7.5.17

Dos alertas

Os dias têm passado sem que eu me dê conta, nem acredito que já é domingo outra vez. Tudo bem que os benditos feriados de abril contribuíram um pouco para essa sensação de distorção do tempo, fazendo das quintas novas sextas e das terças novas segundas. Mas os feriados, apesar da grande ajuda, foram poucos para uma cabeça que não descansa.

Não encontrei ainda a fórmula mágica do equilíbrio e preciso confessar que esse tudo-ao-mesmo-tempo-agora de acontecimentos têm me levado à completa exaustão física e mental. Parece que vinte e quatro são poucas horas ou então sou eu que estou tentando dar passos mais longos que minhas pernas podem alcançar.


Já recebi um sinal de alerta, preciso desligar.

23.4.17

Das Caixas

Depois que aprendi a me desapegar de quase tudo, tem sido difícil para mim voltar a comprar determinadas coisas. Como nesse momento tenho a sorte de ter acesso a várias bibliotecas por aqui, sempre que preciso de um livro para estudo ou lazer, recorro ao empréstimo. Isso tem funcionado bem para mim, o que me leva a comprar livros somente quando preciso dar algum presente.

Nos últimos meses, senti necessidade de começar a adquirir um material mais “meu”. Com o retorno aos estudos, obviamente, preciso fazer observações e anotações e, por usar um material emprestado, eu não poderia riscar ou danificar de nehuma forma os livros que estavam comigo. Acho um absurdo quem suja, danifica e rabisca um livro alheio, principalmente os da bibliotecas.

Eu já estava “juntando as moedas” para adquirir os livros mais urgentes na bienal essa semana quando tive uma grata surpresa. O vizinho que está de mudança deixou uma caixa de livros na rua para doação. Quando abrimos a caixa, advinha só quem estava lá entre tantos volumes: os três livros que eu iria comprar! Não teve jeito, abraçei os livros e pulei de alegria. Quem não pularia?

5.4.17

Dos sustos

Agora somos parte das estatísticas, minha mãe e eu.

Ela, que foi diagnosticada com dengue na última sexta-feira, quase nos matou do coração ao perder os sentidos e desmaiar de tão fraca que estava. A sorte foi minha irmã estar bem perto e perceber o exato momento em que nossa mãe se desequilibrava. Ela não se machucou, foi hospitalizada e muitas horas e litros de soro na veia depois, voltou para casa. Ela está de repouso absoluto e está se recuperando bem.

Eu não me sentia bem desde a última quinta-feira, mas ainda não havia aparecido nenhum sintoma concreto. Na sexta, as primeiras manchinhas no corpo surgiram, mas depois do susto que levamos com minha mãe, fiquei meio anestesiada. No sábado, me senti um pouco mais fraca, mas o dia foi relativamente normal entre goles de soro caseiro, água de côco, sopas e sucos. Era madrugada quando levantei para verificar se minha mãe estava com febre, fui à cozinha buscar água e então aconteceu: perdi os sentidos e desmaiei também.

Que coisa mais esquisita é perder o controle de si! Eu achava que "estava bem" e não percebi o quanto o meu organismo ainda estava fraco. Como cai com o rosto direto no chão, que maravilha, fiquei com o lado direito um pouco machucado, mas nada demais. O "lado bom" desse caos todo foi o carinho e cuidado que recebemos de todos durante esses dias de molho em casa. Somos peças de uma engrenagem muito maior e não vejo a hora de estar funcionando 100% novamente. Estamos quase lá!


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ps: Gente, com essas chuvas não dá mesmo para dar bobeira para os mosquitos! Fiquem de olho para não deixar água parada por aí também! <3

25.3.17

Dos voos

Em 2011, exatamente nesse mesmo dia, embarcávamos para a nossa aventura no velho mundo. Foram três meses que se transformaram em quatro anos de crescimento e de experiências incríveis. Basta fechar os olhos para reviver o primeiro dia, o primeiro café da manhã e a primeira caminhada pela cidade. Tudo era incrivelmente mágico e eu não conseguia acreditar que estava lá depois de tanto tempo, tantos planos e tantos adiamentos.

(…)


Foi incrível, mas não me arrependo de ter voltado, apesar do cenário atual, das lamentáveis últimas notícias e de todos os pesares envolvidos. As experiências profissionais e pessoais que vivemos aqui nesse momento também foram muito desejadas e planejadas. Não sabemos ainda o que será de nós nos próximos anos, mas sinto que é como se estivessemos novamente na fila, aguardando a nossa vez para pular no trampolim de novas possibilidades.





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ps: E a vontade de colocar o circunflexo no título? =P

14.3.17

Dos discursos

Nos ônibus, nas calçadas, nas filas, está difícil andar por aí sem ouvir o ódio gratuito sendo destilado por todos os lados. São opiniões grosseiras, preconceitos enraizados, ignorância exposta sem dor e sem máscara. É tanta falta de respeito e bom senso que às vezes me pergunto se o que vejo e e escuto é mesmo verdade.

Como é difícil se colocar no lugar do outro e compreender as necessidades, as dificuldades, as desigualdades e as limitações de cada um. É tão mais fácil julgar, possuir a certeza e a verdade absoluta, e até o direito de matar outro ser humano a pauladas! Somos uma sociedade doente e, para a surpresa de muitos, o ódio não tem endereço certo ou classe social.

Eu sei que está difícil, que é desumano suportar tanta desigualdade e injustiça, mas precisamos sim fazer um esforço. Vamos ouvir melhor e observar a nossa rotina com mais cuidado. Vamos respirar fundo e tentar não colaborar com a propagação de boatos e mentiras. Não é fácil, mas precisamos tentar, nem que seja por um único dia, a não alimentar esse ódio que, a cada dia que passa, leva um pedaço de nós. 

3.3.17

Das cinzas

Escrevi dezenas de posts no mês de fevereiro, mas estranhamente, nenhum deles tomou corpo ou palavras e ficou por aqui. Com a variedade de mídias disponíveis atualmente, não tem jeito mesmo e um texto se transforma mais facilmente em uma imagem ou se resume em 140 caracteres. A cada dia fica mais difícil escrever.

Assim como diz o ditado, meu ano também recomeçou pra valer – psicologicamente – agora na quarta-feira de cinzas. Não que janeiro e fevereiro tenham sido um mar de águas calmas, muito pelo contrário. O carnaval veio mesmo como uma válvula de escape e descanso para a mente, pausa mais que necessária para me trazer um pouco de freio para meus dias acelerados.

Tivemos dias bem chuvosos por aqui e que maravilha foi poder acordar e dormir com o barulhinho sagrado no telhado, sem hora para nada, curtindo o bom e velho ócio. Também visitamos amigos, comemoramos mais algumas boas conquistas e tomamos algumas decisões necessárias para o desenrolar dos nossos projetos em andamento.

2017, agora vai.

29.1.17

Da alma

Um dia, enquanto tomava café e olhava o quintal, fazia algumas observações sobre as plantas quando minha quando vó disse que sempre quis ter uma orquídea. Lembrei de outro dia, quando ela me viu chegar em casa com uma sacola de mudas de mudas floridas e perguntou se alguma daquelas era uma orquídea. E passou.

Nos últimos dias de janeiro, minha vó estava com a saúde frágil e, apesar de não falar nada, foram dias muito difíceis para mim. Fiz algumas visitas durante a semana e em meio a uma recomendação e outra de cuidados, percebi um vasinho de orquídea branca, de plástico, na mesa da cozinha. Estava decidido.


Foi com muita alegria que comemoramos o aniversário de 82 anos da minha vó no último sábado. Todos os tios reunidos, crianças correndo pela casa, muito barulho, tudo muito simples e verdadeiro. Quando cheguei com o presente, que coisa linda foi ver os olhinhos dela brilhando quando olhava para a flor e me abraçava apertado. Naquela hora ninguém mais viu, mas ela me sorriu com a alma.

15.1.17

Dos planos

Confesso que essas duas primeiras semanas de 2017 foram vividas no modo automático e só agora tive coragem de encarar friamente o papel para escrever as “coisas a fazer” nos próximos meses. O ano que passou permitiu que eu realizasse alguns dos grandes desejos dos últimos tempos, que era voltar a trabalhar na minha área e voltar para a universidade. Essas duas atividades continuarão preenchendo basicamente todos os minutos dos meus dias.

Para esse ano, não quero nada de muito extraordinário na lista. O objetivo principal é continuar trabalhando, estudando e crescendo. Mas preciso acrescentar uma rotina de atividade física e preciso também separar um momento no final de semana para o lazer. Nem é tanta coisa assim, mas trazendo para a minha realidade, não estou encontrando meios de encaixar a vida real em 24 horas. Como é que vocês conseguem?

Não sou tão desorganizada com minha rotina e minhas coisas, o maior vilão por aqui atualmente é o tempo de deslocamento entre as minhas atividades diárias, que acontecem em pontos distintos da cidade. Tem o ônibus lotado e têm o trânsito de cada dia. Nem sempre é possível, mas o jeito é otimizar esses vários minutos diários e adiantar as leituras da faculdade, por exemplo. 

Nunca me senti tão fraca e tão cansada, tudo consequência do sedentarismo. Minha coluna exige que eu faça alguma coisa – urgentemente – e pelo andar da carruagem, só caminhar por aí não vai dar muito certo não. Vou ter que procurar ajuda para fortaceler minha musculatura e tudo indica que precisarei me matricular em uma academia. Onde? Boa pergunta. Ainda estou analisando a rotina, os deslocamentos, o horário das disciplinas e todas as variáveis possíveis para que eu possa encaixar essa atividade na minha vida.

No meio disso tudo, quero também aproveitar melhor os meus dias. Quero continuar cuidando do jardim, que me faz um bem tão grande e é a minha melhor terapia. Quero finalmente iniciar os meus estudos relacionados à espiritualidade, algo que já venho fazendo a algum tempo sozinha, mas que agora precisa ser acompanhado e direcionado. Quero também aproveitar a vida e a cidade no meu momento de lazer, ir ao cinema, ao teatro, à praia, etc.

Olhando agora tudo escrito no papel, parece até muita coisa, mas não acho que não seja realizável. O que não dá é para levar uma rotina sem verdade: sem vida, sem sorriso, sem luz e sem cor. Que o nosso ano seja feito de encontros bonitos e de conquistas sinceras, sem essa paranóia diária de tempo e de produtividade. Espero que dê certo, vamos ver no que vai dar. =)

12.1.17

Dos esquecimentos

Há dias que ando com uma sensação maluca de estar esquecendo alguma coisa e não faço a mínima ideia do que possa ser. Não consegui ainda entrar no ano novo e também não estou no ano velho, caminho por um limbo de datas e contratos. Ainda bem que não assino nada e que o computador está atendo aos meus dias. Seria isso um reflexo de não ter ainda comigo uma agenda para organizar os meus próximos passos? Talvez seja o não mergulho da alma, que tira a poeira do que passou e limpa a mente para o que virá.. 

5.1.17

Do chão

Choveu bastante durante a manhã e, durante o percurso para o trabalho, fui observando os já tão familiares pontos de alagamentos que existem pela cidade. Mais uma vez, a fila interminável de pessoas que aguardavam o ônibus denunciava um possível atraso. Rotina, nada de mais.

Na fila, a mulher que estava na minha frente demonstrava bastante impaciência. Se mexia sem parar, falava ao celular e comia bombons, um atrás do outro, obsessivamente. Achei curioso e agradeci aos céus por estar calma nessa manhã. Tinha prometido a mim mesma que não me estressaria com bobagens.

Conhecer a dinâmica que ocorre todos os dias nesse mesmo horário ajudou bastante, é verdade. Os ônibus atrasados chegam sempre juntos e saem em comboio. Não importa se você chegou quarenta ou vinte minutos antes: vai sair junto com os demais. O destino é chegar atrasado.

Para a minha surpresa, percebi que o chão se enchia de embalagens. Uma, duas, três, quatro... Olhei para as mãos nervosas da moça da fila e pude testemunhar o fato. Com a mesma raiva que desembrulhava os bombons, jogava os papéis no chão. A lixeira a menos de três passos de  distância e a rua do outro lado alagada.

Fiquei incomodada e não sabia o que fazer. Chamar a atenção de uma  mulher da minha idade por jogar papel no chão? Fiquei envergonhada. Olhei a bolsa, o vestido, as unhas feitas, o celular da moda na mão. Tentei fingir que nada estava acontecendo, mas não pude ignorar. Apanhei todos os papéis do chão e fiquei esperando ela pegar o próximo bombom. Assim que terminou de colocar na boca eu bati delicadamente no ombro dela e falei: me dá moça, eu coloco no lixo pra você.

Ela ficou visivelmente sem jeito. As pessoas em volta também ficaram envergonhadas. Não sei se fiz o certo, se foi a abordagem mais adequada, mas não poderia não fazer nada naquele momento. Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada pela educação ambiental. Dois ônibus chegaram. Ela foi no primeiro, lotadissímo. Fui sentada no que veio atrás. 

2.1.17

Dos dezessete

De 2016 levo o aprendizado e a esperança de dias melhores - bem melhores, por favor - para todos nós. Que seja um ano novo de muita leveza, de chuva, de sorrisos, de mar e de alegrias.