8.12.14

Das estradas

A impressão que tenho é de que vivo em um universo paralelo, dormindo e acordando entre lembranças e realidades. Tem sido muito bom estar por aqui agora, principalmente nesses dias tão quentes. Sou mil vezes sol, mil vezes azul e tenho me mantido fiel a minha promessa de não reclamar desse calor maravilhoso. Enquanto houver ventilador, estarei sorrindo.

Passamos uma semana em João Pessoa e fui muito bem acolhida. Praias lindas, pessoas gentis e dias de sol com chuva rápida para refrescar as ruas. Fomos até ao festival de cinema e gastronomia em Baia Formosa, no Rio Grande do Norte. Gostei bastante de todos os passeios e quero voltar mais vezes para conhecer cada pedaço desse litoral incrível do Nordeste.

No dia que estava marcado para voltarmos para Fortaleza, decidimos assim do nada mudar a data e ficar mais um tempo em João Pessoa. A noite o ônibus em que voltariamos se envolveu em um grave acidente e, pela localização da nossa poltrona, teríamos nos machucado bastante. Nossos anjos não descansam mesmo nem um só minuto.

Tem também muitas outras coisas acontecendo, tantas, que tem sido difícil parar para processar todas as emoções e medos, mas isso é história para outro post. Queria só deixar registrado aqui que apesar da bagunça das malas ainda desfeitas e das emocões embrulhadas, estou feliz por estar ao lado das pessoas mais importantes da minha vida outra vez.

21.11.14

Dos saltos

Tenho me tornado uma especialista na arte de saltar e cair de paraquedas na vida. É sempre uma emoção, são sempre tantos riscos. Apesar de todo o medo, embarco com a mochila nas costas, respiro fundo e me jogo mesmo assim. Enquanto houver paraquedas e anjos, vou saltando.

17.11.14

Dos verdes mares

Chegamos e que coisa bonita foi poder finalmente reencontrar e abracar tanta gente importante e querida. Fomos banhados com muitas lágrimas de alegria, com muitos sorrisos e com muito carinho. Amanhecer lá e anoitecer aqui é uma experiência tão engraçada, parece um sonho, uma viagem no tempo.

Os dias aqui tem sido de muito sol, muito calor e eu confesso que esse tempo fora foi suficiente para me deixar desacostumada com o verão eterno dessa cidade. Tem sido estranho caminhar pelas ruas e perceber que quase nada mudou, quando tudo parece ter mesmo é saído definitivamente do lugar. Não me encontro mais nos lugares que um dia vivi.

Uma das melhores coisas de estar aqui nesse momento é poder ver e ajudar de pertinho no trabalho das mãos enrrugadas que me fizeram crescer e ser quem sou hoje. O tempero ingualável, o sabor inesquecível, as guloseimas mais gostosas do universo. Nem sei ainda quantos quilos engordei, mas acho que estou indo bem.

Tem sido bom também sentir o cheiro do café, de ver a tapioca branquinha sendo feita com tanto amor na casa da minha avó. Tenho ido para lá quase todas as tardes, esse é o compromisso mais importante que tenho por aqui. As plantas tão bem cuidadas no quintal, as flores delicadas nos vasinhos, o vento bom que invade a casa perto das cinco horas. Por alguns momentos, sou criança outra vez.



5.11.14

Das notícias

Eu planejava ter escrito tantas coisas, mas não tive tempo. Quem diria que o nosso reencontro finalmente aconteceria após 3 anos, 225 dias e 21 horas. Nesse exato momento, espero estar envolta em todos os abraços e sorrisos do mundo. Essas são, definitivamente, as férias mais esperadas das nossas vidas. 

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ps: Berlim, daqui a pouco eu volto!!!

30.10.14

10 coisas para fazer antes dos 30 anos

Há tempos venho pensando em participar também de um desses desafios que sempre vejo pelos blogs que leio. Aproveitando o fato de que em exatamente 300 dias completarei 30 anos, elaborei essa listinha com alguns objetivos. Será que ainda dá tempo de realizar isso tudo? Espero que sim!

Tudo bem que alguns itens envolvem basicamente a mudança de alguns hábitos terríveis que eu preciso deixar de lado o mais rápido possível, como o caso do consumo de açúcar. Mas né, vai que o desafio me ajuda a chegar lá um pouco melhor e mais saudável. Então, antes dos trinta eu quero:

- Fazer exercícios regularmente;
- Fazer mais um curso na minha área;
- Fazer uma viagem para comemorar o nosso aniversário juntos;
- Mudar os meus maus hábitos alimentares e eliminar o consumo de açúcar branco;
- Ser mais sociável;
- Ter o hábito de acordar cedo;
- Visitar minha família;
- Voltar a atuar na minha área, de alguma forma;
- Voltar a estudar inglês e alemão;
- Voltar a estudar música - nem que seja para praticar uma vez por semana;



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ps: Tenho praticamente apenas 10 meses, então vamos ser realistas, né? Sem essa de comprar uma casa ou escalar o Himalaia. Se eu conseguir trazer para a minha rotina pelo menos metade dos itens que listei, já está ótimo! =P

ps2: Escrevi esse post há uns três meses e o deixei programado para hoje. Não é que daqui a pouquinho já vou poder riscar um desses itens!  Demorou, mas chegou a hora. Após quase quatro anos de skype, vou finalmente matar as saudades da minha família. <3 <3 <3

28.10.14

Dos clichês

Por mais que eu me estresse e perca algumas muitas noites de sono, carrego comigo a certeza de que tudo sempre acaba bem. Até mesmo os pequenos sustos e atropelos do caminho servem mesmo é para nos levar ao local certo, na hora certa. Tem sido assim desde sempre, uma sequência interminável de aperreios e também de muitas portas e janelas escancaradas onde menos esperamos. 

O resultado disso tudo é uma bagagem cada vez mais leve de pertences, uma alma mais carregada de gratidão e mais algumas histórias malucas no bolso para contar aos amigos no próximo destino. Dá medo sim tomar decisões e a gente sofre e ri chorando de desespero e de nervoso, a beira do precipício do inesperado. Mas, se me pergutam se me arrependo de algum dos meus passos, respondo sorrindo bem alto que não.

23.10.14

Da beleza

Não me recordo de já ter visto na minha vida um outono tão bonito quanto este, não mesmo. Talvez seja pela natureza presente nos pequenos e grandes detalhes, nos parques e nas varandas dos prédios, nas ruas e nas folhas amareladas que se acumulam pelas calçadas. Vou sorrindo e guardando na memória as esquinas, as curvas, as fachadas, a chuva de folhas secas e o muro avermelhado. 

22.10.14

Dos ciclos

Meu último dia de trabalho foi bem mais tranquilo do que eu esperava. Ganhei flores da minha gerente tão querida, o famoso cartão de despedida assinado por todos, abraços de quem importava e um último jantar com as minhas companheiras de tantos dias.

Não chorei no escritório mas, obviamente, chorei de rir depois de dois copos de vinho. Chorei de verdade sozinha no trem, quando voltava para casa. Finalizar um ciclo assim em uma terça-feira foi estranho, mas foi leve e bom.

Dormi bem, coisa que há meses não conseguia, e acordei com a sensação de missão cumprida. Agora é descansar o juízo, colocar as roupas de verão na mala, finalizar algumas pendências burocráticas e bater asas. Nesse ano, não teremos inverno.

12.10.14

Month of Sundays

Venho tentando árduamente, mas não consigo tirar essa música da cabeça. Outubro é, definitivamente, um mês de domingos.

[...]
I see we're similar but I can't take it all from you unless you want me to
I'll take you away from this old horrible town

And just maybe one day we'll want to come back and walk these streets
Play buzz-a-bell and run. We'd skip and laugh. I'll hold her hand..



3.10.14

Dos outonos

Outubro chegou como um furacão desgovernado nas nossas vidas. Teto, chão, alma, está tudo revirado. São os novos e velhos ventos e redemoinhos, mudanças, folhas por todos os lados. Tem também o medo do novo, do desconhecido, do ainda tortuoso e sombrio caminho, do beco mal iluminado, da rua sem saída. Quero agora caminhar pela via principal, seja onde for. Chega de buscar vias alternativas.

Eu me conheço bem e já sabia que seria necessária uma intervenção do destino nas nossas vidas, para que pudéssemos seguir construindo a nossa história. E ela chegou, no momento mais decisivo, na mudança de estação, na curva de uma escolha. Não estou triste, muito pelo contrário, sinto como se uma tonelada fosse retirada dos meus ombros. Como os ciclos que vem e que vão, chegou a hora de seguir.


28.9.14

Dos filmes

Sobre o Praia do Futuro apenas um comentário: que filme lindo. Eu também achava que não conseguiria viver tanto tempo longe, mas a gente descobre a liberdade e aprende rápido. Então nasce a dúvida, a falta de coragem de decidir entre criar raiz e o constante bater de asas.

Foi bonito de ver também as paisagens de lá e daqui. O mar onde nascemos, a metrópole onde escolhemos viver, o sol escaldante de lá, o frio insuportável daqui, o sotaque tão familiar na voz do menino inocente, o idioma tão distante, tanto a se pensar e ver.



23.9.14

Das urgências

Coração na boca e a cabeça a mil, que grande novidade. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tantas, que ainda é terça-feira e a única vontade que eu tenho é de que essa semana acabe o mais rápido possível. Rápido, logo, urgentemente.

O reflexo disso tudo é uma pessoa cansada só de pensar que amanhã é ainda é quarta-feira e com a certeza de que não me resta sanidade mental para lidar com mais três dias iguais a hoje. Mas, tudo bem. Um dia de cada vez e, quem sabe, vai que amanhã o destino decide por mim.

20.9.14

Dos silêncios

Gosto muito dos sons e silêncios das ruas. Durante o dia, são risadas e latidos pelas calçadas, passarinhos inquietos pelas árvores, competindo espaço com as buzinas de bicicletas. Raras são as dos carros e as dos bondes, mas elas existem também e são sempre acompanhadas por um pulo de susto por quem caminha na distração.

Na noite é o silêncio, ruas vazias. Carros esporádicos aguardando o sinal verde enquanto o bonde faz a curva. Depois é a chuva e no céu explodem os fogos de artifício ou o barulho do trovão. Vez ou outra são cantigas ébrias em vozes exaltadas, o grito de guerra ecoando pela noite, sem medo da solidão.

Aqui dentro, somos nós. Você e seus vídeos, aulas, documentários prediletos rodando no computador enquanto você prepara o nosso jantar. Sou eu percorrendo os cômodos da casa, checando as janelas, colocando água nas plantas com a garrafa de vinho de sempre. São os diálogos, os monólogos, os silêncios, o boa noite, o eu te amo e a paz.

18.9.14

Das dúvidas

Desde que o gReader se aposentou, passei a ler os blogs que eu sigo através do Feedly. Para mim, sempre foi muito mais prático encontrar todo mundo que eu gosto reunido na mesma aba, sem a necessidade de sair abrindo link por link para saber o que andava acontecendo nos meus blogs favoritos.

Acontece que muita gente deixou de escrever de uns tempos para cá e, por conta disso, achei natural deixar de ler algumas pessoas com mais frequência. Somente ontem à noite notei que há um bom tempo não recebia mais o feed de alguns blogs que continuam bem ativos.

Estou percorrendo a lista e visitando todo mundo aos pouquinhos, para checar se vocês estão de férias mesmo ou se foi realmente algum problema na minha conta. Também vou adicionar todo mundo no Bloglovin, assim não tem escapatória!


Alguém mais com esse problema?

16.9.14

Dos enganos

A semana tem sido bonita até então e no horizonte não existe vestígio da névoa preguiçosa que abraçou a cidade no último final de semana e que deixou em mim aquela pontinha de tristeza ao constatar que, aparentemente, o verão havia nos deixado de uma vez por todas nesse ano.

Foi com muita alegria que eu, que no domingo já havia guardado as minhas roupas mais leves na última gaveta para dar lugar às roupas quentinhas que me farão companhia nos próximos meses, revirei os itens guardados para escolher o que usar hoje.

Quando abri as cortinas do quarto e me deparei com aquele céu azul na segunda, meu coração se encheu de alegria com o maravilhoso engano. Terça-feira e o tempo continua ameno, com grandes chances de permanecer desse jeito até domingo. Nem que seja pela última vez nesse ano, ainda é verão em setembro.


14.9.14

Dos domingos

Por esses lados, parece que a inspiração fez as malas e foi embora de vez. Comentei outro dia que esse blog atualmente é quase uma variação mal escrita e desatualizada de um site de previsão do tempo de procedência duvidosa, ou de um elevador qualquer. É um tal de chove, faz calor e está frio lá fora que já beira o desnecessário. Tudo isso para evitar o silêncio desconfortável nas entranhas desse cubículo de internet.

A verdade é que ultimamente está difícil ser escritora de diários. Nem sempre a vida quer ou pode ser registrada com os seus muitos detalhes e por conta disso, post novo que é bom, fica no rascunho ou pela metade. Algumas coisinhas pequenas são melhores ditas através de imagens enquanto outras não valem o esforço de serem compartilhadas, enfim. Isso tudo deve ser consequência da minha rotina real: sem glamour, sem filtro e sem posts patrocinados.

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ps: Se alguém quiser me indicar um disparate para responder ou tiver alguma outra sugestão, estamos aí para [tentar] escrever. =P

6.9.14

Dos suspiros

Agradeci tanto aos deuses e santos por ontem ser finalmente sexta-feira. Não aguentaria mais um dia de trabalho e de urgências, não mesmo. Saímos do escritório mais cedo e resolvemos iniciar a noite em um barzinho muito simpático, com música ao vivo e foi bom.

Por aqui recebemos um último sopro de verão. Temperatura agradável, céu azul e sol e lua brilhantes no céu. Gosto dessa mistura, dessa delicadeza do tempo de nos dar a chance de nos despedir gentilmente do calor e nos mostrar que novas sensações estão ainda por vir.

Segunda-feira recomeça tudo outra vez, mas até lá existem algumas horas. Me divido entre o desejo infantil de preencher cada segundo com atividades e a necessidade física e psicológica de viver momentos de ócio completo.  

Por agora, optei por deixar o céu azul invadir o mundo lá fora e as janelas aqui dentro. Preciso descansar, mas daqui a pouco quero caminhar no parque mais próximo. Deve ser a despedida definitiva do verão e o pôr do sol hoje promete ser muito bonito. 

3.9.14

Dos últimos dias

Setembro outra vez, como o tempo corre! Por aqui o outono já anda pelas ruas. As árvores, tão verdes até então, já apresentam novas cores e o tapete de folhas vermelhas e amarelas já começam a colorir os caminhos de cada dia. É bonita, mas também é sempre um pouco melancólica a despedida do verão.

Completamos um ano de Berlim no dia primeiro de setembro e por aqui temos mais um outono pela frente. É primavera novamente para mim, meu novo ano começa agora e tenho pensado sem descanso nos próximos passos que preciso e quero dar, mas sigo com calma. Quero viver uma estação de cada vez. 

19.8.14

Dos cortes

A listinha de pequenas mudanças já está sendo colocada em prática. O primeiro item a ser rabiscado foi perder o medo de fazer algo diferente e mudar um pouco a imagem que reflete no espelho. Nada melhor que começar uma jornada pessoal nova com um visual novo para motivar.

Meu cabelo estava muito longo, sem movimento e sentindo bastante a água pesada daqui. Apesar de eu gostar bastante e estar acostumada com o peso dele, eu vivia de cabelo preso, um sinal claro de que a vida pedia algo bem mais prático.

Cortei. Está acima do ombro e super cacheado, do jeito que eu gosto. As reações têm sido as mais variadas possíveis, mas para mim o importante foi ter tido coragem para tentar algo diferente. Vai ser legal chegar aos vinte e nove com um reflexo novo. :)

15.8.14

Das reflexões

Na semana passada tirei alguns dias de férias para descansar a cabeça e pôr a casa em ordem. Não consegui fazer tudo que tinha planejado, mas consegui aproveitar as horas vagas da semana chuvosa da maneira que pude. Aproveitei também os dias de reflexão e comecei a pensar em uma listinha de coisas bobas e minhas que eu gostaria muito de mudar. 

A vida é tão instável e tão frágil que, definitivamente, é bobagem seguir com um fardo inútil de sentimentos e hábitos negativos. Entre escolher o que quero ou não ser nessa vida, foi mais fácil identificar o que não quero mais carregar comigo nos próximos dias. Se ter consciência sobre isso é o primeiro passo, espero ter começado agora uma nova caminhada para uma vida mais serena. A caminhada longa e tortuosa, eu sei, mas não custa nada tentar.


7.8.14

A place called Here

We all get lost once in a while, sometimes by choice, sometimes due to forces beyond our control. When we learn what it is our soul needs to learn, the path presents itself. Sometimes we see the way out but wander further and deeper despite ourselves; the fear, the anger or the sadness preventing us returning. Sometimes we prefer to be lost and wandering, sometimes it’s easier. Sometimes we find our own way out. But regardless, we are found.” [p.483 - 484]
 


4.8.14

Do verão passado

No verão passado, nós ainda estávamos sonhando com a impossível loucura que era largar o nosso quase nada tudo na Inglaterra e voltar para a Berlim. Resolvemos tirar dez dias de férias pelo sul da Alemanha, outros cinco em Paris, e retornamos para casa com uma semente de coragem plantada no coração.

Em meados de agosto, jogamos tudo para o alto e no final do mês decidimos voltar para a estrada. Vinte e quatro horas depois amanhecia setembro e nós estávamos em Berlim. Sempre me perguntam se me arrependo da decisão que tomamos, mas quando me lembro das aventuras do nosso último verão e dos dias que vivemos até aqui, respondo sem medo que valeu a pena.

Sair da nossa zona de conforto é sempre um grande desafio, é como dar um passo na mais completa escuridão em um terreno desconhecido. Apesar de clichê, a vida é sim um grande mistério sem respostas prontas, sem mapas ou guias para fazer as escolhas certas. Viver é simplesmente ir, com medo e com coragem. O resto acontece.

Eu não tenho a mínima ideia de onde vamos estar no próximo verão, não mesmo. O que me conforta é que loucura, por enquanto, a gente tem de sobra para correr atrás dos nossos sonhos. Também me tranquiliza a certeza de que as portas abertas e os anjos continuarão cruzando os nossos caminhos onde quer que seja o nosso próximo destino.

2.8.14

Duas rodas

Durante as três primeiras semanas de julho, decidi abdicar do transporte coletivo e ir caminhando para o escritório onde trabalho. Foi a alternativa mais propícia que encontrei para amenizar o estresse diário e aproveitar um pouquinho do verão incrível que estamos tendo por aqui também durante os meus dias úteis.

Nesses quatro quilômetros e meio de percurso, eu atravesso dois parques enormes e caminho em algumas ruas lindíssimas. São cafés, floriculturas, árvores robustas, bicicletas, fachadas coloridas, pessoas coradas pelo sol e muitos outros detalhes bonitos para admirar pelo caminho.

Os dois primeiros dias foram muito cansativos, mas como isso foi um reflexo da minha fraqueza de pessoa sedentária, decidi seguir em frente com o desafio e concluí com êxito as três semanas de quase nove quilômetros diários. Nessa última semana, consegui uma bicicleta compatível com o meu pouco tamanho emprestada e foi incrível poder fazer o mesmo percurso sob duas rodas.

Depois dessa experiência feliz, de liberdade e vento no rosto, decidi que vou investir em uma companhia de duas rodas para continuar realizando esses pequenos percursos diários. Não vejo a hora de encontrar uma pequenininha para me levar para onde eu quiser nessas ruas planas de Berlim. 

1.8.14

Dos gostos

Sempre me afeiçoei a agosto, aos dias de sol e vento correndo forte pelas ruas da cidade, à volta às aulas, a felicidade de voltar à minha rotina e de encontrar as pessoas que eu gosto. Eu sempre imagino que se agosto fosse uma pessoa, seria uma daquelas que sofreram bullying o tempo inteiro na escola, só por conta de uma rima infeliz. Triste sina de tantos nós.

Esse agosto chega mais uma vez como uma brisa, um suspiro de alívio agradecido para o calor dos meus dias. É desde sempre um mês de finalizações pessoais, de conclusões e de muitos recomeços. É também o mês do meu aniversário e um mês de recheado de lembranças felizes. Agosto não representa nada de ruim e, para mim, é um mês que me dá gosto de viver. 

22.7.14

Das decisões

Vivi dias e noites conturbadas nos últimos meses. Percebi que a angústia era tanta que eu mal conseguia viver o presente e então me tornei por alguns dias um mero fantasma de mim. Detesto essa mania de pensar e me preocupar demais com as coisas, que frequentemente me cega e faz com que a paisagem não passe de um borrão de cores aleatórias por onde caminho sem rumo algum.

Mas, assim como as luas e as marés tem o seu tempo de idas e vindas, altos e baixos, tenho também os meus surtos de lucidez que espantam todos os fantasmas e medos das decisões. Caminhar espanta também qualquer tristeza e isso eu tenho feito bastante nos últimos dias. Acordar cedo, por pura vontade de viver uma terça-feira ensolarada, também. Entre a dúvida e o desejo de estar, tentar e ficar, decidi seguir.

12.7.14

Dos rascunhos

Eu me transformei em um vazio tão grande que se tornou para mim quase impossível transcrever qualquer sentimento em palavras. Tenho lutado diariamente contra o desânimo, mas tem dias que ele é sim muito mais forte e não adianta fugir ou negar. Acho importante essa fase de recolhimento, de aceitação, de dias ruins, de busca por uma melhora ou mudança grande ou pequena. Que seja. Os dias difíceis sempre nos ensinam algo a mais sobre nós mesmos. Daqui a pouco passa.


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ps: É post antigo que andava perdido nos rascunhos. Resolvi publicar porque julho tem sido um mar de dias de mimimi sem fim.. aff. =~~

29.6.14

Das copas

Ainda estou me recuperando do sufoco de ontem também. Por aqui, decidimos encontrar uns amigos e fomos assistir à transmissão do jogo na rua. Enquanto na tela o amarelo era cor predominante, nós eramos uma minoria barulhenta sufocada sob os gritos vermelhos de apoio ao Chile. Minha gente, que noite difícil.

O trauma só não foi muito maior por motivos de Julio César, mas mesmo assim eu decidi que vou me aposentar dessa vida de torcedora do Brasil na copa do mundo. Não tenho mais coração e nervos suficientes para isso, mas é impossível. É uma bagunça, é o meu sangue e meu coração bate em verde e amarelo até o fim.

25.6.14

Do tempo

Tenho percorrido novos caminhos diariamente em busca de alternativas mais longas ou mais rápidas para chegar onde preciso. Apesar de continuar me surpreendendo com toda a beleza a minha volta, tenho reagido a tudo isso muito mais silenciosamente.

Tenho respeitado esse desejo, de seguir calada, apenas registrando na mente as cores bonitas que por mim cruzaram em um determinado momento. Amanheceu cinza lá fora, mas aqui dentro tem permanecido assim há algum tempo. 

22.6.14

Do caos

Ando querendo comprar umas flores na feirinha da esquina, vários quadrinhos, almofadas coloridas, algumas cortinas, uns metros quadrados de carpete e basicamente todos os móveis pretos lindos disponíveis na Ikea. Infelizmente, agora não dá e improviso é o nosso mais novo sobrenome. Por enquanto, a gente optou por comprar mesmo só o básico do básico do básico do básico e tá-bom-de-mais! 

A cozinha já está ok com o trio fogão-geladeira-micro ondas. A sala com o sofá-elefante-azul precisa ainda de muito trabalho. A mesa de jantar de madeira da discórdia também já está lá, pronta para celebrar o caos. O nosso quarto azul hospital brevemente será pintado de branco ou outra cor qualquer – porque esse azul tá horrível gente! – e precisa ainda de basicamente todos os móveis de um quarto decente. 

São tantos detalhes que não sabemos nem por onde começar. Não nos sentimos confortáveis ainda para receber amigos, apesar da insistência, curiosidade e cobranças. Queremos receber todo mundo direitinho, mesmo sabendo que o que importa mesmo é a companhia e a cerveja gelada. A simpatia já chegou no novo endereço, mas se Ikea e Media Market quiserem nos patrocinar com todo o resto, estamos aí. :P

21.6.14

Dos lembretes

Levei um susto ontem à tarde quando me deparei com a publicação do feed de uma postagem lembrete agendada por mim mesma tempos atrás. O objetivo era não esquecer que no dia 21 o blog completaria oito anos e que algo deveria ser escrito para não deixar esse dia passar em branco. Acabei esquecendo o blog e a postagem agendada, que foi ao ar em branco como a data e o texto de aniversário nessa fase silêncio.

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Parabéns para nós! :)

9.6.14

Das alturas

Mudamos para perto e para mais alto. Sol e lua deixam o apartamento muito iluminado o tempo inteiro, o vento corre ligeiro pelos cômodos ainda pouco preenchidos e a tempestade de raios vista aqui do alto é ainda mais assustadora e linda de ver. A vista é muito bonita do vigésimo primeiro andar.

No último dia do apartamento antigo, fui acordada pelo som do piano vizinho ecoando lindamente uma valsa de despedida. Foi uma ótima trilha sonora para lembrar de todos os abraços de até logo colecionados até então, de todos os caminhos que me levavam para as minhas tantas casas, dos detalhes de cada rua e dos acontecimentos marcantes de cada endereço.

Aos poucos aprendemos a nos adaptar ao novo espaço e tentamos dar um ar de lar à nova morada, mas a sensação que nos acompanha permanentemente é de que aqui não é a estação final e que falta pouco para a vida voltar aos trilhos. Casa, casa mesmo, só existe uma e definitivamente é para lá que eu quero voltar.

25.5.14

Das tréguas

Berlim é um lugar incrível em qualquer estação, mas a primavera consegue deixar a cidade ainda mais linda e irresistível. Amo esses dias longos, esse sol brilhando nos olhos das pessoas e esse calor que faz com que eu me sinta em casa. Mergulho no azul do céu como se fosse mar e de repente tudo fica bem.

Eu vejo a vida acontecendo ao meu redor e me dou conta da insignficancia de todos os problemas. É simplesmente incrível caminhar pela cidade admirando as fachadas cobertas de flores, poder deitar na grama, aproveitar o verde dos parques, admirar os diferentes estilos circulando no mesmo espaço. Tantas cores, roupas leves, bicicletas, crianças, sorvetes, feiras e frutas.

A primavera mais uma vez me mostrou que a vida sempre dá o seu jeito e que a vida segue em frente, apesar dos obstáculos. Tenho me apegado as coisas boas de cada dia e tentado encarar todos os desafios de uma maneira mais leve. Sim, ainda nessa luta em busca da leveza porque a guerra comigo mesma continua firme, mas o corpo mais uma vez pede trégua e o tempo que se encarregue de mostrar uma solução.


15.5.14

Dos votos

"Eu tenho um blog inteiro escrito para você." Foi o que eu disse ao revelar que não havia escrito nada de especial ao renovar os meus votos e assinar o texto-contrato que perguntava se eu estaria disposta a seguir em frente e encarar mais dez anos de união.

Chorei, como sempre, porque é impossível não se emocionar ao ler a alma de alguém impressa no papel. Tantas histórias, tantos medos, tantos sonhos tão nossos e tudo isso já são dez anos. Dez anos! Parece que foi ontem, parece que começou agora.

Nunca foi perfeito. A diferença é que a gente decide seguir sempre junto.

28.4.14

Das cartas engavetadas #4

Quando era ainda pequenininha, sempre que havia espaço, ou cliente permitia, me levava com ele nas corridas pelos labirintos da cidade. Eu gostava de ir em pé, me encaixando no espaço entre os dois bancos da frente do carro. Seguia sempre muito atenta aos seus movimentos, ao velocímetro, às trocas de marcha e aos valores no painel de números vermelhos. Foi com ele que eu aprendi a prestar atenção ao caminho.

Ele me explicava as direções, falava sobre os pontos de referência de cada lugar e na volta para casa, quando eu menos esperava, me perguntava se eu sabia onde nós estávamos. A cara de satisfação que ele fazia quando eu conseguia responder a charada geográfica e descrever a nossa localização certinha é ainda indescritível. Por causa dele, hoje sou um google maps ambulante.

Tivemos sim nossos tempos difíceis, nossos barulhos e nossos silêncios. Apesar das nossas brigas e da famosa má vontade, ele sempre esteve lá e disponível para cruzar o mundo se fosse necessário para me encontrar. Parabéns, pai! Daqui a pouco chega a hora de cruzar o oceano e de te dar um abraço.

27.4.14

Pitangas

Abril foi mês de calar.


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Escrevi um post longo, mas decidi que seria melhor voltar com um post de uma frase só. Nada de chorar pitangas. É bem melhor simplesmente comer a fruta e plantar a semente para colher um futuro melhor. Um beijo para quem visitou e deixou recado no último mês. Abril foi (e está sendo) foda, mas voltei. 

7.4.14

Black & White: Berlin

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Mauerpark

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Volkspark am Weinbergsweg

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Märkisches Ufer - Inselstraße

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Märkisches Ufer

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St. George fighting the Dragon by August Edward Kiss - Spreeufer

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Spreeufer

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Spree Side Galery

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25.3.14

Três

Há exatamente três anos iniciávamos essa aventura e parece que foi ontem que nós entramos naquele avião. 


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ps: depois eu faço uma mini micro retrospectiva e conto um pouco mais dessa história para vocês - viu Evy, não esqueci de você não! ;)

23.3.14

Dos pesos

Tirei ontem um peso imenso das costas e da nossa bagagem. Finalmente encontrei coragem para organizar o armário, que escondia uma bagunça infernal de documentos importantes que acumulamos em quatro línguas diferentes nesses últimos três anos. Comprovante daquilo, tradução disso, formulário carimbado para aquilo e a pilha foi aumentando.

Mesmo tendo a casa em ordem, eu sentia um calafrio só de lembrar que ao abrir aquela porta eu iria me deparar com aquela montanha de papel deslizante. E o pânico de precisar de algum documento e não conseguir encontrar? Duas horinhas depois os documentos estavam organizados de acordo com o país e a caixola mais leve. Eu tive mais um final de semana nublado e outro domingo de preguiça.

16.3.14

Das águas

Depois de uma semana ensolarada, o domindo cinza e chuvoso chegou como um convite irresistível para curtir um dia inteiro de preguiça, cafuné e cobertor. Com essa nova rotina de trabalho sem ter hora para acabar, tenho passado muito pouco tempo em casa. Quando chega o final de semana a única coisa que eu mais quero nesse mundo é poder ficar quieta no sofá, olhando as nuvens e cores incríveis do pôr do sol se desenhando pelo céu.

Essa semana foi especialmente intensa em todos os sentidos. Da montanha russa de expectativas, pressão e estresse diário às inesperadas manifestações de atenção e afeto. Eu não esperava, não mesmo, e não paro de agradecer por essa sorte que eu tenho de poder encontrar pessoas incríveis por onde quer que eu vá. Estou cansada, mas estou feliz. Como sempre março e suas águas turvas de chuva, suor e lágrimas.


11.3.14

Das promessas

Eu e a minha eterna mania de ser Chicó, fazendo promessa ingrata e sem jeito a torto e a direto. Ele, conhecendo bem a peça que tem em casa, me olha de lado e avisa logo: Chicória, você promete demais. Dessa vez prometi ficar um mês sem comer chocolate. Comecei ontem e já detestei. :( 

5.3.14

Da folia

Por aqui, os últimos dias também foram de carnaval para mim. Ganhei dois dias de folga no trabalho e aproveitei esse final de semana esticado para resolver algumas últimas pendências, colocar a vida em ordem e descansar. Quase tudo estava tão atrasado, do sono à lavagem de roupa, e ainda precisava sobrar um tempinho para aparecer aqui e fazer algumas visitas.

Na segunda finalmente pude receber a minha permissão de residência aqui na Alemanha, mas não sem muito estresse e adrenalina para deixar o dia para sempre na nossa lembrança. O primeiro quase mini infarto do dia aconteceu quando, mesmo saindo com uma hora de antecedência, uma pane no trem fez com que quase chegassemos atrasados. Quase. Cheguei descabelada e esbaforida, mas cheguei lá.

Depois de alguma espera, o segundo quase mini infarto se deu por conta da senhorinha nada simpática e super disposta a não querer me dar a minha permissão que nos atendeu. Sabe quando a pessoa fica procurando uma brechinha para fazer com que uma coisa não dê certo? Pois é. Enfim, depois de muita argumentação e mais algum chá de cadeira, o que importa é que no final das contas deu certo e nós já achamos muita graça dos acontecimentos do dia. hehehe

Como o dia estava lindo, decidimos aproveitar o sol e seguir caminhando durante uma parte do caminho de volta para casa. Fiz as fotos do post anterior enquanto estávamos pelo Mitte, um bairro super charmoso aqui da cidade. Durante a tarde, dormi o sono dos justos no sofá, enquanto meu corpo era aquecido pelo mar de sol que invadia o apartamento.

A terça foi de café na cama, dia cinza, internet e muito descanso. Aproveitei o dia também para colocar ordem na casa e fazer minhas coisinhas de sempre. Adoro o fato de poder ter uma vida agitada, mas percebo que me sinto feliz mesmo é estando em casa, cuidando das minhas plantas enquanto ele cozinha e canta e nós rimos. Isso sim é folia. :)

4.3.14

Black & White: Berlin

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Torstraße
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Linienstraße
[Uma curiosidade: a cor desses canos suspensos é rosa choque!]
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Linienstraße
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Kleine Hamburger Straße
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Kleine Hamburger Straße
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Große Hamburger Straße
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Große Hamburger Straße
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Sophienstraße
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Sophienstraße
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Sophienstraße

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ps: Caminhada pelo bairro Mitte, depois de uma manhã de espera e muita burocracia. Se você não gostou do preto e branco, pode encontrar uma Berlim mais colorida AQUI ;)

1.3.14

Das memórias

Por aqui temos a casa cheia novamente e um final de semana de aniversários, comemorações e despedidas. É engraçado olhar para trás e percorrer mentalmente o caminho que nos levou a participar dessas tantas histórias. Tem sido bom presenciar momentos tão marcantes e bonitos para essas pessoas de mundos e realidades distintas. Tem sido bom colecionar boas memórias.

23.2.14

Dos dias

Os últimos dias foram estranhos e bem estressantes, mas também muito bonitos. O frio já ameno e bastante agradável abre caminho para os dias ensolarados e floridos de primavera. Essa transição sutil já trouxe pequenas mudanças e já deixa sinais alegres nas roupas e rostos que caminham por aí. Na verdade, tudo tem me fascinado e distraído de um jeito único e colorido que só quem já pode se apaixonar pelas fachadas de Berlin poderia entender ou explicar.

Ainda tenho apanhado um pouco para me adequar a minha nova rotina. Não tenho tido nenhuma energia nem para ler meus livros, continuo estagnada na página trinta e já me conformei em não saber o que seria essa história lenta e chata que achei que iria me entreter. Ainda não consigo olhar para o computador ou pensar em palavras outras que sejam minhas, e só minhas, e que estejam desligadas de tudo que falo e sinto durante todo o dia. É chegar em casa quase as dez da noite todos os dias, tomar um banho quente, jantar entre conversas ou silêncios e me desligar do mundo de uma vez por todas ao dormir.

Durante o dia, é estranho perceber que todas as pessoas presentes na minha rotina nesse momento parecem fazer parte da minha vida há séculos. Todos os rostos são familiares, os sorrisos, as histórias. Até mesmo um antigo apelido familiar, um dos resquícios da minha infância, voltou outro dia aos meus ouvidos. Enquanto na Inglaterra todos sempre foram rostos estranhos, relações novas, aqui tudo é familiar. Isso nunca me aconteceu antes.

Talvez seja Berlim, com essa atmosfera estranha e com essa cumplicidade oculta que existe entre os tantos moradores e visitantes, todos estrangeiros. Ontem, após mais um espetáculo, a espera de mais um trem, em mais uma volta para a minha casa, entendi que somos todos velhos conhecidos porque somos todos filhos de uma mesma história: de partida, de medos, de mistérios, de sonhos e de saudades. 



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ps: Tenho exatamente 365 posts para ler no feedly nesse momento e, como adoro essas bobagens e coincidências numéricas, interpretei esse "acontecimento" como uma indireta do mundo avisando que eu demoro um ano para dar as caras, responder aos comentários e visitar vocês. Calma que daqui a pouco tudo se ajeita, dessa semana não passa. Um beijo e muito obrigada pelo carinho, visitas e comentários dos últimos dias.

15.2.14

Das alegrias [pequeninas]

É acordar com o despertador gritando por mais um dia de rotina cansativa e ficar triste por dois segundos sonolentos. É procurar o outro chinelo perdido, que sempre se esconde embaixo da cama, e num segundo de lucidez, lembrar que finalmente é sábado e que não existe nenhuma obrigação com o relógio pela frente. Por fim, é esquecer o chinelo escondido e voltar a dormir outra vez, mas sem hora despertador rotineiro para acordar. 

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ps: Eu fico mesmo muito feliz com muito pouco. Estou dormindo até agora!  :)

9.2.14

Das voltas

Engraçado como a vida acontece e surpreende quando você menos espera. Depois de uma semana tão difícil, pude assistir um espetáculo lindo, saí para jantar com pessoas incríveis e terminei a noite de sábado em uma festa maravilhosa. Dancei rumba, cumbia e outros ritmos latinos até quando os meus pés permitiram. Sorrimos e rodopiamos aos lembrarmos das tantas voltas até chegarmos aqui. Esse noite foi um grande presente que a vida nos deu. Voltei para casa em uma madrugada fria, mas com a alma alegre e quente, pronta para mais uma semana de batalha outra vez.

8.2.14

Ordinary tales

Quarenta horas de trabalho e mais algumas idas e vindas em prédios públicos para resolver burocracias e solicitar números, formulários, seguros e registros já seriam motivos suficientes para ter uma crise de estresse, mas isso não foi nada. Enquanto eu corria entre as estações da semana, minha melhor amiga dormia em uma UTI. Meu coração andando em saltos, meu medo por estar longe se transformando em pesadelo e realidade. No meio da semana recebo uma chuva de carinhos nos comentários e minhas palavras resolvem fugir.

Semana punk, mais um dia cheio, uma noite linda, muitos aplausos e meu coração completamente atormentado. Ontem foi noite de estréia do espetáculo do qual ele faz parte, eu tão cansada e um tantinho doente não podia nem pensar em faltar. Já em casa, tive a alegria de receber uma notificação às quatro horas da manhã com a notícia da operação bem sucedida do outro lado do atlântico. Um alívio. Consegui dormir oito horas pela primeira vez em sete dias. Estou muito cansada, resfriada e ainda muito estressada, mas agora estou bem.


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ps: Muito obrigada pelas visitas e comentários. Prometo responder e visitar todo mundo ainda nesse final de semana. Um beijo.

3.2.14

Dos registros

Entre janeiros e fevereiros a vida segue o seu curso. Após longas semanas de frio, tivemos no último sábado o primeiro dia com temperatura e sensação térmica positiva. Foi incrível poder sair de casa sentindo o calor mínimo do sol de quatro graus no rosto. Pude deixar as velhas botas descansarem um pouco, tocar os objetos sem luvas e não sentir o rosto queimar a cada sopro de vento. A neve acumulada nas calçadas começava a se despedir e eu logo me animei com a lembrança de mais uma primavera.

Fomos devolver um livro na biblioteca pública Philipp-Schaeffer, no bairro Mitte, e saí de lá com duas capas coloridas que irão me fazer companhia durante o meu mais novo trajeto favorito de todos os dias. Como tudo ainda é muito novo, é bem provável que os livros fiquem mesmo na mesinha de cabeceira, pois no momento eu não troco o ato de o olhar a vida pela janela por história nenhuma nesse mundo. Saímos da biblioteca, atravessamos a rua e tudo era branco e muito bonito.

Foi a primeira vez na minha vida que eu andei em um lago congelado. Tive medo, mas ele segurou a minha mão e me convidou a deslizar como as crianças que corriam e brincavam a nossa volta. Muitos adultos também se divertiam ao acompanharem os pequenos e até uma senhorinha solitária resolveu interromper a sua viagem, deixou a bicicleta de lado e se arriscou como criança na brincadeira. Voltei a sentir a vida e a luz no sorriso do sol.



ps: Sim, o dia foi amadoramente registrado em imagens por mim e publicado no post anterior. :)

2.2.14

Black & White: Berlin

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Minha primeira caminhada sob águas congeladas.
Volkspark am Weinbergsweg
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A bicicleta está sob o gramado, os pés estão apoiados no lago.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg

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Crianças e adultos se divertindo e deslizando.
Volkspark am Weinbergsweg
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Crianças e adultos se divertindo e deslizando.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg
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Entre a Brunnenstraße e a Invalidenstraße.
Volkspark am Weinbergsweg 
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Heinrich Heine, o último dos românticos.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg

28.1.14

Dos desencontros

Olhei pro céu e encontrei nos galhos nús de uma árvore a sombra de uma velha lembrança. Sorri ao perceber que me deparava mais uma vez com estampa do seu vestido, aquele que eu mais gostava, e que tempos depois passou a enfeitar o meu travesseiro. O mais engraçado foi isso ter acontecido exatamente hoje, um dia depois do seu aniversário, o primeiro de uma vida inteira em que eu não consegui dizer parabéns.

Entendi que esse foi o jeito mais fácil de você dizer que também estava pensando em mim, e que sabia no fundo do seu coração que eu não tinha esquecido, como não esqueci. Eu nunca esqueço. Nunca precisei de aplicativo para me lembrar de quem amo. Espero no ano vem, nesse mesmo dia, poder finalmente te dar um abraço e um presente bem bonito, como você merece. Me espere, por favor. Te amo vó.

25.1.14

Dos desequilíbrios

A semana foi marcada pelo branco nas ruas da cidade e na tela onde escrevo. Durante os dias de ausência, fui aprendiz de equilibrista do asfalto e das emoções. Equilibrista para atravessar a rua sem cair ou para não escorregar na calçada e derrubar a sacola do supermercado cheia de ovos no chão. Equilibrista para não deixar a ansiedade me dominar e para controlar os picos de tristeza ou euforia que vivi nos últimos sete dias.

Apesar do frio e da neve congelante serem predominantes na paisagem, o dia hoje foi bastante claro, com um sol e céu de primavera azul. Não tive coragem de arriscar um passeio e fiquei feliz por poder contemplar a paisagem lá fora aqui de dentro, no quentinho do nosso canto e bem longe desse frio. Enquanto preparava um café, pensava no branco na tela que me cobra e me incentiva a pensar em novas maneiras de me comunicar.

Não gosto desse tom pessimista que minhas palavras ganham quando me arrisco a brincar com os múltiplos significados. Não gosto tanto que algumas vezes chego a pensar que melhor mesmo é não escrever mais nada, parar de uma vez por todas de tentar acertar e passar a usar apenas sorrisos gráficos. Pensei, pensei muito sobre o que dizer hoje e só pude concluir que eu sou mesmo uma péssima equilibrista. Sempre insegura, sempre com medo de fazer ou escrever bobagem, com medo de cair e quebrar os ovos, a cara e o coração.


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ps: É impressão minha ou esse post não pessimista também acabou saindo um pouco todo errado? Não tem nada não, um dia eu acerto, o importante é deixar logo dito que estou bem e tentando me livrar dessa "crise criativa" que me atacou nessa semana.  =]  

19.1.14

Dos negativos

Frio congelando tudo: a voz, o pensamento, a vontade e o coração.

17.1.14

Das pausas

O inverno tem sido carinhoso até então, sem neve, sem temperaturas muito negativas e com alguns dias de horas ensolaradas. Mesmo assim, ainda travo uma guerra pessoal para enfrentar essa estação instável e difícil, e não quero mais nada na vida além de dormir. Esses dias de longas noites me pedem mesmo é para hibernar.

Venho refletindo há um bom tempo sobre esse hábito que eu sempre cultivei, por necessidade ou costume, de fazer mil coisas ao mesmo tempo. O resultado desses anos de rotina maluca é o convívio com uma pressão e um sentimento de culpa diários por não estar fazendo sei lá o quê quando me deparo com essas situações de pausa. Até que um belo dia eu me conta da bobagem que eu vinha fazendo comigo mesma.

Felizmente eu me dei conta que eu poderia viver esse momento sem que isso precisasse significar algo negativo. Enquanto tenho uns dias a mais de folga, aproveito para refazer meus planos. Vou ouvindo minhas músicas preferidas, conversando bobagem, enxergando a vida com outros olhos e aprendendo um pouquinho mais a cada dia. Ao mesmo tempo, amadureço novas ideias e penso no que eu realmente quero fazer e onde quero estar. Uma dica apenas: tem sol o ano inteiro.

6.1.14

Das ruas

Nada me deixa mais feliz que caminhar sem mapa pelas ruas. Ver as fachadas dos prédios e casas antigas, os cafés mal iluminados, as boutiques elegantes, as lojas de antiguidades, as cores das frutas expostas nas calçadas, os cabelos multicoloridos e o alaranjado do pôr do sol banhando a cidade. Ouvir sons dos passos apressados, o metrô se aproximando, os músicos solitários, crianças conversando, o canto dos pássaros e a música querida e já há tanto tempo esquecida tocando no rádio. Sentir o calor do café, do casaco macio, do pão quentinho ou de um abraço. Enquanto perdida, todas essas são com certeza as melhores surpresas que eu poderia, a cada novo dia, ter.

5.1.14

Black & White: Berlin

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Bürknerstraße
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Hobrechtbrücke
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Hobrechtbrücke
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Maybachufer
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Thielenbrücke
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Nansenstraße


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ps: As legendas são os nomes das ruas e pontes onde tirei as fotos. Não descobri ainda o nome desse canal que é um braço do Rio Spree e famoso por ligar dois bairros super legais da cidade: Neukölln e Kreuzberg.