26.12.13

Dos presentes

Para completo terror e desespero das nossas mães, independentemente de conversarmos diariamente por horas seguidas no colégio, era comum passarmos uma hora ou mais ao telefone, comentando os acontecimentos incríveis ou não dos nossos dias. É muito engraçado pensar nessa vida sem internet, sem rede social para estreitar laços quase inexistentes na realidade. A impressão que eu tenho é de que as relações eram poucas, mas eram todas de verdade.

O telefone está presente em todos os bolsos, mas ouvir tornou-se tão obsoleto. Eu mesma me limitei a falar somente com minha família e essa distância toda faz com que cada vez que eu escute o som da voz de cada um seja quase um presente para mim. Que loucura é lembrar que falar era algo natural. Aos poucos tenho voltado a ouvir vozes amigas e confesso que isso tem me feito muito bem.

Ontem me dei de presente uma ligação demorada para essa mesma amiga de tantos anos e foi engraçado perceber que o tempo não passou em muitos aspectos. Foi muito bom reviver, mesmo que por poucos minutos, a experiência do momento da conversa, da voz, das risadas e dos tantos assuntos inacabados. A sensação que eu tive ontem ao ter essa conversa só reforçou a ideia de meta que eu tinha para o próximo ano, que é estar mais presente, de verdade.

Estou reaprendendo a me entregar ao café da manhã sem notícias, ao momento de reflexão sem barulho externo, à conversa sem smartphone sobre a mesa, a desatualização necessária, ao tempo que cada coisa pede. Eu preciso aprender a viver a experiência do momento, sem pensar nos passos de amanhã ou do próximo mês. Em 2014 eu quero estar mais presente na minha vida e na vida das pessoas que são importantes para mim, pessoal ou virtualmente. Não existem barreiras geográficas para quem está disposto a estar.

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