tapete. Cinco da manhã eu desisti de brigar com o sono, ou a falta dele. Sai do quarto sem fazer barulho, fiz uma jarra de café e fiquei apreciando a noite querer virar dia pela janela.

Enquanto folheava o caderno, pensei na vida e nas escolhas malucas que a gente faz de vez em quando. Resolvi assumir para mim mesma que a prova não passava mesmo era de um bode expiatório e que a preocupação real tem nome e sobrenome bem diferentes do que estava querendo chamar a minha atenção naquele momento. Confusões gramaticais não são nada se comparadas com as charadas que o destino coloca pela frente.

O resultado sai na segunda-feira e eu acho que não fui tão bem quanto deveria ter sido, mas vai dar para passar de nível. Sendo assim, está tudo bem. O que seria mesmo a vida se não fossem os nossos erros e acertos? Eu e essa mania besta de me preocupar demais com as coisas e exigir demais de mim. Espero que um dia isso também passe. 

15.11.13

Dos diálogos matinais


[Eu tenho aquele clássico defeito de fabricação na hora de contar histórias engraçadas. Nunca aparenta ser do jeito engraçado que foi, mas fica aqui o registro para um futuro. É sempre bom poder relembrar.]


- Bom dia e meus pêsames.
- Meus pêsames.
- São quantos meses agora? Sete, oito..?
- Acho que são seis.
- Isso mesmo, nove anos e seis meses. E Ano que vem? Qual é a boda para dez anos?
- Não sei, me dá o telefone que eu descubro em um segundo.

(...)

- Aqui diz que é “Bodas de Estanho e/ou Zinco”.
- Sério, que chato..
- E como é que vai ser isso? Como é que você vai me dar um presente de estanho ou zinco?
- Humm.. Já sei! Te dou um Centrum* e fica tudo resolvido. Lá tem estanho, ferro, mais uma porrada de coisa e o tal do zinco! :D
- Palhaço.
- <3



*Esse post não é um publieditorial – meu sonho era um dia escrever isso aqui. HAHAHAHAHA =P

14.11.13

Das novelas

Tem um moço de uns quarenta e poucos anos na turma de alemão que não é muito normal, mesmo. Ele tem um comportamento muito bizarro e todos os dias ele chega contando uma história esquisita sobre alguma coisa surreal que aconteceu com ele. A cada dia que passava, ele ia revelando um pouco da sua história e nós, de certa forma, tentávamos continuar agindo com a maior naturalidade possível. Nós já estávamos convencidos de que muitas das histórias eram frutos de um trauma de guerra, já que ele vem de um desses países que recentemente esteve em conflito.

Um belo dia, quando a gente pensava que já tinha escutado de tudo, ele revelou para a professora, em frente a todos na sala de aula, que a esposa dele não permitia que ele falasse ou tivesse contato com mais ninguém além dela. Mil e uma maluquices e constrangimentos depois, ele chegou hoje com a esposa a tira colo. Ninguém entendeu nada e a professora saiu da sala para conversar com eles. Minutos depois todos voltaram para a sala e o clima ficou desconfortável durante muito tempo.

Ela, a esposa, não falou com ninguém. Entrou e saiu de cabeça baixa na sala, sempre seguindo os passos dele com o olhar. O detalhe é que ela é alemã, e fala alemão obviamente, mas parece que vai continuar indo para a aula nos próximos meses. As pessoas são capazes de fazer coisas muito engraçadas “por amor”. Se nós ainda estamos no A2, imagina só o T-É-D-I-O que essa moça vai sentir diariamente nos próximos meses.. Coitada.


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ps: Acho que ficou bem claro que nós nos deparamos com duas pessoas que precisam urgentemente de acompanhamento psicológico. Não sei ainda se a escola vai interferir de alguma maneira nesse assunto, aliás, nem sei se a escola “pode”. Nesse mundo maluco de hoje, tem que ter muito jogo de cintura para lidar com essa loucura comumente confundida com amor.

13.11.13

Recordações

Agora a pouco foi que me dei conta que já é novembro. Pensei em tudo que já aconteceu nesse ano e senti logo um frio na barriga. Revendo as muitas fotos que tirei desses meus dias, e que não publiquei em lugar nenhum, consegui reviver cada segundo, cada olhar pela janela, cada movimento que me fez captar o raio de sol que me acompanhava, cada brinde, cada acorde de violão, cada passo e também cada dia de coração apertado. Foram três mudanças de endereço e mais uma de país. Foi um ano de muitos abraços e muitas despedidas. Foi com certeza o ano mais L O U C O que eu já vivi. 

12.11.13

Pois é

Quanto mais me procuro, me perco e me desespero. Quando a vida está assim de ponta cabeça, cada passo exige o triplo de força, perseverança e equilíbrio. A dúvida é companheira constante no caminho. Em meio a perguntas sem respostas, em vão, pergunto um “e agora?” para José.

10.11.13

Midnight in Berlin

Noite fria e de céu estrelado, de museus vazios de pessoas e cheios de música. É incrível a magia que a noite proporciona a um lugar qualquer. Encontrei minha “quase cerveja” favorita, encerrei a noite com tequila e descobri que consigo falar alemão fluentemente na mesa do bar. Resumindo, foi divertido.



7.11.13

Cantos de Outono

Como uma criança irresponsável e descompromissada, mais uma vez engano a mim mesma e, sem querer querendo, esqueço de fazer o dever de casa. No fundo eu sei que a tarefa é outra, bem mais complexa, o que me dá um frio na espinha e um nó na cabeça só de pensar. Pego a caneta, encaro a folha em branco do caderno e o exercício se mostra ainda sem solução. A resposta é o grito! L i b e r d a d e, isso sim.

Preciso voar. 

4.11.13

Dos quereres

Nesse momento: querendo encontrar uma escada de degraus infinitos para chegar ao céu e colorir esse cinza escuro tão triste de luz.

1.11.13

Leve

A gente espera, não sei por que, a gente espera e continua esperando que algo aconteça para providências básicas sejam tomadas. O que é que está faltando para você mudar, se livrar de algo que tanto incomoda? Por que é que a gente sempre deixa para depois, para a segunda-feira que vem? Por que não começar hoje?

Aproveita que é dia primeiro, aproveita que agora é novembro! Eu já tenho uma listinha de coisas bobas e minhas para mudar e já quero mudar hoje. Quero tirar das minhas costas todo esse peso de mundo. Em novembro eu quero ser pluma, mais leve, em todos os sentidos. 


(...)
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.

Que em mim amadurece...

31.10.13

Happy Halloween

E aí que enquanto preenchia um formulário qualquer, meu irmão precisou saber da data de casamento da nossa mãe e do meu pai. Ninguém atendia o celular e ele mandou uma mensagem coletiva urgente pelo facebook. Ninguém respondeu.

Alguns minutos depois, consegui falar com o meu pai. Resposta: não tenho ideia.
Meu pai consegue falar com a minha mãe e pergunta se ela lembra. Resposta: agora lascou.
Minha irmã responde a mensagem avisando que só vai dar para saber a data quando eles voltarem para casa, lá pelas nove da noite.

Passava de uma da manhã por aqui quando eles chegaram em casa e minha mãe, finalmente, pode dar a resposta da charada. Além da revelação do dia aniversário de casamento deles, a notícia trouxe como bônus a surpresa de descobrir que eles fizeram bodas de prata no início desse mês! Foi uma gargalhada histérica em três fusos diferentes enquanto minha mãe avisava que faria uma bacia de pipocas para comemorar a data. Família normal, sei. 

Happy halloween pra vocês. =P

28.10.13

Das estações

De ontem pra hoje a ventania varreu o amarelo do céu e espalhou tudo pelo chão. Eram árvores despidas de folhas e mar de folhas pelo chão do meu caminho. Esse foi o outono mais lindo que pousou no meu olhar.

26.10.13

Dos esquecimentos

Todos os dias eu acordo e durmo com aquela sensação esquisita de estar esquecendo alguma coisa. Olho a data no calendário, folheio a agenda já com poucas páginas em branco, verifico as minhas anotações, e nada. Tenho sempre aquele calafrio sombrio de déjà vu quando escuto a minha própria voz repetindo os números e os dias. E a mente que não para, e o corpo que ressente. Hoje, depois de uma noite de sonhos esquisitos e de reencontros astrais, finalmente descobri a resposta para o que tanto me afligia. Hoje eu me dei conta de que me esqueci de mim.


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Post mimimi do mês. Tpm, é você? :P

23.10.13

Desescute

Ele estava com uma música chata impregnada na cabeça e resolveu me pedir ajuda para tentar esquecer a tal melodia chiclete. Eu, com a melhor das intenções, tive a brilhante ideia de apresenta-lo ao Desescute. O saldo da noite foi uma overdose de pílulas de desescute e nós ficamos ouvindo quase todas as músicas até acabar as opções. Só têm “clássicos” minha gente e não tem nem como não “amar”! No outro dia a gente amanheceu com um pot-pourri de música chiclete non stop na cabeça. Foi um inferno. Fim.

22.10.13

Da rotina

Com a chegada do outono, tenho visto o sol nascer praticamente todos os dias e o espetáculo é sempre único. Ligo o radinho na estação que só toca as minhas velharias favoritas e vou acordando enquanto preparo o café. Ele aparece logo em seguida e prepara a mesa enquanto o cheirinho de pão quente não sai do forno e eu termino de me arrumar. Tomamos café juntos, conversamos nossas bobagens e saímos juntos. Ele me deixa na escola e segue com a sua rotina. Eu fico na escola até uma e meia da tarde.

Quando chove a preguiça é mais insistente, mas eu tenho vencido essa batalha todos os dias já que não posso e não quero perder nem um dia de aula de língua alemã. A turma é um sol a parte, são todos uns queridos que me acolheram super bem desde o primeiro dia. Superada a timidez da primeira semana, já me arrisco em fofocar em numa mistura maluca de alemão, inglês, português espanhol, vietnamita e tailandês.

Saio da escola, passo no supermercado, volto para casa, preparo e como alguma coisa. Nessa hora, já são quase quatro da tarde. Tiro um cochilo. Acordo. Preparo um café fresco e passeio pela casa. Quando a caneca está cheia, vejo a vida pela varanda e dou uma olhada nas plantas. Chega a hora mais bonita do dia e a sala se banha em vermelho. Depois é jantar, nossas conversas, meu dever de casa e fim de noite. Amanhã, começa tudo outra vez.

4.10.13

Da timidez

Minha timidez tem aumentado assustadoramente e, apesar disso me incomodar bastante, eu tenho consciência de que isso é arte da insegurança. Obviamente, não está sendo fácil e eu não vejo a hora de me soltar, de voltar a falar e a me engajar nas minhas maluquices. Só preciso de um tempo para me entender comigo mesma, só um pouco de tempo e a vida vai seguir o seu rumo como na primeira e na segunda vez.

30.9.13

Tempo Amarelo

Tanto tempo longe daqui que já nem sei mais se quem escreve sou mesmo eu. Nesse mês de ausência pouco aconteceu de muito extraordinário e nós temos vivido os dias sem muito ruído. Esse momento de redefinição das nossas rotinas traz ainda aquele sabor doce e amargo da novidade, mas confesso que acordar com a calma de um dia ainda um pouco vazio de compromissos tem lá as suas vantagens.

Da sacada eu escuto o barulho das folhas das árvores em movimento, vejo nuvens se desenhando e perdendo as suas formas de acordo com a velocidade do vento, tomo banho vermelho de pôr do sol enquanto crianças e cachorros correm pela calçada. Faça frio, faça sol, o playground está sempre colorido. Me pego pensando se eu teria sido uma criança feliz assim no frio – se é que isso é frio mesmo para quem tem tantos graus negativos no inverno – e tenho minhas dúvidas. A cada vento gelado no rosto, me convenço de que o suor é minha sina. Sinusite é o cão.

Eu, que nunca morei em prédio antes, acho engraçado esse negócio de elevador e oitavo andar. Small talk continua não sendo o meu forte e ficou pior ainda com meu quase inexistente alemão. Para todos os efeitos, somos um casal russo. Quando falamos em Brasil todos se surpreendem. Não temos ainda nenhuma experiência negativa para contar e até os caixas de supermercado tem sido, na maioria das vezes, bem simpáticos.

Nesses últimos dias vimos o calor se despedir e o outono chegar. Os parques começam a ganhar aquela atmosfera mágica e o chão amarelo avermelhado pede atenção. Uma distração e pronto, o escorregão é garantido. Ainda não caí dessa vez, mas nesse mesmíssimo dia, no ano passado, eu caí enquanto descia a ladeira mais movimentada da cidade e aprendi a lição. 

11.9.13

Oriente-se

No momento, estamos morando em um bairro bem residencial e tranquilo na antiga Berlim oriental. Temos ao lado uma biblioteca, vários supermercados, padaria, um parque, um lago e muito verde. O acesso mais próximo ao transporte público fica logo do outro lado da rua e, com a rede integrada de Berlim, não existe grande distância: tudo fica perto. Compramos o cartão de uso mensal para esse mês, mas quero investir em uma bicicleta o mais rápido possível.

O apartamento é uma graça, cheio de plantas e bem arejado. A única inconveniência é o fato de não ter internet e, como nós não queremos fazer um contrato de um ou dois anos agora, resolvemos comprar um 3G pra usar no computador. Fizemos o pedido pela internet e ficamos esperando o carteiro trazer a nossa caixinha mágica de comunicação. O problema é que a nossa conta era internacional e – não entendi muito bem a razão de não terem aceitado o nosso cartão – a transação não foi concluída. A parte chata foi que levaram três dias para dizer que não tinha dado certo e a gente ficou esperando o pacote da internet chegar pelo correio. Tudo bem. =/

Na biblioteca ao lado nós conseguimos um ticket para usar uma hora de internet por dia e temos resolvido as coisas mais urgentes por lá. O problema é que em uma hora não dá tempo de resolver tudo, por isso o meu sumiço. Não vejo a hora de ter acesso à internet em casa. É muito complicado ficar incomunicável, sem ter como fazer pesquisas simples e providenciais quando você é novo na cidade e sem falar com a nossa família. Tirando esse detalhe chato, principalmente para uma pessoa viciada como eu, está tudo bem. =P

9.9.13

Das visitas

No último sábado tivemos a felicidade imensa de poder receber a visita de uma pessoa muito querida aqui na nossa casa. A inteligência, a simpatia, o carisma e o bom humor que ela esbanja nos textos do blog não representam nem dez por cento de como ela é na realidade. Ganhamos pão e sal* como presente de boas vindas e tivemos uma tarde super agradável.

Eu passei a tarde toda sem conseguir comer nada, só olhando e babando enquanto ela falava, tentando entender que era ela mesma ali sentada do meu lado. Ele disse que eu fiz vergonha, mas tudo bem já que eu já sou a personificação da timidez naturalmente - e uma idiota quando fico emocionada. :)

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ps. Segundo a tradição, o pão e o sal trazem prosperidade e fartura para a casa.  

5.9.13

Adieu

Deixamos Bristol no último sábado de agosto, após uma semana chorosa de comemorações e despedidas. Nos alegra muito o fato de ter deixado a cidade que nos abrigou de maneira tão conflituosa durante o início desse jeito tão bonito. Não me esqueço um só minuto de cada sorriso, abraço e desejo sincero de boa sorte que recebemos.

Não foi uma decisão fácil, mas postergar o fim de um ciclo é atrasar o início de novos caminhos e novas possibilidades. Nesse momento ainda confuso de recomeço, a única certeza que me acompanha é a de que demorou, mas finalmente iremos voltar aos poucos para a nossa rota inicial.

2.9.13

Alive

Sem internet, mas com vários lencinhos na bolsa e milhares de documentos. Estamos em Berlim. :)


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ps: Escrevo sobre a mudança assim que a internet permitir! Um beijo!

26.8.13

Da matéria

Enquanto vejo a minha “vida material” inteirinha se fechando em duas malas de vinte quilos cada, concluo sorrindo que o meu tesouro é mesmo outro, imensurável.

25.8.13

Contra o tempo

Eu deveria estar escrevendo todos os dias, registrando o subir e descer dessa montanha russa desgovernada que é a minha vida, mas não tem sido fácil. Tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, são tantas decisões a serem tomadas, é tanto carinho daqui e dali chegando como forma de incentivo! Quando penso em agradecer, nem sei por onde começar.

O destino, como sempre, continua jogando suas peças daquele jeito enigmático, mas tudo bem. Apesar do medo que sinto agora, preciso registrar que estou feliz com a nossa escolha. Meu único desejo para começar esse meu novo ano será ter saúde, serenidade e coragem para seguir caminhando. O resto se ajeita do jeito que der, se Deus quiser.

24.8.13

Midnight in Paris

A cada degrau que eu subia, era inevitável não me lembrar de mim mesma subindo outros degraus do edifício velho da Casa de Cultura da minha cidade. A cada lance a caminho da sala de aula, eu parava e observava aqueles quadros lindos, de lugares a milhares de quilômetros de mim. Eu parava, olhava e pensava se um dia eu chegaria ali. Naquele momento, com todas as circunstancias críticas em que a minha família se encontrava, era impossível. Era impossível, mas eu seguia em frente.

Dez anos depois, eu fiz questão de subir um a um aqueles degraus. A cada lance a caminho do alto, uma foto explicativa e histórica daquele monumento. Eu parava, lia e me transportava no tempo, para dez anos atrás. Olhava para o lado e mal conseguia entender onde eu estava. Olhava para o horizonte, para o céu bonito, tanta gente, tantas línguas, tantos nós pelo caminho, e eu ali.

Me emocionei muito e, como não poderia deixar de ser, chorei um pouco quando me dei alguns minutos sozinha, para contemplar aquilo tudo e lembrar do lugar onde eu vim. Pensei na minha família, nas minhas escolhas, lembrei da minha vida, da minha casa e a alegria se misturou com uma saudade quase insuportável. Desci muito feliz, cheia de coragem e decidida a acreditar mais em mim dali em diante.

Bebi vinho, fiz um piquenique à beira do Sena, me encantei no arco do triunfo, vi a cidade se iluminando, ouvi sinos e vozes angelicais em Notre Dame e Sacré Coeur, subi as ladeiras de Montmartre, visitei um querido ilustre no cemitério da cidade, vi o sol nascer e se pôr no horizonte, vi a chuva, vi tantos lugares e tantas coisas lindas e, para completar o clichê, fui pedida em casamento outra vez. O circuito turístico, no entanto, não é nada romântico, mas a magia está nos olhos de quem sonha e vê. :) 

14.8.13

Oh oh oh...


Well there's nothing to lose
And there's nothing to prove


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ps: A minha rádio mental está tocando essa música ininterruptamente durante as vinte e quarto horas dos últimos dias. É tipo o tema da minha vida nos últimos três anos. Não vejo a hora de chegar aos oitenta!  =) 

12.8.13

August

Há tempos eu venho aqui, olho para essa página em branco, ensaio algumas linhas e desisto de elaborar qualquer explicação para os dias que estamos vivendo. Como eu disse lá pelo twitter, eu ainda não sei onde era que eu estava com a cabeça quando eu escolhi viver essa adrenalina toda nessa encarnação. Minha vida passada deve ter sido mesmo um marasmo, um tédio total.

Agosto sempre foi e sempre será um mês de revisão e muita reflexão para mim. Estou a duas semanas de completar vinte e oito anos, como o tempo voa! Graças a Deus, eu já consigo olhar para o ano que passou com um sorriso nos olhos e com muito agradecimento. Eu arrisquei, eu tentei, eu sobrevivi e é isso que importa. Escolhas são escolhas e eu estou aprendendo a lidar com as minhas.

9.8.13

Dos apegos

Aos poucos eu me despeço da casa, das janelas, do jardim, das manhãs ensolaradas, dos esquilos e das pessoas. O verão também se despede de nós e os sinais do outono a cada dia ficam mais evidentes no ar e no verde da cidade. Já colhi as primeiras amoras num jardim qualquer a caminho de casa e o calafrio que percorreu o meu corpo quando senti o sabor azedo me fez relembrar os dias frios que vivi. Ainda tenho muitos dias frios para viver.

É engraçado sentir essa pontinha de tristeza quando dizemos até logo a pessoas que não conhecíamos meses atrás. Para nós, que estávamos completamente sozinhos até então, a convivência diária ajudou a preencher o vazio terrível que sentíamos aqui. Ontem tivemos mais um jantar de despedida e, até o final do mês, outros acontecerão.


Nós vamos guardar boas lembranças dos jantares, dos churrascos, das noites de violão, das histórias engraçadas e da companhia no dia a dia. Não me arrependo nada de ter arriscado vir morar aqui, mas reconheço que tivemos mesmo muita sorte de conhecer e poder conviver com pessoas responsáveis e legais. Daqui pra frente, cada um segue o seu rumo. O bom é saber que teremos várias casas para visitar e vários aniversários para comemorar por aí.

5.8.13

Flying saucers in the sky

Sobrevoávamos a Bélgica quando o piloto resolveu se comunicar conosco e pediu para que olhássemos a paisagem pela janela. O dia estava lindo, o voo perfeitamente tranquilo com nenhuma nuvem no céu, até que cruzamos o canal e o muro cor de chumbo surgiu. Foi estranho descer rápido na pista molhada, ser recepcionada pelas gotas da chuva e, de alguma forma, se sentir em casa. Estamos de volta.

24.7.13

Sommertag

Em busca de uma inspiração para decidir o nosso futuro, voltamos para o lugar onde tudo começou. Espero que a gente encontre alguma resposta por aqui e volte para casa com mais coragem para recomeçar outra vez. 

19.7.13

Summer

Me sinto em casa com esse céu azul e com esse calor que derrete as ideias. Está quente, está lindo, é quase Fortaleza. Só falta o verde mar.

3.7.13

Carta para ti #3

A maior aventura da minha vida começou no dia em que eu conheci você. Foi nesse dia que nasceu em mim a vontade e a coragem de enfrentar os maiores desafios para realizar alguns dos sonhos que eu pensava serem irrealizáveis na minha vida. Dentre todos esses sonhos que já foram realizados, o melhor e o mais importante deles, e o que me deixa mais feliz e realizada, é a possibilidade de compartilhar todos os meus dias com você.

1.7.13

Loca loca loca

A prova de que eu não estou muito bem da cabeça nesses últimos dias é que eu perdi a vergonha na cara e fui lá no blog Gaiola das Loucas escrever sobre a minha traumática "primeira vez". Tá com tempo e paciência para ler uma looooonga história? Então clica aqui


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ps: Deixei essa pequena surpresa programada para vocês. ;)

30.6.13

No, no, no...

Adivinha quem “vai estar ficando sem internet” pelos próximos quinze dias úteis? Isso mesmo, você acertou a resposta.  Felizmente eu tenho encarado tudo como um incentivo para que eu consiga entrar novamente nos eixos, então a rehab será super bem vinda.

Não sei se isso também acontece com vocês, mas eu percebi que fico extremamente ansiosa enquanto navego e devoro milhares de informações inúteis por segundo por aqui. Também tenho sofrido com insônia, estresse e falta de concentração. Por conta disso, durante essa semana eu já diminuí consideravelmente o tempo perdido no virtual e, aos poucos, tenho conseguido obter algum resultado, como conseguir aumentar o tempo de concentração nas minhas leituras por exemplo...

Então, se alguém sentir a minha falta (cof cof cof) digam apenas que estou temporariamente off-line sim, porém mais viva do que nunca. Até a volta. ;)

29.6.13

Midnight in England

Ontem à noite eu tive uma das experiências mais surreais da minha vida. Depois de um churrasco improvisado no jardim da casa, resolvemos acompanhar os nossos housemates em uma de suas noites de peregrinação pelos pubs da cidade. Nós sempre evitamos porque não dá para acompanhar financeiramente o pique dos festeiros daqui, mas ontem seria uma dupla comemoração e nós não poderíamos faltar. Era a despedida do nosso housemate francês, que está voltando para sua Bordeaux e o também o aniversário dele.

A noite começou em um dos bares que funciona dentro de um barco ancorado lá no Harbourside. Fiquei encantada com tudo, com a decoração, com a vista, com o clima de festa e foi bom demais. Depois seguimos para um pub daqueles que só os locais conhecem. Era uma fachada comum, sem nenhuma placa, nome ou sinalização. Um dos housemates tocou a campainha na porta, esperamos e quando entramos naquele ambiente a sensação foi de ter atravessado um portal do tempo.

Até agora eu não sei como descrever aquele lugar. Era muito escuro e rústico, mas extremamente rico, chique e bem intimidador. Foi uma experiência tipo meia noite em Paris, só que na Inglaterra, se é que vocês me entendem. Pode ser que a minha leve tontura alcoólica tenha colaborado bastante para a magia da coisa, mas lá eu não bebi e fiquei só observando a atmosfera surreal. Infelizmente, não pudemos demorar muito porque senão teríamos que deixar os nossos rins e demais órgãos que pudessem valer alguma coisa para pagar a conta e isso não estava nos meus planos – desculpa aí alta sociedade. Mas que foi legal, foi.

28.6.13

Tudo junto e misturado

A verdade é que a crise dos trinta chegou em dose dupla antes mesmo dos vinte e oito. Tem sido uma loucura, mas olhando pelo lado positivo da coisa, pelo menos nós ainda temos praticamente dois anos para pôr a alma em ordem. Como isso vai ser feito? Não temos a mínima ideia, mas se rir e chorar com as cagadas que a gente fez até chegar aqui for um começo, nós já demos o pontapé inicial...

Já pode andar com a plaquinha de “desculpe os transtornos, mas estou lutando por um eu melhor” no pescoço daqui por diante? Já pode procurar a terapia mais barata que existe no mercado? Já pode se esconder embaixo da cama? E agora, quem poderá nos defender?  :P


27.6.13

Dos momentos de fúria

Se o país era pura revolta nessas duas últimas semanas, o mesmo posso dizer sobre mim. Não é todo dia que a gente consegue conviver com as dificuldades sorrindo, não mesmo. Depois de alguns dias de fúria, mais uma vez consigo compreender e aceitar que não cabe a ninguém mais a tarefa de mudar e melhorar. Só depende de mim e ponto final.

Tenho escrito com menos frequência, mas tenho tentado fazer bem mais nos últimos dias. Tenho feito com a consciência de que os resultados poderão chegar ou não. Nada é certo mesmo nessa vida, mas eu decidi que é melhor dormir todas as noites com a cabeça tranquila, sabendo e sentindo que eu fiz a minha parte. Eu sei que eu já escrevi isso antes, mas devido a mil e um acontecimentos eu perdi o foco, esqueci e surtei.

Apesar dessa conversa se assemelhar bastante ao ruído de um disco arranhado, eu posso garantir que a partir de agora eu mudei a frequência. Há alguns dias eu venho acreditando novamente que eu só preciso viver uma hora e um dia de cada vez. O que importa é o caminho e os passos que eu irei dar para percorrê-lo. Se isso vai dar certo é outra história e, até o momento, não recebi nenhum spoiler do final.

23.6.13

É devagar, devagarinho.

Após duas semanas de completa apatia, voltei a ter mil e uma ideias mirabolantes para me ajudar a seguir em frente. Tenho lido e visto tantas coisas inspiradoras por aí que foi impossível não me contagiar com o clima de mudança e querer começar também. Um passinho de cada vez, melhor assim. 


22.6.13

Dos tempos modernos

Não, eu não preciso divulgar a foto de uma nota fiscal para mostrar ao mundo que eu fiz uma 'boa ação'. Não, eu não preciso passar o dia inteiro compartilhando imagens e links – muitas vezes contraditórios entre si – para mostrar o quanto eu estou preocupada com a situação atual do país e o quanto eu sou ‘politizada’. Não, eu não preciso concordar com tudo que os meus amigos acham que é certo. Não, eu não preciso de milhares de declarações de amor públicas para ter certeza de que sou amada de verdade. O motivo que leva pessoas a fazerem essas coisas acima é insegurança, em diferentes aspectos, nada mais.

21.6.13

Dos arquivos

21/06/2006 

“Fiz um blog há um ano, mas tive que abandoná-lo, pois o provedor que o hospedava não funcionava durante longos períodos e com muita dificuldade disponibilizava os seus serviços para os usuários. A insatisfação era geral e eu, como vários outros blogueiros do mal-dito provedor, resolvi mudar de vida e de endereço. Pronto, falei! Essa é a minha história. O blog era um espaço dedicado a mim, às minhas descobertas pseudo-literárias-musicais e aos meus confusos sentimentos. Era um lugar de desabafo, propriamente dito.. Ainda não resolvi qual será meu destino, mas enquanto não me decido, vou ficando por aqui.”

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Revirando os arquivos não publicados, descobri hoje que já ando pela internet desde 2005. Ao todo, são sete anos de retrato e oito de abobrinhas e incertezas quanto ao destino. Esse foi o primeiro post do Retrato em Branco e Preto no seu primeiro endereço. E eu ainda continuo por aqui. :)

18.6.13

Dos protestos

Eu também estou no time dos que acham que existem coisas bem mais urgentes para serem resolvidas no nosso país, mas discordo de quem acha que a copa é “da Dilma”. A copa não é SOMENTE da Dilma. A copa é do prefeito, deputado, governador, senador e todos os outros corruptos que estão direta e indiretamente no poder. Eles não chegaram lá sozinhos, não é verdade? Desculpa, mas para mim todo mundo é culpado e dizer que a copa é “da Dilma” não passa de uma tentativa de se isentar dessa merda toda. Felizmente, nem tudo está perdido, já que o gigante resolveu acordar semana passada. Eu só espero que ele permaneça acordado nas próximas eleições... Espero mesmo.



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ps: Estou acompanhando tudo por aqui, de longe. É impossível não se incomodar e não se emocionar com algumas imagens incríveis, feias e bonitas de protesto, que estão percorrendo o mundo. Tem que continuar, mas sem perder o foco Brasil. Somos todos um só corpo nessa luta contra a corrupção e no ringue estão t o d o s os partidos políticos. Tem que votar direito!!!!

8.6.13

Enquete

Ando pensando seriamente em fazer uma enquete perguntando a vocês o que é que eu devo fazer da minha vida. O pouco de sanidade que me restava, aparentemente, passou da validade e eu pifei. Pedi penico. Cansei. Morri. Não sei o que é que eu vou fazer mais não ó.

Eu quero mudar, mas não tenho nem ideia de como e por onde devo começar. Para falar a verdade, eu até já comecei, mas acredito que eu esteja tentando mudar de um jeito muito errado. Nada dá certo. Na-da. Desse jeito perde a graça, cansei de só perder.

Já pode voltar dez casas?
Já pode recomeçar o jogo da vida?
Já pode ser café com leite?

Um, dois, três e já! :P

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ps: É brincadeira gente. Aproveitar o final de semana, definitivamente, é a melhor opção! ;)

7.6.13

Dos outros #2

Uma coisa que me deixa muito feliz é poder ver pessoas realizarem seus sonhos. Recentemente, duas blogueiras mais que lindas e queridas realizaram o sonho de publicar os seus livros! Dá uma olhada no blog Palavras e Silêncios e na página do blog Pedaços para concorrer a um exemplar autografado de cada um. E você acha que acabou por aqui? Não!!! As meninas do Gaiola das loucas também resolveram fazer uma superpromoção do dia dos namorados. Para concorrer é só escrever a sua história de amor! O prêmio é uma surpresa.

E aí, vamos participar? ;)

6.6.13

Cabeça de Bagre

Completamos dois anos de Reino Unido no início desse mês, dois anos que parecem apenas algumas horas ou milhares de séculos, dependendo da relatividade dos dias e do meu humor. Não tenho nenhuma dica e muito menos nenhum conselho para dar a quem quer sair de casa e se aventurar em uma nova cidade, país ou planeta. Experiências são experiências e a minha não pode servir de base e nem ser comparada a de ninguém. No momento, a única sugestão que eu faço é que antes de fechar a mala, certifique-se de já ter saído psicologicamente da quinta série*. Sério, isso é muito importante.


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Update!

Ps 1: O que eu quis dizer aqui com "sair da quinta série" é deixar de ser infantil e mimado, de querer que o mundo gire em torno do seu umbigo e, principalmente, de achar que o seu jeito de ser/viver/comer é o único que está certo. O mundo é bem maior e bem diferente do jeito que é aí dentro da sua caixinha e, se você não sabe brincar ou não está preparado para entender isso, evite descer para o play. 

Ps 2: O que me motivou a escrever esse post foi uma observação crítica de alguns hábitos feios, muito feios, de pessoas que moram por aqui e que não aceitam o que encontram. Criticam as pessoas, os hábitos, a cultura, a comida e vivem em guetos, se limitando a vivenciar hábitos já conhecidos e a perpetuar preconceitos. Se você não se abre para o novo, pouca coisa muda. 

Ps 3: Idiotice desconhece nacionalidades e fronteiras. Não é uma bandeira que define um povo. 

28.5.13

Entre assados e cozidos

Por livre e espontânea vontade, toda semana um de nós cozinha alguma refeição para ser dividida entre todos que moram aqui na casa. Essa tradição começou com uma noite do curry e já teve outros pratos da cozinha inglesa, francesa e italiana. Nessa semana, nós fomos para a cozinha para preparar um dos salgadinhos mais incríveis desse mundo: coxinha.

Quando eu li por aí que a Nigella estava passeando pelo Brasil e que tinha se apaixonado pela coxinha, não pensei duas vezes e resolvi colocar a mão na massa - literalmente. Consegui unir o útil ao agradável já que seria uma oportunidade para matar a saudade, além de mostrar alguma coisa “nossa” para os housemates. Deu um trabalhão, mas foi um sucesso! E para não fugir do clichê, mês que vem vai ter feijoada! :) 



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ps: Ficou curiosa para ver como ficou a minha coxinha? Então clica aqui.

Plano Kamikaze

A ideia é maluca, mas o plano é totalmente executável embora seja uma iniciativa um tanto quanto kamikaze. Já que não temos muito a perder mesmo e se tudo der muito errado tem crédito suficiente no cartão para parcelar uma passagem de volta para casa em trinta e sete prestações – entra em vigor o plano Deutschland 2013, o combate final ou o retorno suicida. Nesse blog mimimi, cada vez mais próximo de você.

22.5.13

Vera


Vera é ainda adolescente e sofre com aquelas crises de preguiça e indecisão que, muitas vezes, permanecem impregnadas na alma da gente até a vida adulta chegar. Ela adora um drama e chove por quase tudo ou quase nada. Agora mesmo ela está ali no canteiro da casa, se descabelando e espalhando milhares de pétalas e folhas pelo chão da calçada do vizinho. É uma confusão porque não quer fazer mais a tarefa de casa, é uma birra porque só quer dormir, é chatice tão grande que, às vezes, é praticamente impossível não se incomodar.

Mesmo fazendo todo esse fuá, ela também tem lá os seus dias bonitos, de sorriso amigo e sol aberto no céu. Tem dia de alegria, mas também tem dia de tristeza. Ela tem consciência de que o seu ciclo tem início e tem fim, por isso tenta viver um dia de cada vez. Tenta, mas nem sempre consegue já que a ideia de perfeição foi uma coisa que os outros inventaram só para alimentar o bichinho da frustração que mora dentro de nós. Fica puta da vida e tenta ser verão, outono e inverno sem necessidade e sem dar tempo ao tempo. Essa menina é tão insegura! A primavera sou eu. 

21.5.13

Dos outros #1


Dentre todos os blogs que acompanho, dois conseguiram machucar o meu coração nessa semana. O primeiro foi esse aqui, da fina flor Juliana, que recentemente enfrentou um dos meus maiores medos. Não tenho palavras para lidar com isso, não tenho mesmo. A única coisa que consigo fazer é rezar para que esse dia de despedida demore bastante a chegar. O segundo foi esse aqui, que eu acompanho silenciosamente faz algum tempo. Impossível não me identificar com o que a Lara sente. Por aqui, as dúvidas, os medos e o “modelo de fracasso” são os mesmos. Fica então essa dica de leitura para vocês. Enquanto isso, vou ali tentar colocar a minha cabeça no lugar. Um beijo.



18.5.13

Dos feedbacks inesperados


Nessa semana, cheguei mais cedo na empresa e fiquei esperando a minha hora de começar a trabalhar no lounge/salinha dos funcionários. Coincidentemente, a diretora geral também estava lá e resolveu conversar comigo enquanto preparava o seu almoço. Ela começou a perguntar sobre mim, sobre o que eu fazia “de verdade” e sobre os meus planos para o futuro. Como eu estava muito relaxada nesse dia, a conversa fluiu muito tranquilamente e o resultado final foi muito interessante.

Quando eu falei sobre a minha formação e minhas experiências, ela ficou bastante surpresa. Quando eu expliquei que me dedicava atualmente a três trabalhos, sendo os outros dois voluntários na minha área, para poder adquirir experiência, o queixo dela caiu. Ela pediu desculpas e perguntou what-the-hell eu ainda estava fazendo naquele emprego. Nessa hora eu tremi na base e pensei: f*deu.

Eu expliquei que o emprego era importante para mim porque obviamente precisava pagar minhas contas, além de ser uma oportunidade incrível para me fazer evoluir no aprendizado da língua inglesa. Também expliquei que para me sentir mais segura e apta para conseguir um emprego na minha área por aqui, eu precisava voltar a estudar, coisa que não é possível porque burocraticamente eu ainda sou considerada estudante internacional e o preço do meu curso é apenas o triplo do preço cobrado para estudantes nacionais. Apenas. [Insira aqui muitos suspiros de desapontamento]

Entre muitos outros conselhos, ela disse que a partir daquele dia eu teria que começar a procurar emprego na minha área. Se eu fosse chamada para uma entrevista já seria ótimo, se desse certo, seria maravilhoso e ela teria prazer em assinar o meu desligamento, mas eu tinha que prometer que iria tentar. Eu fiquei surpresa. Jamais imaginei que iria receber um feedback dela e principalmente apoio para continuar tentando, apesar das inúmeras dificuldades que venho encontrando pelo caminho. Agradeci e corri para bater o ponto enquanto pensava que universo tem mesmo um jeito muito maluco de fazer a gente seguir em frente.


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ps: Não fui despedida!Uhuu! :D

17.5.13

Batendo na Porta do Céu


[Estou começando a achar o pessoal que trabalha no céu lê o meu blog. Isso me assusta um pouco, mas vou continuar escrevendo como se nada estivesse acontecendo, ok?]

Reclamar é muito fácil, mas não muda muita coisa. É por isso que, na prática, sempre que a nossa situação me incomoda, eu coloco uma música, arregaço as mangas e parto para a luta. Quando o peso nas costas está muito grande e eu já não consigo mais sorrir com facilidade, venho aqui no blog, solto o meu desabafo e me sinto mais leve para seguir na busca da realização dos nossos objetivos.

A impressão que eu tenho é que eu sou a próxima na fila de atendimento na porta dos desesperados, mas infelizmente a hora do cafezinho se estende um pouco mais e eu fico lá, forever alone, olhando para o nada. Então, alguém recebe a minha reclamação via feed do blog no celular e diz: “meu povo, vamos logo dar uma luz para essa maluca porque ela já está reclamando ali na porta de novo. Ô mulher chata, nem!”. Minutos depois, surpresa! Acontece uma coisa para me deixar mais calma. Nunca é o que eu esperava, mas já é uma luz e isso basta. ;)

15.5.13

Nine


Nós conseguimos lembrar nitidamente de todos os detalhes, de todos os sorrisos, de todos os dias e noites maravilhosas e também de todas as nossas brigas homéricas. Eu não sei se vocês sabem, mas vida real tem sim desentendimentos e brigas pelos motivos mais ridículos, com direito a arremesso de sapatos, copos quebrados, muito choro e tudo mais. A diferença é que você pode escolher entre pedir desculpas e tentar aprender com a situação ou abandonar de uma vez o que você acha que não serve mais. Vida perfeita eu só vejo no facebook dos outros.

Eu passei o ano inteiro imaginando como seria chegar nesse dia e ele não poderia ter sido mais sincero e verdadeiro. Ele significa muito para mim e para muitas outras pessoas, por motivos diferentes, mas hoje nós completamos nove anos juntos, nove anos, acredita? Eu também não. Que venham mais noventa e nove anos ao seu lado, com todas as suas aventuras e desventuras, sorrisos e lágrimas, carne, sangue, alma e coração. 

13.5.13

Let it be


Tudo que eu mais queria nesse momento era poder relaxar, entregar todas as decisões nas mãos do destino e deixar que, de um jeito ou de outro, a vida siga o seu curso do jeito que pode ou que deve ser. Apesar da minha total consciência de que todo esse estresse que eu venho sentindo nos últimos meses é inútil e que Murphy está aí para bagunçar lindamente todos os nossos planos, minha preocupação com os próximos passos não me deixa dormir.

As saídas que eu encontrei para seguir em frente, aparentemente, eram todas erradas e essa caminhada cega pelo labirinto me levou a um beco sem saída. Não sei se devo voltar e refazer o caminho, se devo pular o muro, se devo me acomodar no chão e dormir por aqui mesmo. Não sei. Só Deus e eu sabemos o quanto tenho tentado, mas ainda é cedo para colher os frutos dessa jornada. 

12.5.13

Das medalhas


Sempre que ela aparecia com uma queimadura nova no braço, eu também sentia a dor de ter perdido um pedaço de mim. Um dia, ainda criança, eu disse que compraria um bracelete bonito para cada “medalha” que ela carregava no corpo, fruto da jornada diária na cozinha que começou pouco depois dos oito anos de idade e que dura até hoje, mas que ela não pensa em abandonar jamais.

Por conta do trabalho e da vida corrida, eu vivi sob o cuidado de uma segunda mãe - minha vó paterna - durante a minha infância e comecinho da adolescência. Quando eu penso no trabalho que eu dava para pentear o cabelo e fazer o dever de casa, tenho a certeza de que o mais caro perfume desse mundo não seria suficiente para retribuir o cuidado e principalmente à paciência que ela teve comigo, sem contar com o amor que continuo recebendo até hoje.

Acordei hoje me achando a pessoa mais feliz e mais sortuda do universo. Não é todo mundo que tem o privilégio de ter duas mães e eu pude receber esse amor redobrado. Não vejo a hora de poder começar a retribuir de algum jeito tudo que recebi dessas duas mulheres incríveis. Enquanto ainda não posso comprar presentes, envio apenas o meu amor, que também não é barato e não tem preço.

11.5.13

Thursdays in the Park


Eu e essa minha mais nova mania de ler livros temáticos nas estações erradas. A verdade é que eu me lembrei da sensação de conforto que o livro sobre o outono me trouxe no último inverno e quis reviver a sensação de estar em dois universos diferentes simultaneamente. Como o sol resolveu nos abandonar nos últimos dias, não pensei duas vezes e levei mais uma capa colorida para casa. Li em dois dias e gostei bastante.

Quando fui atualizar o perfil no GoodReads, fiquei sabendo que ele é um dos best sellers da vez e que recebeu a classificação de “granny-porn” - really? Tudo bem que a história é um clichê sem fim sobre uma mulher que se redescobre aos sessenta, quando enfrenta uma crise no casamento falido de trinta anos e encontra um grande amor, mas não vai muito além disso. Rotular o livro como ‘pornográfico’ me pareceu um grande equivoco, um exagero.

O livro aborda as dúvidas e as inseguranças de uma mulher que continua trabalhando, cuidando da família, saindo com a amiga e fazendo todas as coisas que uma “jovem mulher” faz. Apesar de abordar essa crise de uma maneira superficial, a leitura valeu a pena porque ela me fez refletir sobre algo que eu ouvi da minha própria mãe, quando me disse que achava que na verdade ainda tinha quinze anos enquanto eu penteava os seus cabelos já brancos. Eu nunca tive dúvida, minha mãe é mesmo muito mais jovem que eu.


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Para quem tiver interesse, tem mais opiniões sobre esse livro aqui no GoodReads

5.5.13

Project365 - Update


O meu 365project continua firme e forte, mas resolvi não mais publicar o resumo da semana aos domingos aqui no blog por motivos de: falta de praticidade, bom senso, um pouco de vergonha alheia e preguiça. Colocar o link para o Instagram ali em cima tornou a integração do projeto e do blog muito mais simples e bem mais prática que trazer as fotos para cá manualmente, além de poder poupar a paciência de vocês de brinde, com a eliminação das minhas legendas nonsense e intermináveis. Quem quiser ver é só clicar, simples assim. Beijos.

4.5.13

Garota de Berlim


Há dias eu olho para essa página em branco, ensaio algumas palavras, apago tudo e desisto de escrever. A impressão que eu tenho é que escrevo sempre as mesmas coisas, fotografo sempre o mesmo céu e as mesmas folhas. Os medos ainda são os mesmos, a incerteza, a audácia e a dor de cabeça também. Continuo tentando, sigo teimando e sorrindo.

Temos tido dias de sol e nessa semana, pela primeira vez em praticamente dois anos, pudemos aproveitar uma tarde sentados no jardim. Coloquei as pernas de fora em um short curto sob um sol brilhante e uma incrível sensação de 12ºC. Nesse dia eu me senti como uma das meninas de Berlim, que tomavam sorvete na rua enquanto ainda era inverno para mim. Adaptação é a palavra chave da vida.

30.4.13

April


Não há outra palavra que melhor defina tudo o que aconteceu nesses últimos trinta dias, abril foi simplesmente incrível. Foram muitas pequenas e grandes mudanças diárias, bobas e importantes para quem vive e sente. Tem sido bom poder acompanhar o desabrochar da primavera, aproveitar os dias de chuva na casa quentinha, ter tempo, ter sol e ter companhia outra vez. Em maio eu espero continuar tendo muita coragem para arriscar e, principalmente, coragem pagar o preço que as nossas escolhas têm. 

27.4.13

Le futur proche

Julho, esse enorme ponto de interrogação nas nossas vidas.

26.4.13

Old Man's Beard


Sempre o vejo sentado no mesmo lugar e o que mais me impressiona é o olhar triste com o qual ele observa o mundo. Me pergunto o que deve ter acontecido para levá-lo a isso, se foi uma escolha própria ou uma armadilha do destino. As roupas sujas, o cabelo desgrenhado, a solidão praticamente palpável e a idade aparentemente avançada destoam com a jovialidade dos passantes e com a beleza de uma das ruas mais caras da cidade.

Enquanto todos fingiam que nada demais acontecia naquele lugar e continuam seguindo em frente com passos rápidos, alguém se incomodou. Parou no meio do caminho, colocou as mãos nos bolsos enquanto conversava consigo mesmo, respirou fundo e foi falar com o senhor que vive na mesma calçada desde o inverno passado. Perguntou se ele gostaria de comer alguma coisa e foi comprar um sanduíche no café mais próximo.

Eu, que assisti a cena enquanto seguia o fluxo rápido que atravessava o meu caminho, sorri e fiquei feliz por dois motivos. O primeiro foi saber que pelo menos alguém mais se importava com aquilo e o segundo foi a gentileza que, sem dúvida nenhuma, deve ter aquecido pelo menos um pouquinho aquele coração superficialmente congelado e aparentemente esquecido.

25.4.13

Bluebells


Demorou, demorou bastante, mas finalmente ela está entre nós. É difícil apontar a cor mais linda ou o verde mais vivo. Dou um sorriso a cada árvore e a cada jardim florido que eu encontro pelo caminho. No final das contas, é tudo incrivelmente perfeito, principalmente quando recebe o toque das flores azuis, as quais têm me deixado mais encantada ultimamente. Primavera querida, ainda bem que você chegou.

24.4.13

Um dia


Foram duas semanas tensas, apesar das pequenas alegrias cotidianas. Nós estávamos aguardando ansiosamente o resultado do processo de seleção e entrevistas aos quais ele havia se submetido ainda no início do mês. As vagas eram bem interessantes e, de alguma forma, relacionadas à formação dele. Quase tudo certo, quase tudo perfeito até que recebemos mais um não para o currículo e percebemos que, aparentemente, por aqui seremos sempre a segunda opção.

Por mais que nós permanecêssemos com os dois pés no chão e com a certeza da possibilidade de não dar certo, sempre existe uma pontinha de esperança enterrada no peito. Aproveitei que passava um filme triste na televisão e chorei toda a angústia que aquele não me proporcionou. Entre um soluço e outro, lembrei de alguns dos livramentos que recebi até então e me consolei dizendo para mim mesma que “não era para ser”.

Foi bem mais difícil juntar os cacos dessa vez, mas já estamos de pé novamente. A vida não espera por ninguém e, quando a esperança se vai, sinceramente, a sensação é de que não existe mais nada a se perder. Mentira, a sensação é de derrota e medo. Só quero olhar para trás um dia e entender o porquê de todos os nossos fracassos e, quem sabe, rir disso tudo. Um dia.


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ps: A tristeza até já passou, mas eu precisava registrar o meu desabafo.

18.4.13

Dos nuncas


E de repente eu me peguei pensando em colocar uma argola no nariz, pintar o cabelo de vermelho e fazer uma tatuagem colorida. Achei graça de mim mesma e dessa minha aparente adolescência tardia. Antes tarde do que nunca.

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ps: Um dia eu crio coragem.

17.4.13

Dos medos


“Tive um sonho horrível essa noite. Sonhei que o nosso avião estava caindo, mas foi engraçado porque eu não senti medo. Na hora que eu percebei que não teria mais jeito, eu te abracei bem forte, como pude, e fiquei repetindo ‘te amo, te amo, te amo...‘ e fiquei feliz porque você estava do meu lado.”

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ps: As declarações de amor que eu recebo diariamente acontecem assim, nos momentos mais inesperados. Os pesadelos dele quase sempre estão relacionados ao pânico de andar de avião e geralmente são bem feios, mas o de ontem, segundo ele, foi até bonito. :P

16.4.13

Red Lips


Nunca antes na história da minha vida eu havia usado batom vermelho. Sempre usei nude antes mesmo de que essa ausência de cor nos lábios fosse algo bonito e estivesse na moda. Por conta dos infinitos anos de uso de aparelho ortodôntico, aprendi a carregar bastante na maquiagem dos olhos e, obviamente, sempre optei por apagar aquilo que mais me incomodava. Os anos de aparelho acabaram, mas o costume de deixar os lábios nus não.

Eu vinha passando por uma fase down há tanto tempo que nem me lembrava mais como era olhar para o espelho e sorrir para o meu próprio reflexo. Surtei num sábado desses e influenciadíssima pela onda de red lips que anda nas ruas daqui, acabei comprando um batom vermelho horroroso e baratinho. Eu tinha certeza de que seria uma compra inútil e de que não ia usá-lo, mas queria tentar algo diferente antes de apelar para o corte de cabelo.

Usei o batom pela primeira vez em casa, enquanto estava sozinha. Enquanto me olhava no espelho tentei imaginar o processo que me levou a esse ponto de sentir tanta vergonha de mim. Parecia até que eu estava fazendo alguma coisa errada, tamanho medo e estranhamento que eu senti ao experimentar algo novo após tantos e tantos anos repetindo o mesmo hábito e o mesmo sorriso sem graça.

Aproveitei que uns noventa por cento das mulheres aqui estavam usando vermelho nas ruas e criei coragem para ultrapassar a barreira do portão de casa, já que eu seria apenas mais uma entre tantas outras caminhando por aí. Confesso que me senti tão bem com ele e com a cor que ele trouxe para a minha vida naquele dia que, desde então, já não hesito em usá-lo mais. Estou tentando aprender a gostar e a, principalmente, perder essa vergonha que eu tenho de mim.

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ps: A Lara escreveu recentemente sobre a terapia do batom vermelho e esse post me veio imediatamente na cabeça enquanto eu tentava escrever um comentário. Acabou ficando longo demais, mas eu precisava compartilhar isso com ela e também com vocês. Um beijo.