28.4.14

Das cartas engavetadas #4

Quando era ainda pequenininha, sempre que havia espaço, ou cliente permitia, me levava com ele nas corridas pelos labirintos da cidade. Eu gostava de ir em pé, me encaixando no espaço entre os dois bancos da frente do carro. Seguia sempre muito atenta aos seus movimentos, ao velocímetro, às trocas de marcha e aos valores no painel de números vermelhos. Foi com ele que eu aprendi a prestar atenção ao caminho.

Ele me explicava as direções, falava sobre os pontos de referência de cada lugar e na volta para casa, quando eu menos esperava, me perguntava se eu sabia onde nós estávamos. A cara de satisfação que ele fazia quando eu conseguia responder a charada geográfica e descrever a nossa localização certinha é ainda indescritível. Por causa dele, hoje sou um google maps ambulante.

Tivemos sim nossos tempos difíceis, nossos barulhos e nossos silêncios. Apesar das nossas brigas e da famosa má vontade, ele sempre esteve lá e disponível para cruzar o mundo se fosse necessário para me encontrar. Parabéns, pai! Daqui a pouco chega a hora de cruzar o oceano e de te dar um abraço.

4 comentários:

  1. Que linda a memória! Que jeito especial de lembrar de alguém. Parabéns para ele!

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  2. Que texto lindo!
    Parabéns para o seu pai!!!

    Beijocas

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  3. Singeleza pura! Adorei o blog! Parabéns pra seu pai!

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Muito obrigada pela visita e pelo comentário! :)