8.9.15

Das folhas

Cinco folhas e não passava disso há meses. Cinco folhas e nenhuma flor, nenhuma para contar história. Cinco folhas e eu tentando entender o que estava fazendo de errado, se era pouco ou muito sol. Faltava luz, literalmente. Ontem, num impulso, arranquei a planta pela raiz. Coloquei em um vazo um pouco maior, varri a terra que sobrou no chão e fui dormir. Acordei com a surpresa de um botão de amarílis me dando bom dia e fui tomar café. Entre um gole e outro, observando o verde que floresce, percebi que tem gente que parece mesmo é planta. Basta apenas mudar de lugar, basta só mostrar um pouco mais de luz e a pessoa floresce de caminhos, sonhos e ideias.  

5.9.15

Do verão

Aos poucos, tento voltar ao exercício diário de descrever as coisas bonitas que tenho encontrado ao meu redor. A estrada tem ajudado bastante na minha tarefa, é verdade, mas nem tudo são flores e os espinhos sempre exigem cuidados.

O meu distanciamento nos últimos meses foi um exercício extremamente necessário. Não houve palavra, mas houve mergulho. Não houve anunciação, mas houveram algumas mudanças e muitas decisões. Foram águas turvas, mas superei o medo e me deixei banhar pelos dias sem horas.

Foram dias bons. Dias em que me permiti sentir o calor do verão sem nenhum compromisso. De reencontros, de brindes, de cafés e de abraços. De vento no rosto, de esmalte vermelho, de longas caminhadas e de horas de viagem. De muita natureza, muitas flores, muitos lagos.

Hoje a noite, com o corpo moído de um cansaço bom de um dia bastante produtido, me senti feliz e em paz. Feliz por ter sido tão agraciada durante todos esses trinta anos de vida e por poder levar comigo memórias tão bonitas, tão verdadeiras.


29.8.15

Dos updates

Cabeça, alma, pés e coração de volta. 

Literalmente.

14.5.15

Das ausências

A casa agora está um vazio só. É engraçado como mesmo que a rotina os mantenha longe durante boa parte do dia, a ausência agora parece ser ainda maior. O barulho da saída de todos os dias, minha mãe falando alto, meu pai reclamando do atraso, todo o cuidado, toda a rotina, enfim. Se tem sido assim para mim, depois de acostumada com tanto tempo distante, me pergunto como terá sido para eles quando a gente foi para lá. E como será quando a gente voltar?

16.4.15

No filter

Abril anda aquela maré baixa de textos e de juízo. A crise bateu na porta e pediu minha identidade, cobrou resultados, comparou performances, exigiu deadlines. Mandei tudo pro buraco. E em tempos onde todos dublam ou colorem a realidade, cheguei a conclusão de que é exatamente por isso que eu não abandono esse blog, porque eu posso vir aqui escrever que viver-decidir-agir é fod.a. Aqui o filtro é o sentimento cru.

9.4.15

Da insônia

Reclamava que há tempos não conseguia tirar a voz da Marisa Monte da cabeça, até que tirou. Já era hoje quando acordou no meio da noite e, sem conseguir mais dormir, tentou me despertar para conversar um pouco. Foram algumas palavras desconexas da minha parte, mas o meu sono falou mais alto e o diálogo virou monólogo logo depois. Só sei que adormecida ou acordada, me surpreendi quando ouvi durante minutos horas depois a voz dele cantando bem baixinho, parecendo uma criança. E enquanto ele cantava, eu concordava em pensamento com cada frase.



Ainda bem que agora encontrei você..

29.3.15

Rotaroots | Melhor Show da Minha Vida

A primeira vez que eu ouvi o som deles foi durante um festival de música que aconteceu aqui na cidade em 2003. Os metais me chamaram atenção, a animação da banda e a dos fãs também. Nessa ocasião, estava conversando com uma amiga enquanto esperava o show da banda que tocaria nos minutos seguintes. Sabia da tal da Ana Júlia e não conhecia nada além disso. Achei interessante a interação do público e a mistura brega tão sonora. Fiquei de ouvir o cd deles depois, mas acabei esquecendo.

Início de 2004 e eu já estava trocando emails com um menino muito incrível, que se tornaria meu melhor amigo, namorado e marido alguns anos depois. Passa fevereiro, março, abril e ele resolveu me levar a um show no último sábado de maio, que se tornaria o primeiro melhor show da minha vida. Estava lotado, estava quente, o local era minúsculo e ele estava de costas pro palco. Eu não lembro nada além da música alta e de nós dois. Passamos o show inteiro agarrados. Foi uma noite bonita que só.

Cada música, cada acorde do Ventura é a trilha da nossa história. Fomos em todos os shows seguintes da banda por aqui e eu adorei todos eles, com excessão do show na praia do álbum Quatro, que eu não consigo gostar até hoje. E a gente acompanhou de perto o público crescendo, o coro da platéia cada vez mais forte, os shows se tornando uma loucura, os muitos confetes no ar até o famoso hiato. Foi bom, cada show foi especial, mas nenhum show nessa vida será como foi o da noite de 2004.



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28.3.15

Das visitas

Outro dia comentei lá no passarinho twitter que de uma hora para o outra apareceram umas lagartas verdes devorando as samambaias aqui de casa. Foi uma chuva de folhas no chão, algumas pesquisas na internet e um certo pânico para tirar as comilonas de cada uma das hastes. A invasão foi controlada e nós acabamos esquecendo o ocorrido.

Não é que hoje pela manhã, ainda dormindo e descabelada, me deparei com uma borboleta verde lindíssima pousada em um dos comigo ninguém pode que ficam na entrada da casa. Fiquei contente com a visita e me surpreendi quando reparei que ela era exatamente da cor da lagarta que andou por aqui dias atrás. A natureza, como sempre, é incrível demais.

O dia segue com todos saindo para o trabalho, eu sozinha de pés descalços com as plantas, o cachorro, o gato e o papagaio. Manhã de silêncio, reflexões e muito café. Aí eu lembrei daquele clichê da vida que fala sobre cuidar apenas para que as borboletas possam chegar e fiquei pensando aqui qual é o lado jardim da vida que eu ando deixando de molhar.



24.3.15

Do trânsito

Sonhei mais uma vez que estava dirigindo em um fim de tarde tranquilo e sem trânsito. Tirando a parte impossível do 'sem trânsito' e levando em consideração que eu possuo habilitação desde 2008, esse sonho deveria ser apenas uma reprodução de algo rotineiro na minha vida. Pois é, deveria ser do verbo mas-não-é-meeeesmo, já que tenho verdadeiro  p â n i c o  de dirigir. Desculpa sociedade, desculpa Brasil.  

Acho que dirigi umas vinte vezes desde que recebi a minha permissão, geralmente na madrugada ou no domingo pela manhã. Nunca tive carro, sempre me virei de ônibus ou tive carona de amigos. Tive e tenho ainda muito medo de sair no carro do meu pai, por ser o instrumento de trabalho dele. Já pensou se eu cometo um erro ou se fazem uma besteira comigo? Fora de cogitação. Melhor contar as moedas e sair de ônibus mesmo.

Antes da nossa viagem, entre 2008 e 2011, algumas pessoas me azucrinaram bastante para que eu comprasse um carro "para ir para o trabalho" aqui na cidade. Eu? Passar no mínimo 50 minutos diários - ou mais - no engarrafamento pisando no acelerador e no freio ad aeternum e ainda pagando caro por isso? Prefiro mil vezes passar os mesmos minutos lendo o meu livro e olhando a banda passar pela janela, obrigada. 

E assim eu vivi esse tempo todo, só que agora eu comecei a sonhar que estou dirigindo. Deve ser porque vi o quanto é importante ser capaz e ter atitude, principalmente na hora de prestar socorro para alguém. Além da independência de horários para ir e vir por aqui etc. O problema é que eu entro em pânico só de olhar para o carro ainda estacionado. Taí uma meta difícil de sair do papel em 2015 por aqui, mas eu vou dar um jeito de conseguir! ;)


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ps: Para quem não percebeu ainda, olha só o blog de carinha nova para inspirar e respirar minhas abobrinhas e meus mimimis. <3

17.3.15

Das horas

As tardes se findam sempre na mesma hora, no mesmo sol do horizonte das cinco, bem antes das seis. Por aqui o tempo corre, foge, se esconde nas frestas do dia sem que eu perceba. Mal acordo e já deu dez horas, mal engulo o café e já passou da hora do almoço. Volto a encontrar conhecidos pelas esquinas, volto a me envolver em circulos, atividades. Aos poucos volto a me sentir em casa e daqui a pouco é hora de voltar para lá outra vez. 

14.3.15

Da memória

Lembro do dia que a rua onde moro foi asfaltada. Enquanto o carro de piche espalhava no chão o tapete negro da liberdade, vários olhos pequenos e curiosos observavam o meticuloso trabalho de pás e de mãos. Agora sim, seria possível andar de bicicleta à vontade, até patins começaram a ser vistos nos pés das crianças da região. Eu não sabia o significado, mas ficava atenta aos comentários que falavam sobre a prosperidade.

Eu deveria ter uns três ou quatro anos nesse dia e tenho ainda algumas outras lembranças bem vivas dessa mesma época. Lembro ainda das folhas secas e seus redemoinhos no final da tarde, dos muros e portões todos baixos, do pé de jambo verde e majestoso, do sol batendo na varanda no final da tarde e da noite iluminando as pedras do calçamento. Lembro ainda dos telhados, dos jardins, da fachadas e de alguns velhos rostos vizinhos que já não estão mais por aqui.

Fortaleza muda muito, o tempo todo, e tem a mania feia de tentar esconder o passado. Na nossa rua não foi diferente e a paisagem se transfoma cada vez mais, assim como quase tudo nessa grande cidade. Mas pelo menos aqui no bairro ainda sobrevivem as mercearias de cada esquina, o tambor de feijão vendido a granel, as velhinhas conversando na calçada, o bom dia dirigido aos vizinhos conhecidos, o resquício mínimo de pequeno vilarejo afastado do caos urbano.

Na minha memória, ainda vive a rua larga de paralelepípedos encantados assim como outros detalhes das pontes, praças, prédios, fachadas, parques e viadutos que surgem e desaparecem como miragem nessa cidade. Esse post nasceu ao ver tantas fotos bonitas publicadas no instagram de pessoas e de projetos que buscam resgatar e registrar um pouco da memória da nossa terra, antes que tudo e todos sejam engolidos pela areia movediça da transformação. 


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ps: Dá só uma olhada no @Fortaleza365, um projeto bonito demais da Maísa Vasconcelos, que eu cresci vendo apresentar o Na Boca do Povo e sou fã demais até hoje. Na apresentação do perfil, ela descreve o projeto como 'uma imagem todo dia na cidade que se transfigura. Do celular, a Fortaleza que quer ser e, num átimo, já não é. Um olhar, alguma memória.'

Só digo uma coisa: tem que clicar e ler as legendas. <3

13.3.15

Do pé

Tenho a mania de colocar sempre o pé direito no chão ao levantar, mas também nunca reparei se acordar com o pé esquerdo trouxe, efetivamente, algum problema ao meu dia. Pé direito ou esquerdo não garantem que as próximas horas sejam perfeitas. Tem trânsito, tem ônibus lotado, tem estresse, tem pneu furado, tem cocô de cachorro estrategicamente posicionado na calçada, entre outras pequenas desagradáveis surpresas do dia a dia.

Basta uma coisinha fora do planejado acontecer e lá vem o injustiçado pé esquerdo levar a culpa de tudo de ruim que ocorreu pelo caminho. Nessa hora, ninguém se lembra que foi o pé direito que primeiro tocou o chão. Acredito que o pé não interfira tanto assim no acontecimento das coisas, a não ser que você escorregue, machuque ou, infelizmente, quebre o pé ou algum dedinho. Nesse caso sim, o pé – direito ou esquerdo – vira o motivo de todo o cuidado e atenção.

9.3.15

Das sementes

Em Berlim, a primavera começa a dar as caras, mas por aqui também temos sido surpreendidos por novos brotos e novas folhas verdes em busca do sol. É oficial, virei a louca das sementes aqui da casa. Por mim, tudo bem já que o objetivo é deixar o nosso mini jardim florido.

Se você ainda lembra daquela experiência maravilhosa do feijão no algodão, pode ter certeza que é sim muito mais emocionante ver uma semente germinar na terra. Acompanhar o processo de crescimento das primeiras folhas e da plantinha em si, então nem se fala. Todo dia é uma surpresa!

Mas nem tudo são flores por aqui também. Fui extremamente mal sucedida na poda de um cacto, que apesar dos meus cuidados não resistiu e apodreceu. Mas é assim mesmo na nossa vida jardim, enquanto uns morrem e viram adubo, nascem outros para florescer.

7.3.15

Dos dramas

É engraçado pensar sobre as emoções que uma música ou uma voz adquire com as experiências que a gente vai coletando pelo caminho. O que um dia era boa lembrança e sorriso, vira memória ruim e desespero para alcançar o botão do volume e mudar a canção. O artista não tem nada a ver com a história, mas, infelizmente, a trilha sonora acaba marcando para sempre mesmo e ponto final.

Serei odiada pelo resto dos meus dias, mas confesso que ouvir Elis Regina hoje me irrita profundamente. Eu amava as músicas que ela canta, assim como tantas outras do Chico e companhia, que me embalaram por horas durante tanto tempo. Eu sei da importância desses artistas para a nossa cultura, mas teve uma experiência ruim no caminho e acabou-se a boa memória.

A minha implicância com a Elis se dá justamente pelo drama envolvido em quase tudo que ela canta e pelo fato da personificação da memória ruim ser tão dramática quanto a interpretação de atrás da porta. Se tem uma coisa que eu me recuso a aturar nesse mundo, essa coisa é drama, principalmente quando ele é feito sem motivo ou por futilidade. Não dá. Desculpa Elis, desculpa Brasil.

Não que o motivo da música seja fútil. Ali, a gente se joga e se acaba mesmo, com toda a razão. Agora, fazer cada minuto da sua vida um drama, querer que o mundo gire em torno de si, dar escândalo, inventar mentiras, se fazer de vítima e ainda envolver terceiros em confusão sem nenhuma necessidade? Desculpa aí, mas eu não sou obrigada a aturar isso não.

Espero que um dia eu esqueça a experiência ruim ou atribua uma nova boa lembrança para a voz da Elis na minha memória. Que eu também ria do que passou, que eu enxergue tudo com mais clareza e leveza. Que eu releve o absurdo e supere de uma vez por todas. Quem sabe, um dia eu até esqueça. Quem sabe, um dia, quem sabe... 

21.2.15

Das distâncias

Nem lembro mais quando foi a última vez que ficamos mais que vinte e quatro horas assim, separados. Tem sido bem estranho viver todos esses dias sem você na casa, mas como o motivo é nobre demais, preferi que fosse desse jeito mesmo. Amanhã você chega e meu mundo volta ao normal.

Passei horas cuidando das plantas aqui da casa, mudando jarros, plantando mudinhas, organizando mais ou menos o espaço. Faço isso pensando no jardim que quero ter, nos seus pés descalços pra lá e pra cá, na alegria das cachorras e na nossa, no dia em que a gente resolver se aquietar.

Fortaleza amanheceu hoje cinza que só, cheia de chuva, bonita demais. Chuva essa que só rega esse desejo cada vez mais impossível de conter de querer caminhar na contramão de todo mundo. Desejo de ser mais e ter cada vez menos, só o necessário. De viver a verdade e nada mais.

19.2.15

Do carnaval

O feriado de carnaval por aqui foi no calor do sertão central do Ceará. Teve chuva e arco íris ainda no início da estrada, mas a medida que nos afastávamos da zona litorânea, a realidade mudava de cor. Eram rios e riachos completamente secos, e muitas cisternas aguardando a água da chuva que ainda não chegou por lá.

Eu sou completamente apaixonada pela paisagem do sertão, sempre fui. O céu mais bonito que existe é o de lá, além de ser a morada do sorriso mais sincero e do acolhimento único que só quem conhece a dificuldade de sobreviver com quase nada pode proporcionar. Falta água, mas isso não é novidade por aqui. É difícil, mas eles sempre dão um jeito de insistir e lutar.

Teve também bola rolando no campinho de pedras, teve expedição no mato, teve observação de céu a noite, muita estrela cadente, raios e objetos não identificados clareando o horizonte sem fim. No alto do cruzeiro, olhando o sol ir embora entre as montanhas de pedra, com o chinelo cheio de espinho de mandacaru e com meu graveto na mão, me senti tendo dez anos outra vez.

8.2.15

Da coragem

Uma das coisas mais interessantes que tem acontecido por aqui é observar esse movimento de mudança buscado e vivido por algumas pessoas que conhecemos. Mesmo sendo eles de círculos distintos de conviência e amizade, é engraçado perceber o desejo comum de mudar e fazer algo diferente das escolhas de antes.

Durante muito tempo, viveu-se com a ideia ainda amarrada de que quando escolhiamos um curso ou profissão, ficaríamos ligados a isso, felizes ou não, até o fim das nossas vidas. Uma herança do passado, eu sei, mas que maravilha é saber que hoje todos temos a opção de romper com o que não funciona mais ou com o que não nos deixa bem.

No nosso caso, enquanto estivemos longe, pudemos soltar as asas e amarras com mais facilidade. Aqui, para quem ainda está dentro desse esquema formatura-trabalho-comprar-carro-casar-comprar-casa, é bem mais difícil, não se pode negar. Mas, me deixa feliz mesmo é saber que apesar disso tudo, tem tanta gente perdendo o medo e se reinventando, do jeito que dá.

6.2.15

Do presente

Que alegria é poder presenciar uma nova geração de crianças fazendo barulho na casa da minha vó. Tantas gargalhadas, tantos brinquedos, tantos sorrisos! Me vejo sempre em cada uma delas não só nas brincadeiras, mas também nos carinhos e cuidados recebidos.

Gosto muito de observar também o ritmo da casa, as paredes, o telhado, o portão e os espaços tão cuidadosamente preenchidos de plantas no quintal - meu mundo preferido de sempre. Toda a calma e simplicidade da casinha amarela me faz pensar no que realmente importa para ser feliz.

Ontem teve mais bolo, e mais parabéns, e mais barulho, e mais gente em volta da mesa. Entre uma mordida e outra, fico só olhando, sorrindo e calada, enquanto agradeço ao universo a oportunidade de viver tudo isso outra vez.

2.2.15

Dos agoras

Declarei que, no meu mundo, o ano se iniciou mesmo foi no dia primeiro de fevereiro. Quero muito, muito mesmo, que esse mês seja tudo que janeiro não foi em termos de disciplina. Não quero mais desculpas para mim mesma, não quero mais amanhã eu vejo isso. Minha lista longa de desafios pede que o começo seja agora. Foi ontem, olhando para o mar, que eu decidi finalmente apenas começar.


30.1.15

Rotaroots | 15 coisas para fazer em 2015

Janeiro está indo embora, mas foi necessário vivê-lo por completo para entender melhor o que eu realmente quero e preciso fazer nesse ano. Escrever a listinha abaixo foi um exercício interessante, que engloba itens que já estão sendo trabalhados há algum tempo, mas que ainda necessitam de mais esforço e atenção da minha parte. Então, em 2015 eu quero e vou:

  • Cuidar da mente – aprender a meditar e me desconectar de vez em quando.
  • Cuidar do corpo – para usufruir de um futuro saudável.
  • Cuidar do espírito – e agradecer por cada dia, sempre.
  • Cultivar a disciplina – para o desenrolar dos dias.
  • Doar sangue – porque pode salvar vidas.
  • Escrever – porque me liberta.
  • Estudar – porque eu gosto e é necessário.
  • Jardinar – e deixar o ambiente verde por onde eu estiver.
  • Perder o medo de dirigir – e ser mais útil nas horas de socorro e necessidade.
  • Recomeçar – aqui ou lá, em qualquer lugar, todos os dias.
  • Respeitar – o meu limite e o do próximo.
  • Ser positiva – porque de negatividade o mundo já está cheio.
  • Ser presente – porque o tempo não volta.
  • Ser voluntária – pois o trabalho existe e precisa de muitos braços para ser executado.
  • Trabalhar – para viver e não o contrário.

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27.1.15

Dos reencontros

O tempo foge, a manhã voa e a tarde corre barulhenta na calçada. Enquanto penso nos meus dias, imagino que oitenta anos devem ter mesmo muitas histórias. Estar aqui nesse vinte e sete era uma possibilidade tão distante no ano passado e hoje aqui estamos, que felicidade. Que eu possa também chegar a sua idade com essa mesma saúde, energia e disposição para viajar por aí, vó! Um viva aos reencontros. 

Feliz aniversário. 

<3

26.1.15

Das grades

A brisa leve e solta da orla contrasta cruelmente com a sensação de calor e de enclausuramente no restante da cidade. Enquanto os tênis coloridos correm ligeiros entre ondas, bicicletas e patins, a realidade nos outros bairros é simbolizada por grades em todos os lugares. Não se vê mais o colorido das portas e janelas sem a presença dessa prisão.

Tem sido bom ver que finalmente algumas decisões estão sendo tomadas para um melhoramento de algumas áreas de Fortaleza, mas me entristece bastante saber que eu preciso me deslocar até o bairro nobre para usufruir de uma liberdade que deveria existir para todos e em todos os lugares. Um passo de cada vez e um dia a gente chega lá, eu sei.

Eu espero, do fundo do coração, que a mudança possa chegar aqui também. Que eu possa aproveitar a brisa da lagoa ao lado da minha casa para caminhar no final de tarde com segurança, que eu possa também andar de bicicleta verde em uma faixa exclusiva para esse meio de transporte, que eu possa ter acesso à tantos outros equipamentos urbanos. Eu não quero shopping, eu quero cidade.

21.1.15

Das notas

Perdi a conta de quantas vezes ouvi meu nome sendo chamado no portão aqui de casa nos últimos dias. Os meus passos rápidos no corredor e o tilintar do chaveiro nas mãos são quase sempre seguidos pelo sorriso ao encontrar um rosto amigo do outro lado das grades, que sempre aparece trazendo algo nas mãos.

Trouxe essas mangas para você, entregue essa mudinha de pimentas para a sua mãe, guardei essas sementes para o seu jarrinho, são algumas entre outras pequenas lembranças de tanto significado para mim. Sempre que recebo um presente assim, lembro daquele ditado que fala sobre só poder oferecer ao outro o que se tem.

Queria eu poder oferecer mais também, bem mais. Apesar das minhas tentativas, reprovo sempre nessa matéria de demonstração de cuidado e de amor. Mas eu venho lutando arduamente para mudar esse meu jeito e colocar para fora pelo menos metade do que acontece aqui dentro. Um dia eu tiro dez, um dia eu chego lá.

15.1.15

Dos mantras

Mês já na metade e por aqui o que reina é esse tempo verão de dias claros e nenhum compromisso com a realidade. O problema é que a cabeça não entende o comando férias e nem tudo são ondas e flores comigo, que não sei mesmo ficar parada e já estava ali me estressando por conta do que não me convém. 'Te acalma, criatura!' é o mantra oficial de janeiro.

11.1.15

Dos balanços

No balanço da rede, olhando o horizonte que amanheceu bonito que só para chover e pensando nos próximos passos que pretendo dar, foi assim que o meu domingo começou. Mais cedinho também teve tapioca feita por mim mesma para quem apareceu sem avisar, teve muito barulho, cachorro latindo, um gato de rua dormindo na mala, cheiro de chuva, plantas molhadas e carinho pelo celular.

Parece que tive um sonho bom que me fez acordar cedinho e tão melhor, com outra energia. Só posso agradecer essa graça divina com um sorriso da alma e um obrigada por me despertar. Há tanto para ser feito, melhorado, construído, aprendido e inspirado que não se pode perder tempo com tanta tristeza. Quem venham os planos e um ano novo de muito aprendizado para mim.

8.1.15

Do que passou

Nos meus rascunhos de adeus ao ano que já foi, o vazio foi a cor que predominou durante alguns dias até que eu conseguisse entender e aprender a conviver com os últimos acontecimentos. Foi um ano complexo e difícil que se despediu da mesma forma que chegou, de um jeito caótico e emudecedor. Calei por muitos dias, foi necessário calar.

Apesar da alegria de estar aqui, algo que queríamos tanto, eu sabia que esse período não seria fácil e que eu encontraria grandes provas a minha espera. Encontrei e em dezembro eu fui muitas metades. Alívio, felicidade, tristeza, esperança, alegria, medo, coragem, fé, humildade, sorriso, silêncio, angústia e a dor profunda da realidade. 

Foi a primeira vez que eu disse adeus e enterrei um pedacinho do peito. Foi a primeira vez que eu vasculhei fotografias e falei sobre nossos dias já com saudade. Foi a primeira vez e como doeu, apesar de saber que hoje minha melhor amiga está em paz. Foi a primeira vez também que ele passou o reveillon no hospital, fazendo companhia ao meu avô para que minha mãe pudesse dormir em casa no dia do seu aniversário.

Apesar das dores, 2014 também foi querido e trouxe para a minha vida experiências maravilhosas de carinho, amizade, aprendizado, superação e muito trabalho. Pude finalmente rever minha família e estar perto deles nesses dias tão tristes para mim, o que me conforta. Estou realizando diariamente minhas pequenas grandes vontades, plantando roseiras, aprendendo a brincar com as agulhas e sendo presente de verdade.

1.1.15

Dos pedidos

Para 2015, o meu maior desejo continua sendo o mesmo do ano passado: que todas as pessoas que eu amo tenham muita saúde. Com saúde e coragem tudo é possível. Saúde para aproveitar melhor os dias e as oportunidades, coragem para enfrentar os desafios e dificuldades com muita fé de que, de um jeito ou de outro, tudo vai se acertar.


Feliz ano novo para nós.