8.9.15

Das folhas

Cinco folhas e não passava disso há meses. Cinco folhas e nenhuma flor, nenhuma para contar história. Cinco folhas e eu tentando entender o que estava fazendo de errado, se era pouco ou muito sol. Faltava luz, literalmente. Ontem, num impulso, arranquei a planta pela raiz. Coloquei em um vazo um pouco maior, varri a terra que sobrou no chão e fui dormir. Acordei com a surpresa de um botão de amarílis me dando bom dia e fui tomar café. Entre um gole e outro, observando o verde que floresce, percebi que tem gente que parece mesmo é planta. Basta apenas mudar de lugar, basta só mostrar um pouco mais de luz e a pessoa floresce de caminhos, sonhos e ideias.  

5.9.15

Do verão

Aos poucos, tento voltar ao exercício diário de descrever as coisas bonitas que tenho encontrado ao meu redor. A estrada tem ajudado bastante na minha tarefa, é verdade, mas nem tudo são flores e os espinhos sempre exigem cuidados.

O meu distanciamento nos últimos meses foi um exercício extremamente necessário. Não houve palavra, mas houve mergulho. Não houve anunciação, mas houveram algumas mudanças e muitas decisões. Foram águas turvas, mas superei o medo e me deixei banhar pelos dias sem horas.

Foram dias bons. Dias em que me permiti sentir o calor do verão sem nenhum compromisso. De reencontros, de brindes, de cafés e de abraços. De vento no rosto, de esmalte vermelho, de longas caminhadas e de horas de viagem. De muita natureza, muitas flores, muitos lagos.

Hoje a noite, com o corpo moído de um cansaço bom de um dia bastante produtido, me senti feliz e em paz. Feliz por ter sido tão agraciada durante todos esses trinta anos de vida e por poder levar comigo memórias tão bonitas, tão verdadeiras.