27.5.16

Das redescobertas

A missão mais complicada que recebi nos últimos dias foi a de tentar me reencontrar. Cada dia, uma nova batalha. Cada passo, a busca de um porquê. Na bagagem para essa viagem interior tem música antiga, uns livrinhos de esperança e paz, o sabor do chocolate, listas espalhadas em post it colorido e alguns desejos infantis. Tem sido uma verdadeira luta entre a antiga e a atual, a sempre-fui-assim eu e a eu que-quero-ser. Uma confusão danada, um verdadeiro enlinhado como se diz por aqui. A cada pequeno nó desatado, a cada redescoberta de mim, uma grande vitória celebrada de pés descalços. O sufoco constante na garganta já sumiu e foi fácil entender o motivo: voltei a escrever.



25.5.16

Do céu

Não sei como anda o céu de vocês, mas por aqui o espetáculo de cada dia tem sido cada vez mais incrível e hipnotizador. Pela manhã, quando não chegam as nuvens acinzentadas de chuva - mais que necessária, diga-se de passagem - o amanhecer se desdobra em cores e desenhos em nuvens sem fim.

O dia segue quente, sol a pino, céu azul, quase nenhuma nuvem no céu. Nossa sorte é essa brisa que chega para acalentar as árvores e apaziguar um pouco do calor desse nosso verão eterno. Seguem as horas e com elas as copas dançantes ganham cores mais ou menos verdes, a depender do caminhar imponente do astro rei.

Perto das quatro, o céu já se prepara para receber a aquarela mais bonita do dia. Aos poucos, o horizonte ganha o contorno das cores alaranjadas, vermelhas, lilázes e azuis. Não sei explicar muito bem, aliás, nem se pode explicar uma beleza desse tamanho que se transforma em tão poucos minutos. Basta um piscar de olhos e tudo muda!

A noite chega e também não deixa nada a desejar. Impressão minha ou o céu anda cada dia mais estrelado? A lua banha as ruas e as calçadas, as estrelas mais parecem brilhantes, sem contar com a presença de alguns planetas que se fazem visíveis a partir de umas horas. Se eu pudesse, ficava a noite inteira olhando pro céu.

Tenho em mim esse pó que vem da terra e um tanto mais de poeira cósmica que nem sei. Sempre que penso na minha vida, nos meus medos, nas minhas escolhas e nos meus planos, olho para o alto e vejo o quanto sou pequena. Tento me acalmar ao encarar o caos e o silêncio, não demora muito e eu só posso agradecer.

8.5.16

Dos sonhos lúcidos

Foi engraçado olhar pela janela e admirar aquele pôr do sol outra vez.“Pensei que nunca mais iria reviver esse momento” disse, muito lúcida no sonho, enquanto olhava o infinito céu de fogo se transformando na minha frente. Eu olhava e reconhecia cada pedacinho daquele horizonte único que eu tanto admirei.

Olhei para a mesa da sala e vi dois livros para crianças com o título em português. Achei tão engraçado e me perguntei como as crianças fariam para entender o que havia escrito ali. Lembrei que a ilustração é também uma linguagem universal enquanto admirava algumas páginas e sorri. Enquanto caminhava pela sala, pensei o quanto foi bom estar ali outra vez e acordei.


4.5.16

Dos últimos dias

Das certezas - escrever o livro.

Das dúvidas - o próximo grande passo.

Dos orgulhos - o de ter coragem de mandar o medo pra casa do caralho quando ele insiste em querer ser maior que eu.

1.5.16

Do depois

Tem sido assim a cada despedida, é como ganhar uma passagem gratuita para embarcar no navio fantasma dos questionamentos. Pra quê tanta loucura, tanta correria, tanto depois se o amanhã pode nem chegar para nós? Olho para o lado e vejo meus pais, minha família, minha vó e agradeço por mais um dia por aqui. Só agradeço.