28.11.16

Dos hábitos

Há uns três anos eu reclamava que não conseguia acordar cedo e existir ao mesmo tempo. Simplesmente não dava, apesar dos meus esforços durante todo o tempo em que precisei funcionar a partir das sete ou oito da manhã. Até que um dia me deram o fatídico aviso: deixa só chegar “os trinta” e você verá como isso vai mudar. Até hoje não sei se foi um milagre ou se foi uma praga que me jogaram quando me assumi notívaga e coruja perante essa sociedade fitness e tanquinho das trevas, que corre às cinco da manhã como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Não é. Corta para 2016, esse ano louco de reviravoltas absurdas. O ano em que comecei a acordar bem antes das seis da manhã, naturalmente, sem despertador, mesmo sem compromisso marcado, mesmo sendo domingo ou feriado. Coincidência, praga ou não, é um mistério. 

23.11.16

Dos pontos de vista

Continuo com essa mania de andar por aí admirando as fachadas e calçadas floridas que me encontram pelo caminho. Divago olhando os letreiros, as latinhas que viram vasos, as folhagens diversificadas, o cuidado de um ou outro com o que existe de verde na nossa cidade. É tudo muito sutil e nem todo mundo tem tempo, ou pode estar atento às belezas que estão livres por aí.

Outro dia, a vizinha que mora em frente a nossa casa bradava aos ventos que preferiria morrer queimada pelo sol da tarde a ter que varrer todos os dias algumas poucas folhas secas que cobrem o chão. Fiquei pensando nisso, nessa sentença de morte, nesse grito tão forte. Tanta  raiva, tando ódio que a faz preferir a morte a ter que cuidar de algo que a protege do sol intenso de todas as tardes.

Enquanto isso, a vizinha da casa ao lado acorda todos os dias bem cedinho. Pega a sua vassoura, varre a rua de uma ponta a outra, às vezes de pés descalços, sempre cantando. Ela cuida das árvores que ficam “do lado do sol” e sua calçada é abrigo das conversas do fim de tarde. No galho da árvore que fica em frente a sua casa tem um balanço colorido onde o seu neto brinca e contagia quem passa perto de felicidade.

14.11.16

Dos eixos

Entre um gole e outro de café, nos demos conta de que já vivemos aqui um ano após o nosso retorno. Tantas coisas aconteceram! A rotina maluca que abraçamos, os projetos que saíram do papel, as escolhas e as renúncias de cada dia, as oportunidades que surgiram entre um tombo e outro só me levam a crer que a vida é mesmo uma história muito maluca. Ano passado, nesse mesmo mês, nem em sonho eu imaginaria que minha vida, de certa forma, entraria nos eixos, se é que se pode dizer a vida tem algo assim. E no meio de tanta correria só agora me dei conta de que estou hoje riscando os itens de uma lista de desejos que escrevi tempos atrás.