25.1.14

Dos desequilíbrios

A semana foi marcada pelo branco nas ruas da cidade e na tela onde escrevo. Durante os dias de ausência, fui aprendiz de equilibrista do asfalto e das emoções. Equilibrista para atravessar a rua sem cair ou para não escorregar na calçada e derrubar a sacola do supermercado cheia de ovos no chão. Equilibrista para não deixar a ansiedade me dominar e para controlar os picos de tristeza ou euforia que vivi nos últimos sete dias.

Apesar do frio e da neve congelante serem predominantes na paisagem, o dia hoje foi bastante claro, com um sol e céu de primavera azul. Não tive coragem de arriscar um passeio e fiquei feliz por poder contemplar a paisagem lá fora aqui de dentro, no quentinho do nosso canto e bem longe desse frio. Enquanto preparava um café, pensava no branco na tela que me cobra e me incentiva a pensar em novas maneiras de me comunicar.

Não gosto desse tom pessimista que minhas palavras ganham quando me arrisco a brincar com os múltiplos significados. Não gosto tanto que algumas vezes chego a pensar que melhor mesmo é não escrever mais nada, parar de uma vez por todas de tentar acertar e passar a usar apenas sorrisos gráficos. Pensei, pensei muito sobre o que dizer hoje e só pude concluir que eu sou mesmo uma péssima equilibrista. Sempre insegura, sempre com medo de fazer ou escrever bobagem, com medo de cair e quebrar os ovos, a cara e o coração.


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ps: É impressão minha ou esse post não pessimista também acabou saindo um pouco todo errado? Não tem nada não, um dia eu acerto, o importante é deixar logo dito que estou bem e tentando me livrar dessa "crise criativa" que me atacou nessa semana.  =]  

7 comentários:

  1. Eu penso toda hora em parar de escrever de uma vez por todas, é muito ruim ficar nessa corda bamba sem saber exatamente se aquilo que você escreve está indo para algum lugar ou se só está ali esperando você se desequilibrar e cair.
    Eu adorei o texto, e espero que essa crise criativa (pela qual também estou passando) acabe logo :)
    Beijos

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    1. Pois é, somos equilibristas nessa corda bamba infinita das palavras, mas não podemos desistir não!

      Eu gosto muito do que você escreve e acompanho os teus posts pelo feedly, o meu eleito para substituir o Greader. O bom de seguir pelos feeds é a praticidade de receber os textos em um único lugar sem ter que passear de blog em blog. O lado ruim é que a gente meio que perde aquele hábito de visitar os blogs queridos pra deixar um feedback, ou então deixa o comentário pra depois e esquece o que ia dizer - isso acontece comigo direto quando eu estou na rua.

      Uma das coisas que eu quero fazer esse ano é deixar de ser leitora anônima dos blogs que eu sigo. Os comentários são sempre um bom incentivo para a nossa imaginação. :)

      Por falar nisso, que essa nossa crise passe logo! Um beijo.

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    2. Ahh obrigada, eu também adoro o que você escreve, e também às vezes esqueço de comentar, ou não tenho nada muito relevante pra acrescentar, então só leio mesmo.
      É, acho que o feedback ajuda, mas a minha cabeça funciona de um modo tão estranho que, ao mesmo tempo que eu gosto de ouvir o que as pessoas acham me dá um certo pânico em saber que tem alguém além de mim que leu aquilo hahah Vai entender.
      Beijos

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  2. É do teu pouco errado que eu gosto, é ele que dá sentido, dá o nexo ao desconexo. Beijos

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    1. Nati, que recado lindo! <3

      Ainda bem que você me entende. :)

      Um beijo

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  3. Você tem o dom. O dom de transformar as palavras nos sentimentos mais puros que alguém possa sentir. Dom esse que consegue expor o sentimento mais profundo de uma expatriada. Ah, e quantas vezes eu já me senti assim... só Deus sabe.

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    1. Vânia, muito obrigada mesmo pelo elogio e pelo carinho. <3

      Eu vivo em guerra com as palavras e nem sempre consigo ser muito clara quando tento escrever sobre esses meus sentimentos e experiências. Fiquei tão contente com o seu comentário e por saber que você me entende. :)

      Um beijo!

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)