28.5.13

Entre assados e cozidos

Por livre e espontânea vontade, toda semana um de nós cozinha alguma refeição para ser dividida entre todos que moram aqui na casa. Essa tradição começou com uma noite do curry e já teve outros pratos da cozinha inglesa, francesa e italiana. Nessa semana, nós fomos para a cozinha para preparar um dos salgadinhos mais incríveis desse mundo: coxinha.

Quando eu li por aí que a Nigella estava passeando pelo Brasil e que tinha se apaixonado pela coxinha, não pensei duas vezes e resolvi colocar a mão na massa - literalmente. Consegui unir o útil ao agradável já que seria uma oportunidade para matar a saudade, além de mostrar alguma coisa “nossa” para os housemates. Deu um trabalhão, mas foi um sucesso! E para não fugir do clichê, mês que vem vai ter feijoada! :) 



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ps: Ficou curiosa para ver como ficou a minha coxinha? Então clica aqui.

Plano Kamikaze

A ideia é maluca, mas o plano é totalmente executável embora seja uma iniciativa um tanto quanto kamikaze. Já que não temos muito a perder mesmo e se tudo der muito errado tem crédito suficiente no cartão para parcelar uma passagem de volta para casa em trinta e sete prestações – entra em vigor o plano Deutschland 2013, o combate final ou o retorno suicida. Nesse blog mimimi, cada vez mais próximo de você.

22.5.13

Vera


Vera é ainda adolescente e sofre com aquelas crises de preguiça e indecisão que, muitas vezes, permanecem impregnadas na alma da gente até a vida adulta chegar. Ela adora um drama e chove por quase tudo ou quase nada. Agora mesmo ela está ali no canteiro da casa, se descabelando e espalhando milhares de pétalas e folhas pelo chão da calçada do vizinho. É uma confusão porque não quer fazer mais a tarefa de casa, é uma birra porque só quer dormir, é chatice tão grande que, às vezes, é praticamente impossível não se incomodar.

Mesmo fazendo todo esse fuá, ela também tem lá os seus dias bonitos, de sorriso amigo e sol aberto no céu. Tem dia de alegria, mas também tem dia de tristeza. Ela tem consciência de que o seu ciclo tem início e tem fim, por isso tenta viver um dia de cada vez. Tenta, mas nem sempre consegue já que a ideia de perfeição foi uma coisa que os outros inventaram só para alimentar o bichinho da frustração que mora dentro de nós. Fica puta da vida e tenta ser verão, outono e inverno sem necessidade e sem dar tempo ao tempo. Essa menina é tão insegura! A primavera sou eu. 

21.5.13

Dos outros #1


Dentre todos os blogs que acompanho, dois conseguiram machucar o meu coração nessa semana. O primeiro foi esse aqui, da fina flor Juliana, que recentemente enfrentou um dos meus maiores medos. Não tenho palavras para lidar com isso, não tenho mesmo. A única coisa que consigo fazer é rezar para que esse dia de despedida demore bastante a chegar. O segundo foi esse aqui, que eu acompanho silenciosamente faz algum tempo. Impossível não me identificar com o que a Lara sente. Por aqui, as dúvidas, os medos e o “modelo de fracasso” são os mesmos. Fica então essa dica de leitura para vocês. Enquanto isso, vou ali tentar colocar a minha cabeça no lugar. Um beijo.



18.5.13

Dos feedbacks inesperados


Nessa semana, cheguei mais cedo na empresa e fiquei esperando a minha hora de começar a trabalhar no lounge/salinha dos funcionários. Coincidentemente, a diretora geral também estava lá e resolveu conversar comigo enquanto preparava o seu almoço. Ela começou a perguntar sobre mim, sobre o que eu fazia “de verdade” e sobre os meus planos para o futuro. Como eu estava muito relaxada nesse dia, a conversa fluiu muito tranquilamente e o resultado final foi muito interessante.

Quando eu falei sobre a minha formação e minhas experiências, ela ficou bastante surpresa. Quando eu expliquei que me dedicava atualmente a três trabalhos, sendo os outros dois voluntários na minha área, para poder adquirir experiência, o queixo dela caiu. Ela pediu desculpas e perguntou what-the-hell eu ainda estava fazendo naquele emprego. Nessa hora eu tremi na base e pensei: f*deu.

Eu expliquei que o emprego era importante para mim porque obviamente precisava pagar minhas contas, além de ser uma oportunidade incrível para me fazer evoluir no aprendizado da língua inglesa. Também expliquei que para me sentir mais segura e apta para conseguir um emprego na minha área por aqui, eu precisava voltar a estudar, coisa que não é possível porque burocraticamente eu ainda sou considerada estudante internacional e o preço do meu curso é apenas o triplo do preço cobrado para estudantes nacionais. Apenas. [Insira aqui muitos suspiros de desapontamento]

Entre muitos outros conselhos, ela disse que a partir daquele dia eu teria que começar a procurar emprego na minha área. Se eu fosse chamada para uma entrevista já seria ótimo, se desse certo, seria maravilhoso e ela teria prazer em assinar o meu desligamento, mas eu tinha que prometer que iria tentar. Eu fiquei surpresa. Jamais imaginei que iria receber um feedback dela e principalmente apoio para continuar tentando, apesar das inúmeras dificuldades que venho encontrando pelo caminho. Agradeci e corri para bater o ponto enquanto pensava que universo tem mesmo um jeito muito maluco de fazer a gente seguir em frente.


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ps: Não fui despedida!Uhuu! :D

17.5.13

Batendo na Porta do Céu


[Estou começando a achar o pessoal que trabalha no céu lê o meu blog. Isso me assusta um pouco, mas vou continuar escrevendo como se nada estivesse acontecendo, ok?]

Reclamar é muito fácil, mas não muda muita coisa. É por isso que, na prática, sempre que a nossa situação me incomoda, eu coloco uma música, arregaço as mangas e parto para a luta. Quando o peso nas costas está muito grande e eu já não consigo mais sorrir com facilidade, venho aqui no blog, solto o meu desabafo e me sinto mais leve para seguir na busca da realização dos nossos objetivos.

A impressão que eu tenho é que eu sou a próxima na fila de atendimento na porta dos desesperados, mas infelizmente a hora do cafezinho se estende um pouco mais e eu fico lá, forever alone, olhando para o nada. Então, alguém recebe a minha reclamação via feed do blog no celular e diz: “meu povo, vamos logo dar uma luz para essa maluca porque ela já está reclamando ali na porta de novo. Ô mulher chata, nem!”. Minutos depois, surpresa! Acontece uma coisa para me deixar mais calma. Nunca é o que eu esperava, mas já é uma luz e isso basta. ;)

15.5.13

Nine


Nós conseguimos lembrar nitidamente de todos os detalhes, de todos os sorrisos, de todos os dias e noites maravilhosas e também de todas as nossas brigas homéricas. Eu não sei se vocês sabem, mas vida real tem sim desentendimentos e brigas pelos motivos mais ridículos, com direito a arremesso de sapatos, copos quebrados, muito choro e tudo mais. A diferença é que você pode escolher entre pedir desculpas e tentar aprender com a situação ou abandonar de uma vez o que você acha que não serve mais. Vida perfeita eu só vejo no facebook dos outros.

Eu passei o ano inteiro imaginando como seria chegar nesse dia e ele não poderia ter sido mais sincero e verdadeiro. Ele significa muito para mim e para muitas outras pessoas, por motivos diferentes, mas hoje nós completamos nove anos juntos, nove anos, acredita? Eu também não. Que venham mais noventa e nove anos ao seu lado, com todas as suas aventuras e desventuras, sorrisos e lágrimas, carne, sangue, alma e coração. 

13.5.13

Let it be


Tudo que eu mais queria nesse momento era poder relaxar, entregar todas as decisões nas mãos do destino e deixar que, de um jeito ou de outro, a vida siga o seu curso do jeito que pode ou que deve ser. Apesar da minha total consciência de que todo esse estresse que eu venho sentindo nos últimos meses é inútil e que Murphy está aí para bagunçar lindamente todos os nossos planos, minha preocupação com os próximos passos não me deixa dormir.

As saídas que eu encontrei para seguir em frente, aparentemente, eram todas erradas e essa caminhada cega pelo labirinto me levou a um beco sem saída. Não sei se devo voltar e refazer o caminho, se devo pular o muro, se devo me acomodar no chão e dormir por aqui mesmo. Não sei. Só Deus e eu sabemos o quanto tenho tentado, mas ainda é cedo para colher os frutos dessa jornada. 

12.5.13

Das medalhas


Sempre que ela aparecia com uma queimadura nova no braço, eu também sentia a dor de ter perdido um pedaço de mim. Um dia, ainda criança, eu disse que compraria um bracelete bonito para cada “medalha” que ela carregava no corpo, fruto da jornada diária na cozinha que começou pouco depois dos oito anos de idade e que dura até hoje, mas que ela não pensa em abandonar jamais.

Por conta do trabalho e da vida corrida, eu vivi sob o cuidado de uma segunda mãe - minha vó paterna - durante a minha infância e comecinho da adolescência. Quando eu penso no trabalho que eu dava para pentear o cabelo e fazer o dever de casa, tenho a certeza de que o mais caro perfume desse mundo não seria suficiente para retribuir o cuidado e principalmente à paciência que ela teve comigo, sem contar com o amor que continuo recebendo até hoje.

Acordei hoje me achando a pessoa mais feliz e mais sortuda do universo. Não é todo mundo que tem o privilégio de ter duas mães e eu pude receber esse amor redobrado. Não vejo a hora de poder começar a retribuir de algum jeito tudo que recebi dessas duas mulheres incríveis. Enquanto ainda não posso comprar presentes, envio apenas o meu amor, que também não é barato e não tem preço.

11.5.13

Thursdays in the Park


Eu e essa minha mais nova mania de ler livros temáticos nas estações erradas. A verdade é que eu me lembrei da sensação de conforto que o livro sobre o outono me trouxe no último inverno e quis reviver a sensação de estar em dois universos diferentes simultaneamente. Como o sol resolveu nos abandonar nos últimos dias, não pensei duas vezes e levei mais uma capa colorida para casa. Li em dois dias e gostei bastante.

Quando fui atualizar o perfil no GoodReads, fiquei sabendo que ele é um dos best sellers da vez e que recebeu a classificação de “granny-porn” - really? Tudo bem que a história é um clichê sem fim sobre uma mulher que se redescobre aos sessenta, quando enfrenta uma crise no casamento falido de trinta anos e encontra um grande amor, mas não vai muito além disso. Rotular o livro como ‘pornográfico’ me pareceu um grande equivoco, um exagero.

O livro aborda as dúvidas e as inseguranças de uma mulher que continua trabalhando, cuidando da família, saindo com a amiga e fazendo todas as coisas que uma “jovem mulher” faz. Apesar de abordar essa crise de uma maneira superficial, a leitura valeu a pena porque ela me fez refletir sobre algo que eu ouvi da minha própria mãe, quando me disse que achava que na verdade ainda tinha quinze anos enquanto eu penteava os seus cabelos já brancos. Eu nunca tive dúvida, minha mãe é mesmo muito mais jovem que eu.


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Para quem tiver interesse, tem mais opiniões sobre esse livro aqui no GoodReads

5.5.13

Project365 - Update


O meu 365project continua firme e forte, mas resolvi não mais publicar o resumo da semana aos domingos aqui no blog por motivos de: falta de praticidade, bom senso, um pouco de vergonha alheia e preguiça. Colocar o link para o Instagram ali em cima tornou a integração do projeto e do blog muito mais simples e bem mais prática que trazer as fotos para cá manualmente, além de poder poupar a paciência de vocês de brinde, com a eliminação das minhas legendas nonsense e intermináveis. Quem quiser ver é só clicar, simples assim. Beijos.

4.5.13

Garota de Berlim


Há dias eu olho para essa página em branco, ensaio algumas palavras, apago tudo e desisto de escrever. A impressão que eu tenho é que escrevo sempre as mesmas coisas, fotografo sempre o mesmo céu e as mesmas folhas. Os medos ainda são os mesmos, a incerteza, a audácia e a dor de cabeça também. Continuo tentando, sigo teimando e sorrindo.

Temos tido dias de sol e nessa semana, pela primeira vez em praticamente dois anos, pudemos aproveitar uma tarde sentados no jardim. Coloquei as pernas de fora em um short curto sob um sol brilhante e uma incrível sensação de 12ºC. Nesse dia eu me senti como uma das meninas de Berlim, que tomavam sorvete na rua enquanto ainda era inverno para mim. Adaptação é a palavra chave da vida.