31.12.13

Dos novos dias

2013 também sai pela porta da frente, com todas as honras e agradecimentos que merece. Cumpriu a rísca o seu papel e me trouxe vários momentos únicos nos quais eu pude reencontrar, exercitar e renovar a minha fé em Deus, em mim e também nas pessoas. Foi difícil, é claro, mas foi incrivelmente bonito e feliz. 2014 já pode entrar nas nossas casas e nas nossas vidas trazendo acima de tudo saúde, física e mental, que é o combustível essencial para a realização dos nossos sonhos.

Um ano novo feliz e cheio de saúde para todos nós.

28.12.13

Das vontades

Eu - que cresci brincando de confeitar bolos de aniversário para bonecas, que passava as tardes enrolada em linhas, rendas e guipires, que costurava miniaturas malfeitas de vestidos coloridos, que construia as minhas casinhas imaginárias sempre perto da roseira – reneguei e evitei muitas coisas durante muito tempo.

Numa casa onde todos cozinham bem, era com orgulho que eu afirmava por aí que não sabia cozinhar. Com uma avó artesã de talento incrível, nunca persisti no aprendizado da linguagem das agulhas. Com tantas tias costureiras, nunca me interessei por aprender a comandar as máquinas mágicas e barulhentas.

Enquanto molho as muitas plantas dessa casa, me vejo em frente a roseira tão bonita da minha infância outra vez e sinto nascer em mim o desejo de aprender todas essas coisas que um dia eu deixei para lá. Já venho me aventurando na cozinha e tem dado certo, mas confesso que o meu objetivo é aprender muito mais. 

Talvez eu não consiga realizar tudo isso já em 2014, mas eu quero em poucos anos poder já cozinhar melhor os meus pratos favoritos, conseguir fazer pelo menos algo da arte da minha vó e ser capaz de costurar os meus vestidos mais simples, nem que seja daqueles fresquinhos para usar em casa. Ando super animada, mas vamos ver se eu consigo. ;)

26.12.13

Dos presentes

Para completo terror e desespero das nossas mães, independentemente de conversarmos diariamente por horas seguidas no colégio, era comum passarmos uma hora ou mais ao telefone, comentando os acontecimentos incríveis ou não dos nossos dias. É muito engraçado pensar nessa vida sem internet, sem rede social para estreitar laços quase inexistentes na realidade. A impressão que eu tenho é de que as relações eram poucas, mas eram todas de verdade.

O telefone está presente em todos os bolsos, mas ouvir tornou-se tão obsoleto. Eu mesma me limitei a falar somente com minha família e essa distância toda faz com que cada vez que eu escute o som da voz de cada um seja quase um presente para mim. Que loucura é lembrar que falar era algo natural. Aos poucos tenho voltado a ouvir vozes amigas e confesso que isso tem me feito muito bem.

Ontem me dei de presente uma ligação demorada para essa mesma amiga de tantos anos e foi engraçado perceber que o tempo não passou em muitos aspectos. Foi muito bom reviver, mesmo que por poucos minutos, a experiência do momento da conversa, da voz, das risadas e dos tantos assuntos inacabados. A sensação que eu tive ontem ao ter essa conversa só reforçou a ideia de meta que eu tinha para o próximo ano, que é estar mais presente, de verdade.

Estou reaprendendo a me entregar ao café da manhã sem notícias, ao momento de reflexão sem barulho externo, à conversa sem smartphone sobre a mesa, a desatualização necessária, ao tempo que cada coisa pede. Eu preciso aprender a viver a experiência do momento, sem pensar nos passos de amanhã ou do próximo mês. Em 2014 eu quero estar mais presente na minha vida e na vida das pessoas que são importantes para mim, pessoal ou virtualmente. Não existem barreiras geográficas para quem está disposto a estar.

20.12.13

Das últimas páginas

Quando me lembro dos nossos dias no iglu, sinto o frio percorrer a espinha e fazer cócegas na minha barriga. No ano passado, os dias de dezembro foram frios e solitários, apesar da rotina lotada de muito trabalho e da experiência incrível de viver no coração da cidade. Naqueles longos seis meses de inverno, repetíamos diariamente que se arrependimento matasse, nós estaríamos a sete palmos do chão.

É engraçado relembrar todos os acontecimentos, os motivos que nos levaram a tomar determinadas decisões e a consequência que esses atos trouxeram para a nossa vida hoje. No iglu eu comecei a alimentar novamente os nossos planos de voltar para cá. Foi lá também que eu tive a mais sábia decisão das nossas vidas, de procurar uma casa compartilhada para viver os nossos últimos dias no reinado. Coincidentemente, encontrei aquele anúncio que acabara de ser publicado, entrei em contato e em uma semana estávamos com um contrato assinado em nossas mãos. Tivemos medo, mas nós já estávamos mesmo tão sofridos e calejados que, sinceramente, eu queria mesmo era ver no que aquilo ia dar.

Acho que nunca vou esquecer o que senti quando entrei naquela casa iluminada pelo sol da tarde, quando vi aquelas janelas imensas, as paredes brancas, o nosso quarto minúsculo e o jardim cheio de árvores. Foram dias bons, apesar dos seus momentos difíceis. Foram dias de muita música, de muita comida, de risadas, de amigos. No nosso último jantar, foi feito o brinde mais bonito, dedicado “àqueles que fizeram de uma casa, um lar”.

Saímos daquela casa com as mesmas malas que carregávamos quando saímos para a nossa nova vida. Descemos as ladeiras da cidade pela última vez enquanto eu chorava um choro alegre, triste e confuso de felicidade. Chorei como choro agora, de agradecimento, por tudo que vi, vivi e aprendi enquanto tive a oportunidade de estar naquela cidade. Fez um sol tão bonito enquanto deixávamos os muros coloridos para trás. Espero voltar um dia, para visitar os amigos e os lugares que aprendi a amar.

A aventura pegou a estrada e tomou novo rumo, mudou de endereço, continua me desafiando diariamente e me deixando de cabelo em pé. Apesar das incertezas, não tenho medo. Sigo tentando, fazendo o que posso, agradecendo por cada oportunidade e tentando ser melhor para mim e para aqueles que, de um jeito ou de outro, se importam.

Ainda não consegui finalizar o tal balanço geral sobre as metas pequenininhas do ano que termina, mas é notável que o saldo é bastante positivo. Enquanto eu escrevia as minhas metas no nosso iglu, nem imaginava a quantidade de coisas que eu ainda estaria por viver.  E como foi bom. Foi bom perder o medo, trabalhar bastante, sair da zona de conforto, conhecer pessoas novas, realizar sonhos, mudar de ideia, abrir mão de certezas, aprender com os meus erros, aceitar as minhas fraquezas, tentar trabalhar os meus defeitos, alimentar minha esperança e, principalmente, reencontrar a minha fé. 

17.12.13

Déjà vu

As manhãs de dezembro são de uma beleza fria e quietude únicas que fazem um barulho danado no peito. Caminho pela casa enquanto escuto o silêncio de fora e tento compreender o chamado de dentro. Leva tempo, eu sei, nada vem de imediato. Agradeço pelo novo dia, pela cama e pelo alimento do corpo e da alma. Agradeço, mas continuo pedindo e permaneço sempre em dívida. Então o dia acorda, os carros correm, a vida provoca e ensina. Daqui a pouco é vinte e quatro, depois de amanhã os dias terminarão em quartorze. Mas hoje não, o hoje é agora. Um dia de cada vez.

15.12.13

Uma vida, duas malas

Casa, carro, consumo e contas a perder de vista nunca foram tópicos muito presentes nos nossos planos de vida e também nunca trouxeram para nós o significado de felicidade. O estilo de vida minimalista já fazia parte dos nossos dias mesmo antes de termos a oportunidade de conhecer e vivenciar conscientemente essa escolha. As vantagens e o aprendizado que uma vida mais simples proporciona são inúmeros e realização de sonhos parece ser a mais incrível delas.

Ter a vida em duas malas não é tão fácil quanto parece. Requer ponderação, autoconhecimento e principalmente aceitação. Tenho lido bastante a respeito dessa escolha, de viver uma mais simples, e me alegro quando percebo que venho fazendo parte desse movimento, de alguma forma, mesmo sem perceber ou querer.

Esse blog nasceu no início da concepção dessa aventura, no momento do sonho e da dúvida, na hora do questionamento e de todas as incertezas. Desde então eu escrevo sobre os meus dias, sobre os meus medos, sobre as minhas pequenas vitórias e desafios diários. O meu objetivo era criar algo bem simples: as imagens seriam as palavras, a fotografia seria a descrição e a interpretação da coisa toda sempre dependeria dos olhos de quem lê.

Apesar do ideal minimalista de vida, cheguei a conclusão que esse blog se alimenta mesmo é de excessos. Emoções não se definem em poucas palavras, devaneios e experiências também não. Felizmente nesse espaço eu não preciso me preocupar com o excesso em si e com o peso. Parece loucura, mas eu carrego a minha vida em duas malas e em um blog. Literalmente.

14.12.13

Jobseeker

Eu fico o tempo inteiro me questionando sobre o que eu realmente posso e quero fazer profissionalmente. Vale mesmo a pena se especializar cada vez mais e, assim, fechar um leque de possibilidades de atuação? Quais das minhas habilidades, adquiridas além da minha formação e experiência profissional, podem me ajudar a encontrar um emprego na minha área ou em um outro setor totalmente distinto? No final das contas será sempre um papel o fator decisivo para atestar as minhas capacidades?

Existe nesse mundo alguma instituição autorizada para comprovar e certificar a minha coragem?

Admiro muito essas pessoas que conseguem contornar os momentos de crise com criatividade e fazem disso uma porta aberta para novas oportunidades ou até mesmo uma nova profissão. Eu tenho coragem – que não é tudo, mas diz muita coisa – e força de vontade, mas viver tanto tempo nesse limbo de possibilidades, onde se pode fazer quase tudo ou quase nada, tem me deixado um pouco confusa e sem chão.


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ps: Calma, esse post não é uma reclamação. É apenas uma pequena reflexão sobre caminhos, escolhas e saídas possíveis para momentos incertos na vida profissional. :)


13.12.13

Das epifanias

Palavras retratos relatam meus dias. Elas são imagens, paisagens, sentimento e coração.  

5.12.13

Enquanto engoma a calça

Piano invadindo a casa agora. Chuva e anoitecer pela janela. Menos dois lá fora, mas estou de short e camiseta aqui dentro, então está tudo bem.
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Uma dor de cabeça a menos: recebi permissão para trabalhar.
Uma preocupação a mais: preciso arrumar um emprego. Agora lascou. 
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Durmo e acordo buscando formas para me reinventar, me redescobrir. Já reclamei antes da minha falta de talento para quase tudo. Precisava mesmo era de uma orientação, um “faça isso, você é capaz”, mas o teto do quarto ainda não aprendeu a falar. Como não tenho tempo a perder, digo para mim mesma que sou capaz e dou a minha cara a tapa, mesmo sabendo que irá doer.
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Vejo amigos sendo promovidos, comprando imóveis e automóveis, tendo seus filhos e me pergunto se eu deveria mesmo estar por aqui, vivendo essa vida maluca. Mal finalizo a pergunta e já respondo a mim mesma que se eu não tivesse jogado “tudo” para o alto aos vinte e cinco, aos trinta eu teria enlouquecido e deixado milhares de prestações para a minha pobre família pagar. Estou feliz nesse caminho, com orgulho da minha coragem de ter arriscado e vivido tudo isso agora. E no futuro?
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Do futuro, só Deus sabe. E a vida é que tem razão.

2.12.13

Dos rodopios

Me convidou para dançar mesmo confessando não saber direito os passos e a direção a seguir. Aceitei. Rodopiei. Sorri e suei. Dançamos e nos divertimos sem que ninguém soubesse, olhasse ou percebesse e foi muito bom. A vida é isso. É saber aproveitar uma tarde fria e chuvosa de outono lá fora de uma maneira pulsante, quente, alegre e dançante, mesmo sem saber para que lado girar. É abrir a cabeça, se desvencilhar de velhos preconceitos e arrastar o pés de acordo com cada canção-desejo-coragem-coração.