23.2.14

Dos dias

Os últimos dias foram estranhos e bem estressantes, mas também muito bonitos. O frio já ameno e bastante agradável abre caminho para os dias ensolarados e floridos de primavera. Essa transição sutil já trouxe pequenas mudanças e já deixa sinais alegres nas roupas e rostos que caminham por aí. Na verdade, tudo tem me fascinado e distraído de um jeito único e colorido que só quem já pode se apaixonar pelas fachadas de Berlin poderia entender ou explicar.

Ainda tenho apanhado um pouco para me adequar a minha nova rotina. Não tenho tido nenhuma energia nem para ler meus livros, continuo estagnada na página trinta e já me conformei em não saber o que seria essa história lenta e chata que achei que iria me entreter. Ainda não consigo olhar para o computador ou pensar em palavras outras que sejam minhas, e só minhas, e que estejam desligadas de tudo que falo e sinto durante todo o dia. É chegar em casa quase as dez da noite todos os dias, tomar um banho quente, jantar entre conversas ou silêncios e me desligar do mundo de uma vez por todas ao dormir.

Durante o dia, é estranho perceber que todas as pessoas presentes na minha rotina nesse momento parecem fazer parte da minha vida há séculos. Todos os rostos são familiares, os sorrisos, as histórias. Até mesmo um antigo apelido familiar, um dos resquícios da minha infância, voltou outro dia aos meus ouvidos. Enquanto na Inglaterra todos sempre foram rostos estranhos, relações novas, aqui tudo é familiar. Isso nunca me aconteceu antes.

Talvez seja Berlim, com essa atmosfera estranha e com essa cumplicidade oculta que existe entre os tantos moradores e visitantes, todos estrangeiros. Ontem, após mais um espetáculo, a espera de mais um trem, em mais uma volta para a minha casa, entendi que somos todos velhos conhecidos porque somos todos filhos de uma mesma história: de partida, de medos, de mistérios, de sonhos e de saudades. 



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ps: Tenho exatamente 365 posts para ler no feedly nesse momento e, como adoro essas bobagens e coincidências numéricas, interpretei esse "acontecimento" como uma indireta do mundo avisando que eu demoro um ano para dar as caras, responder aos comentários e visitar vocês. Calma que daqui a pouco tudo se ajeita, dessa semana não passa. Um beijo e muito obrigada pelo carinho, visitas e comentários dos últimos dias.

15.2.14

Das alegrias [pequeninas]

É acordar com o despertador gritando por mais um dia de rotina cansativa e ficar triste por dois segundos sonolentos. É procurar o outro chinelo perdido, que sempre se esconde embaixo da cama, e num segundo de lucidez, lembrar que finalmente é sábado e que não existe nenhuma obrigação com o relógio pela frente. Por fim, é esquecer o chinelo escondido e voltar a dormir outra vez, mas sem hora despertador rotineiro para acordar. 

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ps: Eu fico mesmo muito feliz com muito pouco. Estou dormindo até agora!  :)

9.2.14

Das voltas

Engraçado como a vida acontece e surpreende quando você menos espera. Depois de uma semana tão difícil, pude assistir um espetáculo lindo, saí para jantar com pessoas incríveis e terminei a noite de sábado em uma festa maravilhosa. Dancei rumba, cumbia e outros ritmos latinos até quando os meus pés permitiram. Sorrimos e rodopiamos aos lembrarmos das tantas voltas até chegarmos aqui. Esse noite foi um grande presente que a vida nos deu. Voltei para casa em uma madrugada fria, mas com a alma alegre e quente, pronta para mais uma semana de batalha outra vez.

8.2.14

Ordinary tales

Quarenta horas de trabalho e mais algumas idas e vindas em prédios públicos para resolver burocracias e solicitar números, formulários, seguros e registros já seriam motivos suficientes para ter uma crise de estresse, mas isso não foi nada. Enquanto eu corria entre as estações da semana, minha melhor amiga dormia em uma UTI. Meu coração andando em saltos, meu medo por estar longe se transformando em pesadelo e realidade. No meio da semana recebo uma chuva de carinhos nos comentários e minhas palavras resolvem fugir.

Semana punk, mais um dia cheio, uma noite linda, muitos aplausos e meu coração completamente atormentado. Ontem foi noite de estréia do espetáculo do qual ele faz parte, eu tão cansada e um tantinho doente não podia nem pensar em faltar. Já em casa, tive a alegria de receber uma notificação às quatro horas da manhã com a notícia da operação bem sucedida do outro lado do atlântico. Um alívio. Consegui dormir oito horas pela primeira vez em sete dias. Estou muito cansada, resfriada e ainda muito estressada, mas agora estou bem.


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ps: Muito obrigada pelas visitas e comentários. Prometo responder e visitar todo mundo ainda nesse final de semana. Um beijo.

3.2.14

Dos registros

Entre janeiros e fevereiros a vida segue o seu curso. Após longas semanas de frio, tivemos no último sábado o primeiro dia com temperatura e sensação térmica positiva. Foi incrível poder sair de casa sentindo o calor mínimo do sol de quatro graus no rosto. Pude deixar as velhas botas descansarem um pouco, tocar os objetos sem luvas e não sentir o rosto queimar a cada sopro de vento. A neve acumulada nas calçadas começava a se despedir e eu logo me animei com a lembrança de mais uma primavera.

Fomos devolver um livro na biblioteca pública Philipp-Schaeffer, no bairro Mitte, e saí de lá com duas capas coloridas que irão me fazer companhia durante o meu mais novo trajeto favorito de todos os dias. Como tudo ainda é muito novo, é bem provável que os livros fiquem mesmo na mesinha de cabeceira, pois no momento eu não troco o ato de o olhar a vida pela janela por história nenhuma nesse mundo. Saímos da biblioteca, atravessamos a rua e tudo era branco e muito bonito.

Foi a primeira vez na minha vida que eu andei em um lago congelado. Tive medo, mas ele segurou a minha mão e me convidou a deslizar como as crianças que corriam e brincavam a nossa volta. Muitos adultos também se divertiam ao acompanharem os pequenos e até uma senhorinha solitária resolveu interromper a sua viagem, deixou a bicicleta de lado e se arriscou como criança na brincadeira. Voltei a sentir a vida e a luz no sorriso do sol.



ps: Sim, o dia foi amadoramente registrado em imagens por mim e publicado no post anterior. :)

2.2.14

Black & White: Berlin

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Minha primeira caminhada sob águas congeladas.
Volkspark am Weinbergsweg
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A bicicleta está sob o gramado, os pés estão apoiados no lago.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg

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Crianças e adultos se divertindo e deslizando.
Volkspark am Weinbergsweg
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Crianças e adultos se divertindo e deslizando.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg
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Entre a Brunnenstraße e a Invalidenstraße.
Volkspark am Weinbergsweg 
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Heinrich Heine, o último dos românticos.
Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg
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Volkspark am Weinbergsweg