28.1.14

Dos desencontros

Olhei pro céu e encontrei nos galhos nús de uma árvore a sombra de uma velha lembrança. Sorri ao perceber que me deparava mais uma vez com estampa do seu vestido, aquele que eu mais gostava, e que tempos depois passou a enfeitar o meu travesseiro. O mais engraçado foi isso ter acontecido exatamente hoje, um dia depois do seu aniversário, o primeiro de uma vida inteira em que eu não consegui dizer parabéns.

Entendi que esse foi o jeito mais fácil de você dizer que também estava pensando em mim, e que sabia no fundo do seu coração que eu não tinha esquecido, como não esqueci. Eu nunca esqueço. Nunca precisei de aplicativo para me lembrar de quem amo. Espero no ano vem, nesse mesmo dia, poder finalmente te dar um abraço e um presente bem bonito, como você merece. Me espere, por favor. Te amo vó.

25.1.14

Dos desequilíbrios

A semana foi marcada pelo branco nas ruas da cidade e na tela onde escrevo. Durante os dias de ausência, fui aprendiz de equilibrista do asfalto e das emoções. Equilibrista para atravessar a rua sem cair ou para não escorregar na calçada e derrubar a sacola do supermercado cheia de ovos no chão. Equilibrista para não deixar a ansiedade me dominar e para controlar os picos de tristeza ou euforia que vivi nos últimos sete dias.

Apesar do frio e da neve congelante serem predominantes na paisagem, o dia hoje foi bastante claro, com um sol e céu de primavera azul. Não tive coragem de arriscar um passeio e fiquei feliz por poder contemplar a paisagem lá fora aqui de dentro, no quentinho do nosso canto e bem longe desse frio. Enquanto preparava um café, pensava no branco na tela que me cobra e me incentiva a pensar em novas maneiras de me comunicar.

Não gosto desse tom pessimista que minhas palavras ganham quando me arrisco a brincar com os múltiplos significados. Não gosto tanto que algumas vezes chego a pensar que melhor mesmo é não escrever mais nada, parar de uma vez por todas de tentar acertar e passar a usar apenas sorrisos gráficos. Pensei, pensei muito sobre o que dizer hoje e só pude concluir que eu sou mesmo uma péssima equilibrista. Sempre insegura, sempre com medo de fazer ou escrever bobagem, com medo de cair e quebrar os ovos, a cara e o coração.


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ps: É impressão minha ou esse post não pessimista também acabou saindo um pouco todo errado? Não tem nada não, um dia eu acerto, o importante é deixar logo dito que estou bem e tentando me livrar dessa "crise criativa" que me atacou nessa semana.  =]  

19.1.14

Dos negativos

Frio congelando tudo: a voz, o pensamento, a vontade e o coração.

17.1.14

Das pausas

O inverno tem sido carinhoso até então, sem neve, sem temperaturas muito negativas e com alguns dias de horas ensolaradas. Mesmo assim, ainda travo uma guerra pessoal para enfrentar essa estação instável e difícil, e não quero mais nada na vida além de dormir. Esses dias de longas noites me pedem mesmo é para hibernar.

Venho refletindo há um bom tempo sobre esse hábito que eu sempre cultivei, por necessidade ou costume, de fazer mil coisas ao mesmo tempo. O resultado desses anos de rotina maluca é o convívio com uma pressão e um sentimento de culpa diários por não estar fazendo sei lá o quê quando me deparo com essas situações de pausa. Até que um belo dia eu me conta da bobagem que eu vinha fazendo comigo mesma.

Felizmente eu me dei conta que eu poderia viver esse momento sem que isso precisasse significar algo negativo. Enquanto tenho uns dias a mais de folga, aproveito para refazer meus planos. Vou ouvindo minhas músicas preferidas, conversando bobagem, enxergando a vida com outros olhos e aprendendo um pouquinho mais a cada dia. Ao mesmo tempo, amadureço novas ideias e penso no que eu realmente quero fazer e onde quero estar. Uma dica apenas: tem sol o ano inteiro.

6.1.14

Das ruas

Nada me deixa mais feliz que caminhar sem mapa pelas ruas. Ver as fachadas dos prédios e casas antigas, os cafés mal iluminados, as boutiques elegantes, as lojas de antiguidades, as cores das frutas expostas nas calçadas, os cabelos multicoloridos e o alaranjado do pôr do sol banhando a cidade. Ouvir sons dos passos apressados, o metrô se aproximando, os músicos solitários, crianças conversando, o canto dos pássaros e a música querida e já há tanto tempo esquecida tocando no rádio. Sentir o calor do café, do casaco macio, do pão quentinho ou de um abraço. Enquanto perdida, todas essas são com certeza as melhores surpresas que eu poderia, a cada novo dia, ter.

5.1.14

Black & White: Berlin

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Bürknerstraße
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Hobrechtbrücke
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Hobrechtbrücke
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Paul-Lincke-Ufer
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Maybachufer
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Thielenbrücke
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Nansenstraße


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ps: As legendas são os nomes das ruas e pontes onde tirei as fotos. Não descobri ainda o nome desse canal que é um braço do Rio Spree e famoso por ligar dois bairros super legais da cidade: Neukölln e Kreuzberg.

1.1.14

Dos recomeços

Aos poucos venho finalizando a minha lista de metas pequenininhas diárias do novo ano e confesso para vocês que esse é o meu ritual favorito para esse momento de passagem. Já tive anos de várias metas, meta nenhuma ou uma meta só. Já me frustrei por querer demais, querer coisas impossíveis e por esquecer que para alcançar as metas mais difíceis eu teria que triplicar o meu empenho, esforço e ainda contar com a sorte ou a sabedoria do tempo.

Hoje eu penso em metas miúdas, mas que juntas poderão fazer alguma uma diferença maior quando for mais tarde. Aprendi a pensar em curto, médio e longo prazo, a identificar as emergências e a dar chance aos sonhos antigos. Também aprendi a ter um pouco mais de flexibilidade. Muitas vezes a gente acha que um atalho será melhor quando na verdade o caminho, e todas as suas pedras, é o que nos fará mais feliz. Vale ressaltar que como também não pretendo conquistar o mundo, então tudo fica um pouco mais fácil.

Esse novo ano virá para mim como uma folha em branco, sem linhas ou margens para me prender ou guiar. É bom sentir que eu posso tentar e recomeçar tudo de novo e de novo. O frio na barriga é uma consequência inevitável que permanecerá comigo durante muito tempo nessa jornada, mas isso também faz parte. Estou contente com a oportunidade de iniciar mais um ano e, quando paro para pensar, que sorte essa minha, de ter liberdade e de poder me reinventar.