24.8.13

Midnight in Paris

A cada degrau que eu subia, era inevitável não me lembrar de mim mesma subindo outros degraus do edifício velho da Casa de Cultura da minha cidade. A cada lance a caminho da sala de aula, eu parava e observava aqueles quadros lindos, de lugares a milhares de quilômetros de mim. Eu parava, olhava e pensava se um dia eu chegaria ali. Naquele momento, com todas as circunstancias críticas em que a minha família se encontrava, era impossível. Era impossível, mas eu seguia em frente.

Dez anos depois, eu fiz questão de subir um a um aqueles degraus. A cada lance a caminho do alto, uma foto explicativa e histórica daquele monumento. Eu parava, lia e me transportava no tempo, para dez anos atrás. Olhava para o lado e mal conseguia entender onde eu estava. Olhava para o horizonte, para o céu bonito, tanta gente, tantas línguas, tantos nós pelo caminho, e eu ali.

Me emocionei muito e, como não poderia deixar de ser, chorei um pouco quando me dei alguns minutos sozinha, para contemplar aquilo tudo e lembrar do lugar onde eu vim. Pensei na minha família, nas minhas escolhas, lembrei da minha vida, da minha casa e a alegria se misturou com uma saudade quase insuportável. Desci muito feliz, cheia de coragem e decidida a acreditar mais em mim dali em diante.

Bebi vinho, fiz um piquenique à beira do Sena, me encantei no arco do triunfo, vi a cidade se iluminando, ouvi sinos e vozes angelicais em Notre Dame e Sacré Coeur, subi as ladeiras de Montmartre, visitei um querido ilustre no cemitério da cidade, vi o sol nascer e se pôr no horizonte, vi a chuva, vi tantos lugares e tantas coisas lindas e, para completar o clichê, fui pedida em casamento outra vez. O circuito turístico, no entanto, não é nada romântico, mas a magia está nos olhos de quem sonha e vê. :) 

Um comentário:

Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)