23.11.16

Dos pontos de vista

Continuo com essa mania de andar por aí admirando as fachadas e calçadas floridas que me encontram pelo caminho. Divago olhando os letreiros, as latinhas que viram vasos, as folhagens diversificadas, o cuidado de um ou outro com o que existe de verde na nossa cidade. É tudo muito sutil e nem todo mundo tem tempo, ou pode estar atento às belezas que estão livres por aí.

Outro dia, a vizinha que mora em frente a nossa casa bradava aos ventos que preferiria morrer queimada pelo sol da tarde a ter que varrer todos os dias algumas poucas folhas secas que cobrem o chão. Fiquei pensando nisso, nessa sentença de morte, nesse grito tão forte. Tanta  raiva, tando ódio que a faz preferir a morte a ter que cuidar de algo que a protege do sol intenso de todas as tardes.

Enquanto isso, a vizinha da casa ao lado acorda todos os dias bem cedinho. Pega a sua vassoura, varre a rua de uma ponta a outra, às vezes de pés descalços, sempre cantando. Ela cuida das árvores que ficam “do lado do sol” e sua calçada é abrigo das conversas do fim de tarde. No galho da árvore que fica em frente a sua casa tem um balanço colorido onde o seu neto brinca e contagia quem passa perto de felicidade.

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