19.8.14

Dos cortes

A listinha de pequenas mudanças já está sendo colocada em prática. O primeiro item a ser rabiscado foi perder o medo de fazer algo diferente e mudar um pouco a imagem que reflete no espelho. Nada melhor que começar uma jornada pessoal nova com um visual novo para motivar.

Meu cabelo estava muito longo, sem movimento e sentindo bastante a água pesada daqui. Apesar de eu gostar bastante e estar acostumada com o peso dele, eu vivia de cabelo preso, um sinal claro de que a vida pedia algo bem mais prático.

Cortei. Está acima do ombro e super cacheado, do jeito que eu gosto. As reações têm sido as mais variadas possíveis, mas para mim o importante foi ter tido coragem para tentar algo diferente. Vai ser legal chegar aos vinte e nove com um reflexo novo. :)

15.8.14

Das reflexões

Na semana passada tirei alguns dias de férias para descansar a cabeça e pôr a casa em ordem. Não consegui fazer tudo que tinha planejado, mas consegui aproveitar as horas vagas da semana chuvosa da maneira que pude. Aproveitei também os dias de reflexão e comecei a pensar em uma listinha de coisas bobas e minhas que eu gostaria muito de mudar. 

A vida é tão instável e tão frágil que, definitivamente, é bobagem seguir com um fardo inútil de sentimentos e hábitos negativos. Entre escolher o que quero ou não ser nessa vida, foi mais fácil identificar o que não quero mais carregar comigo nos próximos dias. Se ter consciência sobre isso é o primeiro passo, espero ter começado agora uma nova caminhada para uma vida mais serena. A caminhada longa e tortuosa, eu sei, mas não custa nada tentar.


7.8.14

A place called Here

We all get lost once in a while, sometimes by choice, sometimes due to forces beyond our control. When we learn what it is our soul needs to learn, the path presents itself. Sometimes we see the way out but wander further and deeper despite ourselves; the fear, the anger or the sadness preventing us returning. Sometimes we prefer to be lost and wandering, sometimes it’s easier. Sometimes we find our own way out. But regardless, we are found.” [p.483 - 484]
 


4.8.14

Do verão passado

No verão passado, nós ainda estávamos sonhando com a impossível loucura que era largar o nosso quase nada tudo na Inglaterra e voltar para a Berlim. Resolvemos tirar dez dias de férias pelo sul da Alemanha, outros cinco em Paris, e retornamos para casa com uma semente de coragem plantada no coração.

Em meados de agosto, jogamos tudo para o alto e no final do mês decidimos voltar para a estrada. Vinte e quatro horas depois amanhecia setembro e nós estávamos em Berlim. Sempre me perguntam se me arrependo da decisão que tomamos, mas quando me lembro das aventuras do nosso último verão e dos dias que vivemos até aqui, respondo sem medo que valeu a pena.

Sair da nossa zona de conforto é sempre um grande desafio, é como dar um passo na mais completa escuridão em um terreno desconhecido. Apesar de clichê, a vida é sim um grande mistério sem respostas prontas, sem mapas ou guias para fazer as escolhas certas. Viver é simplesmente ir, com medo e com coragem. O resto acontece.

Eu não tenho a mínima ideia de onde vamos estar no próximo verão, não mesmo. O que me conforta é que loucura, por enquanto, a gente tem de sobra para correr atrás dos nossos sonhos. Também me tranquiliza a certeza de que as portas abertas e os anjos continuarão cruzando os nossos caminhos onde quer que seja o nosso próximo destino.

2.8.14

Duas rodas

Durante as três primeiras semanas de julho, decidi abdicar do transporte coletivo e ir caminhando para o escritório onde trabalho. Foi a alternativa mais propícia que encontrei para amenizar o estresse diário e aproveitar um pouquinho do verão incrível que estamos tendo por aqui também durante os meus dias úteis.

Nesses quatro quilômetros e meio de percurso, eu atravesso dois parques enormes e caminho em algumas ruas lindíssimas. São cafés, floriculturas, árvores robustas, bicicletas, fachadas coloridas, pessoas coradas pelo sol e muitos outros detalhes bonitos para admirar pelo caminho.

Os dois primeiros dias foram muito cansativos, mas como isso foi um reflexo da minha fraqueza de pessoa sedentária, decidi seguir em frente com o desafio e concluí com êxito as três semanas de quase nove quilômetros diários. Nessa última semana, consegui uma bicicleta compatível com o meu pouco tamanho emprestada e foi incrível poder fazer o mesmo percurso sob duas rodas.

Depois dessa experiência feliz, de liberdade e vento no rosto, decidi que vou investir em uma companhia de duas rodas para continuar realizando esses pequenos percursos diários. Não vejo a hora de encontrar uma pequenininha para me levar para onde eu quiser nessas ruas planas de Berlim. 

1.8.14

Dos gostos

Sempre me afeiçoei a agosto, aos dias de sol e vento correndo forte pelas ruas da cidade, à volta às aulas, a felicidade de voltar à minha rotina e de encontrar as pessoas que eu gosto. Eu sempre imagino que se agosto fosse uma pessoa, seria uma daquelas que sofreram bullying o tempo inteiro na escola, só por conta de uma rima infeliz. Triste sina de tantos nós.

Esse agosto chega mais uma vez como uma brisa, um suspiro de alívio agradecido para o calor dos meus dias. É desde sempre um mês de finalizações pessoais, de conclusões e de muitos recomeços. É também o mês do meu aniversário e um mês de recheado de lembranças felizes. Agosto não representa nada de ruim e, para mim, é um mês que me dá gosto de viver.