25.11.13

Dos recados

Eu sinto sempre uma felicidade imensa quando presencio algum acontecimento bonito a minha volta. Ter tido o privilégio de transitar entre o mar e o sertão quando criança me ajudou a aprender a observar e a respeitar o ambiente. A troca da maré, o céu azul a espera da chuva tão aguardada no sertão, o curso do rio já seco ou transbordante de fartura, a fruta ainda verde no pé, lama de manga pelo chão, o pôr do sol de cada dia entre tantas outras coisas sempre fizeram parte do meu caminho e, de certa forma, são importantes para mim.

É engraçado pensar que nos meus momentos mais difíceis, em que eu buscava alguma direção, sempre recebi um recado bonito da natureza, pedindo para eu tivesse um pouco mais de paciência. Ela sempre deu um jeito de me mostrar que os ciclos, o renascimento, as perdas, todas essas coisas fazem parte. Então eu me acalmo, confio, tento fazer minha parte e espero. Ontem à tarde, ganhei um arco-íris duplo, completo e perfeito do céu. 

24.11.13

Dos abraços

E aí que o final de semana foi dela, minha querida, que ontem comemorou mais um ano de vida numa festa muito legal e cheia de pessoas super interessantes! Teve muita música, declaração de amor e ela lá toda elegante - e sapeca - dançando na pista. Foi bonito de ver tanta alegria! Obrigada pelo convite e pela oportunidade de fazer parte desse dia bonito também. <3

22.11.13

Dos vizinhos

Enquanto o som invade e cresce a cada nota dentro do apartamento, tento imaginar o rosto responsável pela execução dessa tal arte tão elaborada. Imaginei primeiramente uma senhora, que para preencher o tempo vazio dos seus dias, resolveu dar aulas. Imaginei também uma jovem, que encontrava no piano a alívio para as suas dores, fugas e amores. Também pode ser um jovem, um senhor, não sei.

Não conheço os vizinhos do apartamento acima. Sei apenas que eles fazem muito barulho, que eles têm uma criança hiperativa que, assim como toda e qualquer criança, não tem horário fixo para gritar, brincar e correr pela casa. Sei também que nesses últimos dias eles têm discutido bastante. No dia da última discussão mais acalorada, o piano tocou sem parar.

Hoje foi um dia cinza e frio aqui dentro, e eu resolvi entregar um pouco os pontos. Aproveitei que a chuva caia e soltei a represa da alma para aliviar um pouquinho esse peso das costas também. Senti que era necessário e que seria bom para que eu pudesse me renovar. O som do piano foi meu companheiro durante toda a tarde, do início ao fim, com direito a execução de algumas das minhas músicas favoritas.

A vida tem mesmo um jeito engraçado de fazer um agrado inesperado e carinhoso nesses meus dias tristes. Depois do choro solitário, um sorriso calmo  chegou para me fazer companhia. Acho que vou deixar um bilhetinho no hall, agradecendo aos vizinhos pela música boa de todos os dias.

21.11.13

Das provas

Quase trinta anos nas costas e ainda não aprendi a relaxar antes de uma prova. Se nessa semana eu praticamente não dormi, de ontem pra hoje foi que eu não consegui dormir mesmo. Uma e trinta da manhã e eu estressada com uma parte da gramática específica que sempre puxa o meu tapete. Cinco da manhã eu desisti de brigar com o sono, ou a falta dele. Sai do quarto sem fazer barulho, fiz uma jarra de café e fiquei apreciando a noite querer virar dia pela janela.

Enquanto folheava o caderno, pensei na vida e nas escolhas malucas que a gente faz de vez em quando. Resolvi assumir para mim mesma que a prova não passava mesmo era de um bode expiatório e que a preocupação real tem nome e sobrenome bem diferentes do que estava querendo chamar a minha atenção naquele momento. Confusões gramaticais não são nada se comparadas com as charadas que o destino coloca pela frente.

O resultado sai na segunda-feira e eu acho que não fui tão bem quanto deveria ter sido, mas vai dar para passar de nível. Sendo assim, está tudo bem. O que seria mesmo a vida se não fossem os nossos erros e acertos? Eu e essa mania besta de me preocupar demais com as coisas e exigir demais de mim. Espero que um dia isso também passe. 

15.11.13

Dos diálogos matinais


[Eu tenho aquele clássico defeito de fabricação na hora de contar histórias engraçadas. Nunca aparenta ser do jeito engraçado que foi, mas fica aqui o registro para um futuro. É sempre bom poder relembrar.]


- Bom dia e meus pêsames.
- Meus pêsames.
- São quantos meses agora? Sete, oito..?
- Acho que são seis.
- Isso mesmo, nove anos e seis meses. E Ano que vem? Qual é a boda para dez anos?
- Não sei, me dá o telefone que eu descubro em um segundo.

(...)

- Aqui diz que é “Bodas de Estanho e/ou Zinco”.
- Sério, que chato..
- E como é que vai ser isso? Como é que você vai me dar um presente de estanho ou zinco?
- Humm.. Já sei! Te dou um Centrum* e fica tudo resolvido. Lá tem estanho, ferro, mais uma porrada de coisa e o tal do zinco! :D
- Palhaço.
- <3



*Esse post não é um publieditorial – meu sonho era um dia escrever isso aqui. HAHAHAHAHA =P

14.11.13

Das novelas

Tem um moço de uns quarenta e poucos anos na turma de alemão que não é muito normal, mesmo. Ele tem um comportamento muito bizarro e todos os dias ele chega contando uma história esquisita sobre alguma coisa surreal que aconteceu com ele. A cada dia que passava, ele ia revelando um pouco da sua história e nós, de certa forma, tentávamos continuar agindo com a maior naturalidade possível. Nós já estávamos convencidos de que muitas das histórias eram frutos de um trauma de guerra, já que ele vem de um desses países que recentemente esteve em conflito.

Um belo dia, quando a gente pensava que já tinha escutado de tudo, ele revelou para a professora, em frente a todos na sala de aula, que a esposa dele não permitia que ele falasse ou tivesse contato com mais ninguém além dela. Mil e uma maluquices e constrangimentos depois, ele chegou hoje com a esposa a tira colo. Ninguém entendeu nada e a professora saiu da sala para conversar com eles. Minutos depois todos voltaram para a sala e o clima ficou desconfortável durante muito tempo.

Ela, a esposa, não falou com ninguém. Entrou e saiu de cabeça baixa na sala, sempre seguindo os passos dele com o olhar. O detalhe é que ela é alemã, e fala alemão obviamente, mas parece que vai continuar indo para a aula nos próximos meses. As pessoas são capazes de fazer coisas muito engraçadas “por amor”. Se nós ainda estamos no A2, imagina só o T-É-D-I-O que essa moça vai sentir diariamente nos próximos meses.. Coitada.


--
ps: Acho que ficou bem claro que nós nos deparamos com duas pessoas que precisam urgentemente de acompanhamento psicológico. Não sei ainda se a escola vai interferir de alguma maneira nesse assunto, aliás, nem sei se a escola “pode”. Nesse mundo maluco de hoje, tem que ter muito jogo de cintura para lidar com essa loucura comumente confundida com amor.

13.11.13

Recordações

Agora a pouco foi que me dei conta que já é novembro. Pensei em tudo que já aconteceu nesse ano e senti logo um frio na barriga. Revendo as muitas fotos que tirei desses meus dias, e que não publiquei em lugar nenhum, consegui reviver cada segundo, cada olhar pela janela, cada movimento que me fez captar o raio de sol que me acompanhava, cada brinde, cada acorde de violão, cada passo e também cada dia de coração apertado. Foram três mudanças de endereço e mais uma de país. Foi um ano de muitos abraços e muitas despedidas. Foi com certeza o ano mais L O U C O que eu já vivi. 

12.11.13

Pois é

Quanto mais me procuro, me perco e me desespero. Quando a vida está assim de ponta cabeça, cada passo exige o triplo de força, perseverança e equilíbrio. A dúvida é companheira constante no caminho. Em meio a perguntas sem respostas, em vão, pergunto um “e agora?” para José.

10.11.13

Midnight in Berlin

Noite fria e de céu estrelado, de museus vazios de pessoas e cheios de música. É incrível a magia que a noite proporciona a um lugar qualquer. Encontrei minha “quase cerveja” favorita, encerrei a noite com tequila e descobri que consigo falar alemão fluentemente na mesa do bar. Resumindo, foi divertido.



7.11.13

Cantos de Outono

Como uma criança irresponsável e descompromissada, mais uma vez engano a mim mesma e, sem querer querendo, esqueço de fazer o dever de casa. No fundo eu sei que a tarefa é outra, bem mais complexa, o que me dá um frio na espinha e um nó na cabeça só de pensar. Pego a caneta, encaro a folha em branco do caderno e o exercício se mostra ainda sem solução. A resposta é o grito! L i b e r d a d e, isso sim.

Preciso voar. 

4.11.13

Dos quereres

Nesse momento: querendo encontrar uma escada de degraus infinitos para chegar ao céu e colorir esse cinza escuro tão triste de luz.

1.11.13

Leve

A gente espera, não sei por que, a gente espera e continua esperando que algo aconteça para providências básicas sejam tomadas. O que é que está faltando para você mudar, se livrar de algo que tanto incomoda? Por que é que a gente sempre deixa para depois, para a segunda-feira que vem? Por que não começar hoje?

Aproveita que é dia primeiro, aproveita que agora é novembro! Eu já tenho uma listinha de coisas bobas e minhas para mudar e já quero mudar hoje. Quero tirar das minhas costas todo esse peso de mundo. Em novembro eu quero ser pluma, mais leve, em todos os sentidos. 


(...)
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.

Que em mim amadurece...