20.12.13

Das últimas páginas

Quando me lembro dos nossos dias no iglu, sinto o frio percorrer a espinha e fazer cócegas na minha barriga. No ano passado, os dias de dezembro foram frios e solitários, apesar da rotina lotada de muito trabalho e da experiência incrível de viver no coração da cidade. Naqueles longos seis meses de inverno, repetíamos diariamente que se arrependimento matasse, nós estaríamos a sete palmos do chão.

É engraçado relembrar todos os acontecimentos, os motivos que nos levaram a tomar determinadas decisões e a consequência que esses atos trouxeram para a nossa vida hoje. No iglu eu comecei a alimentar novamente os nossos planos de voltar para cá. Foi lá também que eu tive a mais sábia decisão das nossas vidas, de procurar uma casa compartilhada para viver os nossos últimos dias no reinado. Coincidentemente, encontrei aquele anúncio que acabara de ser publicado, entrei em contato e em uma semana estávamos com um contrato assinado em nossas mãos. Tivemos medo, mas nós já estávamos mesmo tão sofridos e calejados que, sinceramente, eu queria mesmo era ver no que aquilo ia dar.

Acho que nunca vou esquecer o que senti quando entrei naquela casa iluminada pelo sol da tarde, quando vi aquelas janelas imensas, as paredes brancas, o nosso quarto minúsculo e o jardim cheio de árvores. Foram dias bons, apesar dos seus momentos difíceis. Foram dias de muita música, de muita comida, de risadas, de amigos. No nosso último jantar, foi feito o brinde mais bonito, dedicado “àqueles que fizeram de uma casa, um lar”.

Saímos daquela casa com as mesmas malas que carregávamos quando saímos para a nossa nova vida. Descemos as ladeiras da cidade pela última vez enquanto eu chorava um choro alegre, triste e confuso de felicidade. Chorei como choro agora, de agradecimento, por tudo que vi, vivi e aprendi enquanto tive a oportunidade de estar naquela cidade. Fez um sol tão bonito enquanto deixávamos os muros coloridos para trás. Espero voltar um dia, para visitar os amigos e os lugares que aprendi a amar.

A aventura pegou a estrada e tomou novo rumo, mudou de endereço, continua me desafiando diariamente e me deixando de cabelo em pé. Apesar das incertezas, não tenho medo. Sigo tentando, fazendo o que posso, agradecendo por cada oportunidade e tentando ser melhor para mim e para aqueles que, de um jeito ou de outro, se importam.

Ainda não consegui finalizar o tal balanço geral sobre as metas pequenininhas do ano que termina, mas é notável que o saldo é bastante positivo. Enquanto eu escrevia as minhas metas no nosso iglu, nem imaginava a quantidade de coisas que eu ainda estaria por viver.  E como foi bom. Foi bom perder o medo, trabalhar bastante, sair da zona de conforto, conhecer pessoas novas, realizar sonhos, mudar de ideia, abrir mão de certezas, aprender com os meus erros, aceitar as minhas fraquezas, tentar trabalhar os meus defeitos, alimentar minha esperança e, principalmente, reencontrar a minha fé. 

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