21.3.13

Dos convites


Quase não acreditei quando li as palavras escritas naquele convite. Foi uma chuva instantânea de lembranças na mente, boas e ruins. Tempos outros em que eu tinha dezessete anos, um milhão de medos e quase nenhuma coragem. Os medos continuam aqui, é claro, mas a coragem e a força que eu encontrei em mim são um fruto das diversas experiências que vivi durante esses dez anos.

Sempre achei incoerente e um pouco injusto ter que escolher um caminho em um momento tão delicado, tão infantil ainda e cheio de expectativas. Eu queria escrever, mas sabia que provavelmente não seria esse o melhor caminho profissional para mim. Eu nunca quis estudar medicina, jamais me imaginei estudando direito ou engenharia e não tinha a mínima ideia do que deveria fazer. Mentira. Lá no fundo eu queria ser professora de música, mas acabei deixando o sonho de lado com medo da realidade que encontraria pela frente.

Os meus anos na universidade foram os mais desgastantes que eu me lembro até então. Acabei escolhendo um curso interessante, que abordava um milhão de coisas diferentes e que eu gostava. O que no início me parecia uma grande aventura se transformou em um tormento sem fim com as inacabáveis greves que enfrentamos e com as dificuldades comuns que encontrávamos pelo caminho. Foi difícil, mas como não poderia deixar de ser, também tinha sim o seu lado bom.

Apesar de ter feito tudo como mandava o figurino, sempre tive a certeza de que não aproveitei e não aprendi como talvez pudesse aprender agora. Eu me lembro como se fosse hoje do meu desespero quando me deparei ainda no primeiro semestre com aqueles textos do Popper e do Kuhn entre tantos outros universos totalmente desconhecidos para mim. Eu não tinha base em quase nada, eu não tinha a mínima ideia do que eu estava fazendo e isso me deixava péssima.

Com o tempo, acabei descobrindo um amor para a vida toda e que vai me acompanhar pelo resto dos meus dias em qualquer lugar que eu esteja. Sei que preciso reler tudo que li naqueles dias porque sei que com esse olhar de hoje eu serei capaz de compreender o que antes me parecia impossível. É estranho escrever isso, mas finalmente me sinto segura de mim mesma e, apesar de a vida ter seguido por caminhos extremamente malucos e inimagináveis, estou tranquila com as minhas escolhas e com a certeza de que tenho sim muito o que aprender.

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ps: Recebi nessa semana um convite para comemorar o aniversário de 10 anos da turma da universidade. As pessoas casadas, solteiras, com neném no colo, morenas agora loiras ou vice versa, pessoas carecas, pessoas doutoras continuam sendo os mesmos adolescentes para mim, não vou nem mentir. :P

5 comentários:

  1. "Quase não acreditei quando li as palavras escritas naquele convite." a sua amiga aqui eh burra e nao sabe interpretar textos... nao entendi do que se trata o convite... =(

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    1. Nada de burra, o texto ficou foi ruim mesmo.
      Se eu tivesse que escrever para viver morreria de fome! hahahaha :P

      Recebi um convite para a reunião de 10 anos da turma da universidade. Velhice, aqui vou eu.
      hahahahaha

      Beijo!

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  2. Meus tempos de universidade, em termos de aprendizados, também foram bem frustrantes. Eu até tinha uma boa base, mas o meu curso era (e deve ser ainda) péssimo. Poucos professores comprometidos, peguei uma greve de 5 meses logo no início. Apesar de tudo, guardo ainda algumas boas lembranças. Me dava bem com todos, mas fiz poucos amigos. Somos muito, muito novos quando escolhemos o nosso curso e quando entramos na universidade. Mas aqui estamos nós, temos o resto da vida para compensar o que faltou. :) Beijos!

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  3. Não tenho saudade da época da universidade. Foram anos estressantes e cheios de decepções, tanto no curso quanto na vida. A única coisa interessante é o fato de que numa turma de 50 pessoas, apenas oito conseguiram se tornar jornalistas.

    Três trabalham em assessoria, dois continuam no mesmo jornal que trabalhei, um entrou para o mestrado e uma outra havia sido demitida. E acho que se a gente se encontrasse daqui a dez anos, metade deles estaria ainda mais arrogante do que é hoje...

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  4. Ainda bem que consegui ir no encontro com o pessoal da escola. E realmente, foi frustrante ver como o tempo voou e as mesmas pessoas que eu brincava hoje são doutores respeitados,essas coisas e pra mim sempre será aquelas crianças bobas que faziam brincadeiras nas aulas...

    Muito bom rever todo mundo... foi uma grande despedida.

    Kisu!

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