7.3.15

Dos dramas

É engraçado pensar sobre as emoções que uma música ou uma voz adquire com as experiências que a gente vai coletando pelo caminho. O que um dia era boa lembrança e sorriso, vira memória ruim e desespero para alcançar o botão do volume e mudar a canção. O artista não tem nada a ver com a história, mas, infelizmente, a trilha sonora acaba marcando para sempre mesmo e ponto final.

Serei odiada pelo resto dos meus dias, mas confesso que ouvir Elis Regina hoje me irrita profundamente. Eu amava as músicas que ela canta, assim como tantas outras do Chico e companhia, que me embalaram por horas durante tanto tempo. Eu sei da importância desses artistas para a nossa cultura, mas teve uma experiência ruim no caminho e acabou-se a boa memória.

A minha implicância com a Elis se dá justamente pelo drama envolvido em quase tudo que ela canta e pelo fato da personificação da memória ruim ser tão dramática quanto a interpretação de atrás da porta. Se tem uma coisa que eu me recuso a aturar nesse mundo, essa coisa é drama, principalmente quando ele é feito sem motivo ou por futilidade. Não dá. Desculpa Elis, desculpa Brasil.

Não que o motivo da música seja fútil. Ali, a gente se joga e se acaba mesmo, com toda a razão. Agora, fazer cada minuto da sua vida um drama, querer que o mundo gire em torno de si, dar escândalo, inventar mentiras, se fazer de vítima e ainda envolver terceiros em confusão sem nenhuma necessidade? Desculpa aí, mas eu não sou obrigada a aturar isso não.

Espero que um dia eu esqueça a experiência ruim ou atribua uma nova boa lembrança para a voz da Elis na minha memória. Que eu também ria do que passou, que eu enxergue tudo com mais clareza e leveza. Que eu releve o absurdo e supere de uma vez por todas. Quem sabe, um dia eu até esqueça. Quem sabe, um dia, quem sabe... 

2 comentários:

  1. As vozes e as músicas que queremos esquecer.
    Sofri "os dramas" da Ana Carolina, até entender que a vida é bem mais e mais legal que todo esse drama desnecessário.

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    1. É verdade, Bruna! =)

      Hoje em dia me esforço bastante para não relacionar mais as minhas músicas favoritas a nenhum momento chato. Já basta o tormento que a voz da Elis me causou, ainda mais por uma coisa tão nada a ver comigo mesmo! Hahahahahaha

      Um beijo!

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