25.3.13

I wanna go home II


[Essa é a segunda parte DESSE POST em que eu relato a nossa maravilhosa primeira experiência traumática de mudança nessa cidade. Demorou seis meses, mas motivada com a futura sequência de posts envolvendo esse assunto, finalmente criei coragem e terminei de escrever. O texto ficou longo e pede muita coragem para chegar até o final.]

Após subirmos aquela ladeira íngreme e extremamente escorregadia por conta da chuva, demos de cara com uma praça triangular e com um trânsito dos infernos a sua volta. Em uma ponta ficava a agência e na outra, do outro lado da rua, o caixa eletrônico mais próximo. Como nós formamos uma dupla dinâmica inteligente, decidimos nos separar. Ele correu para preencher os papéis na agência e eu corri para sacar o dinheiro do calção.

Foi uma das cenas mais ridículas que eu me lembro de ter protagonizado em toda a minha vida. Eu, correndo toda ensopada, segurando a bolsa com uma mão e com a outra fazendo aquele sinal universal de SAI DA FRENTE na rua mais chique e movimentada da cidade. As pessoas abriam caminho prontamente, foi muito engraçado.

Obviamente tinha uma fila para usar o caixa eletrônico. Depois de alguns minutos de pânico, de alguns pulos de aflição e muitos palavrões – sociedade, eu falo muito palavrão nesses momentos, sorry – a moça que estava na minha frente finalmente se convenceu de que ela estava atrasando a vida de muitas pessoas e finalmente saiu do caixa, mas sem deixar mais nenhum dinheirinho disponível.

Eu, no auge do desespero, não entendi que não tinha dinheiro e achei que havia digitado algo errado e bloqueado o meu cartão. Como assim não ter dinheiro? Era muita sorte. Tento outra vez, digito a senha errada e agora sim bloqueava de vez o meu cartão. Decidi ir à agência pegar o cartão dele, que eu burramente me esqueci de pegar antes de nos separarmos, e tentar em outro caixa na outra ponta do triângulo.

Enquanto isso, ele conversava com a moça da agência e explicava que eu estava chegando com o dinheiro. As nossas concorrentes também estavam lá, preenchendo os papéis. Como ele chegou antes, tinha a preferência, mas se ele não tivesse o dinheiro naquele momento, uma das outras meninas pegavam o flat, simples assim. O coitado mal imaginava o que estava para acontecer.

Corta a cena e o foco volta para mim, correndo e dessa vez gritando S A I  D A  F R E N T E para as pessoas em português mesmo, além de fazer aquele movimento universal com o braço. Já tive mais elegância nessa vida, mas dessa vez era correr ou perder o teto. Entrei discretamente na agencia e peguei o cartão dele e voei para o outro caixa, mas no desespero, esqueci a senha apesar de ter tentado memorizar durante todo o caminho. Depois de umas cinco ligações não atendidas e mais todo o meu vasto repertório de palavrões sendo bradado aos quatro ventos, saquei o dinheiro, voltei correndo e finalmente consegui entrega-lo na agência.

Eu já estava tão louca que quando saímos daquele lugar e eu jurava que estávamos sendo seguidos por uma das outras duas mulheres que queriam alugar o flat. Durante quase todo o caminho, sempre que eu olhava para trás ela estava lá, até que ela subiu no ônibus. Foi então nesse momento que eu percebi a paranoia e lembrei que todos os ônibus paravam nesse mesmo lugar. Abri a minha bolsa para pegar a minha carteira e ver se estava tudo certo, e cadê os nossos passaportes? PÂNICO GERAL.

Comecei a imaginar o tormento do processo delegacia – embaixada – imigração e chorei. Pensei que a mulher tinha roubado os passaportes na agência como um ato de vingança e imaginei loucuras. Minha imaginação é terrível e nessas horas ela simplesmente não ajuda. Nunca fiquei tão feliz na minha vida como quando entrei em casa e vi os passaportes em cima da mesa branca, que eu havia esquecido quando organizava a pasta de documentos. Agradeci aos céus e pedi perdão por ter desconfiado e pensado mal da moça. Incrível como isso me incomodou e me deixa envergonhada até agora.

Pensei em tomar um banho quente para relaxar e dormir, mas adivinha o que resolveu quebrar exatamente nesse dia? Falei palavrão, dormi parcialmente suja porque o banho gelado de cuia não colaborou, mas pelo menos eu tinha um teto e poderia enfim dormir em paz.

5 comentários:

  1. É aquela coisa "o que for pra ser seu, será".

    Fiquei feliz com o final... apesar de tudo ela ainda é sua rs

    Kisu!

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    1. Era.
      Estamos abandonando o barco e partindo para mais uma aventura!
      Aí gosta de sofrer, né não?
      hahahahaha ;)

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  2. "sociedade, eu falo muito palavrão nesses momentos, sorry " Eu também! Ta perdoada... ;)
    Mulher.. que agonia! coração na mão!
    E como os beatles ja diziam - tem dia que de noite eh foda! haha

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    1. Sô ou não sô um poço de exagero?
      Hahahahahaha
      :P

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  3. Mesmo com o chuveiro quebrado, o banho gelado de cuia, a corrida maluca, a paranóia com a mulher da agência... dá um baita alívio quando você está desesperado procurando um lugar pra ficar, e finalmente consegue.

    É por isso que hoje meus maiores desejos são: conseguir encontrar um lugar disponível na cidade pra onde transferiram meu menino; e que isso seja logo, meu Deus!!!

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)