26.8.13

Da matéria

Enquanto vejo a minha “vida material” inteirinha se fechando em duas malas de vinte quilos cada, concluo sorrindo que o meu tesouro é mesmo outro, imensurável.

25.8.13

Contra o tempo

Eu deveria estar escrevendo todos os dias, registrando o subir e descer dessa montanha russa desgovernada que é a minha vida, mas não tem sido fácil. Tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, são tantas decisões a serem tomadas, é tanto carinho daqui e dali chegando como forma de incentivo! Quando penso em agradecer, nem sei por onde começar.

O destino, como sempre, continua jogando suas peças daquele jeito enigmático, mas tudo bem. Apesar do medo que sinto agora, preciso registrar que estou feliz com a nossa escolha. Meu único desejo para começar esse meu novo ano será ter saúde, serenidade e coragem para seguir caminhando. O resto se ajeita do jeito que der, se Deus quiser.

24.8.13

Midnight in Paris

A cada degrau que eu subia, era inevitável não me lembrar de mim mesma subindo outros degraus do edifício velho da Casa de Cultura da minha cidade. A cada lance a caminho da sala de aula, eu parava e observava aqueles quadros lindos, de lugares a milhares de quilômetros de mim. Eu parava, olhava e pensava se um dia eu chegaria ali. Naquele momento, com todas as circunstancias críticas em que a minha família se encontrava, era impossível. Era impossível, mas eu seguia em frente.

Dez anos depois, eu fiz questão de subir um a um aqueles degraus. A cada lance a caminho do alto, uma foto explicativa e histórica daquele monumento. Eu parava, lia e me transportava no tempo, para dez anos atrás. Olhava para o lado e mal conseguia entender onde eu estava. Olhava para o horizonte, para o céu bonito, tanta gente, tantas línguas, tantos nós pelo caminho, e eu ali.

Me emocionei muito e, como não poderia deixar de ser, chorei um pouco quando me dei alguns minutos sozinha, para contemplar aquilo tudo e lembrar do lugar onde eu vim. Pensei na minha família, nas minhas escolhas, lembrei da minha vida, da minha casa e a alegria se misturou com uma saudade quase insuportável. Desci muito feliz, cheia de coragem e decidida a acreditar mais em mim dali em diante.

Bebi vinho, fiz um piquenique à beira do Sena, me encantei no arco do triunfo, vi a cidade se iluminando, ouvi sinos e vozes angelicais em Notre Dame e Sacré Coeur, subi as ladeiras de Montmartre, visitei um querido ilustre no cemitério da cidade, vi o sol nascer e se pôr no horizonte, vi a chuva, vi tantos lugares e tantas coisas lindas e, para completar o clichê, fui pedida em casamento outra vez. O circuito turístico, no entanto, não é nada romântico, mas a magia está nos olhos de quem sonha e vê. :) 

14.8.13

Oh oh oh...


Well there's nothing to lose
And there's nothing to prove


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ps: A minha rádio mental está tocando essa música ininterruptamente durante as vinte e quarto horas dos últimos dias. É tipo o tema da minha vida nos últimos três anos. Não vejo a hora de chegar aos oitenta!  =) 

12.8.13

August

Há tempos eu venho aqui, olho para essa página em branco, ensaio algumas linhas e desisto de elaborar qualquer explicação para os dias que estamos vivendo. Como eu disse lá pelo twitter, eu ainda não sei onde era que eu estava com a cabeça quando eu escolhi viver essa adrenalina toda nessa encarnação. Minha vida passada deve ter sido mesmo um marasmo, um tédio total.

Agosto sempre foi e sempre será um mês de revisão e muita reflexão para mim. Estou a duas semanas de completar vinte e oito anos, como o tempo voa! Graças a Deus, eu já consigo olhar para o ano que passou com um sorriso nos olhos e com muito agradecimento. Eu arrisquei, eu tentei, eu sobrevivi e é isso que importa. Escolhas são escolhas e eu estou aprendendo a lidar com as minhas.

9.8.13

Dos apegos

Aos poucos eu me despeço da casa, das janelas, do jardim, das manhãs ensolaradas, dos esquilos e das pessoas. O verão também se despede de nós e os sinais do outono a cada dia ficam mais evidentes no ar e no verde da cidade. Já colhi as primeiras amoras num jardim qualquer a caminho de casa e o calafrio que percorreu o meu corpo quando senti o sabor azedo me fez relembrar os dias frios que vivi. Ainda tenho muitos dias frios para viver.

É engraçado sentir essa pontinha de tristeza quando dizemos até logo a pessoas que não conhecíamos meses atrás. Para nós, que estávamos completamente sozinhos até então, a convivência diária ajudou a preencher o vazio terrível que sentíamos aqui. Ontem tivemos mais um jantar de despedida e, até o final do mês, outros acontecerão.


Nós vamos guardar boas lembranças dos jantares, dos churrascos, das noites de violão, das histórias engraçadas e da companhia no dia a dia. Não me arrependo nada de ter arriscado vir morar aqui, mas reconheço que tivemos mesmo muita sorte de conhecer e poder conviver com pessoas responsáveis e legais. Daqui pra frente, cada um segue o seu rumo. O bom é saber que teremos várias casas para visitar e vários aniversários para comemorar por aí.

5.8.13

Flying saucers in the sky

Sobrevoávamos a Bélgica quando o piloto resolveu se comunicar conosco e pediu para que olhássemos a paisagem pela janela. O dia estava lindo, o voo perfeitamente tranquilo com nenhuma nuvem no céu, até que cruzamos o canal e o muro cor de chumbo surgiu. Foi estranho descer rápido na pista molhada, ser recepcionada pelas gotas da chuva e, de alguma forma, se sentir em casa. Estamos de volta.