30.9.13

Tempo Amarelo

Tanto tempo longe daqui que já nem sei mais se quem escreve sou mesmo eu. Nesse mês de ausência pouco aconteceu de muito extraordinário e nós temos vivido os dias sem muito ruído. Esse momento de redefinição das nossas rotinas traz ainda aquele sabor doce e amargo da novidade, mas confesso que acordar com a calma de um dia ainda um pouco vazio de compromissos tem lá as suas vantagens.

Da sacada eu escuto o barulho das folhas das árvores em movimento, vejo nuvens se desenhando e perdendo as suas formas de acordo com a velocidade do vento, tomo banho vermelho de pôr do sol enquanto crianças e cachorros correm pela calçada. Faça frio, faça sol, o playground está sempre colorido. Me pego pensando se eu teria sido uma criança feliz assim no frio – se é que isso é frio mesmo para quem tem tantos graus negativos no inverno – e tenho minhas dúvidas. A cada vento gelado no rosto, me convenço de que o suor é minha sina. Sinusite é o cão.

Eu, que nunca morei em prédio antes, acho engraçado esse negócio de elevador e oitavo andar. Small talk continua não sendo o meu forte e ficou pior ainda com meu quase inexistente alemão. Para todos os efeitos, somos um casal russo. Quando falamos em Brasil todos se surpreendem. Não temos ainda nenhuma experiência negativa para contar e até os caixas de supermercado tem sido, na maioria das vezes, bem simpáticos.

Nesses últimos dias vimos o calor se despedir e o outono chegar. Os parques começam a ganhar aquela atmosfera mágica e o chão amarelo avermelhado pede atenção. Uma distração e pronto, o escorregão é garantido. Ainda não caí dessa vez, mas nesse mesmíssimo dia, no ano passado, eu caí enquanto descia a ladeira mais movimentada da cidade e aprendi a lição. 

4 comentários:

  1. Gosto como você parece apreciar o que está em volta. É algo que eu ainda preciso aprender.

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    1. Aprender a olhar para o mundo é um exercício diário por aqui. :)
      Você consegue.
      <3

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  2. Vc fala alemão? Como tá conseguindo se virar aí?

    Kisu!

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    1. Bah, estou indo para um curso intensivo de segunda a sexta. São 3 horas diárias de nó na cabeça na sala de aula. :~~

      O primeiro mês foi bem mais complicado já que eu não conseguia falar nem o básico, mas como quase todos falam inglês por aqui não tive muito problema. Meu marido fala alemão fluentemente, então na hora do perrengue ele me socorria. Esse mês de "dependência" foi suficiente para que eu quisesse aprender a me virar o mais rápido possível. Não vejo a hora de andar tranquilamente com as minhas próprias pernas.

      Beijo!

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