12.5.13

Das medalhas


Sempre que ela aparecia com uma queimadura nova no braço, eu também sentia a dor de ter perdido um pedaço de mim. Um dia, ainda criança, eu disse que compraria um bracelete bonito para cada “medalha” que ela carregava no corpo, fruto da jornada diária na cozinha que começou pouco depois dos oito anos de idade e que dura até hoje, mas que ela não pensa em abandonar jamais.

Por conta do trabalho e da vida corrida, eu vivi sob o cuidado de uma segunda mãe - minha vó paterna - durante a minha infância e comecinho da adolescência. Quando eu penso no trabalho que eu dava para pentear o cabelo e fazer o dever de casa, tenho a certeza de que o mais caro perfume desse mundo não seria suficiente para retribuir o cuidado e principalmente à paciência que ela teve comigo, sem contar com o amor que continuo recebendo até hoje.

Acordei hoje me achando a pessoa mais feliz e mais sortuda do universo. Não é todo mundo que tem o privilégio de ter duas mães e eu pude receber esse amor redobrado. Não vejo a hora de poder começar a retribuir de algum jeito tudo que recebi dessas duas mulheres incríveis. Enquanto ainda não posso comprar presentes, envio apenas o meu amor, que também não é barato e não tem preço.

2 comentários:

  1. Eu também me considero criada por duas mães. Enquanto eu era pequena, passei muito tempo com a minha avó, sempre na casa dela. Depois fui crescendo, cheguei na adolescência e voltei a ficar mais tempo na casa da minha mãe mesmo. Beijos!

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