22.9.17

Das paredes

Caminhando pelos corredores da Universidade, percebi a presença de alguns cartazes amarelos em alguns locais bem estratégicos. É como uma porta que se abre na hora certa em um corredor que não tem saída, daquelas que você olha, mas não vê se não estiver realmente atenta. Frases como “você é importante”, “não se cobre tanto”, “foi só uma prova” estão espalhadas por todo o prédio e no hall de entrada existe um painel incentivando os alunos a escrever o motivo pelo qual vale a pena viver. Apesar de ser uma ação aparentemente boba e simples, foi engraçado perceber como eu, que estava em um dia muito difícil, me senti confortada. Espero que mais alguém tenha se sentido abraçado também e, principalmente, que tenha encontrado um motivo para seguir em frente e para pedir ajuda.

10.9.17

Do domingo

Acho que assim como grande parte das pessoas, nunca fui muito fã do domingo. Por mais que eu aproveite bem as minhas horas de descanso no sábado, sempre tenho aquela famosa depressão pré-segunda-feira. Bem que o relógio poderia desacelerar e demorar mais um pouco para o final de semana acabar, não é mesmo? Mas já que não dá, o jeito é encarar a realidade.

Para falar a verdade, domingo continua não sendo o meu dia da semana favorito, mas depois ver por aí nas redes uma imagem que falava sobre aprender a atribuir coisas boas não só para a sexta-feira ou para o sábado, resolvi dar uma nova chance e tentar deixar o preconceito de lado para aproveitar melhor o meu domingo também.

O ideal mesmo seria passar o dia ao ar livre, curtindo uma praia ou fazendo um passeio no parque. Mas, como na realidade nem sempre isso é possível ou eu mesma não tenho disposição para para sair no sol, me dou de presente o privilégio de dormir até um pouquinho mais tarde. Tomo o meu café com calma, converso com minha família, cuido das plantas e faço um pequeno, mas necessário, ritual de beleza.


Ouvir música, ficar em silêncio, ler um livro leve, dormir um pouco mais durante a tarde, aproveitar a cama e a preguiça do fim de tarde sem culpa tem sido muito bom também. Mas o aprendizado mais importante dessa tentativa carpe diem de ser não é só sobre aproveitar o dia de hoje, mas também sobre cuidar da ansiedade e a aprender a deixar o amanhã para amanhã. Sem pressa, um dia de cada vez.

8.9.17

Das impressões

Na última quarta-feira fui à antiga faculdade para cancelar a minha matrícula e a moça da recepção olhou bem seriamente para mim enquanto entregava a folhinha de solicitação e perguntou se eu era maior de idade para realizar o procedimento. Respondi que sim e só pude rir no momento, já que aparentemente foi só cruzar a casa dos trinta para que a sociedade, de uma maneira geral, passasse a me chamar de senhora onde quer que eu vá.

Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que uma pessoa me chamou seriamente de senhora. Não foi aquele senhora por educação, foi um senhora por eu aparentemente ser mais velha mesmo. Cheguei em casa chocada. Nunca tive nenhum problema com a minha aparência e muito menos com a minha idade, mas naquele dia eu me questionei se estava mostrando para o mundo uma imagem diferente da que eu sou realmente.

Tudo bem que eu não tenho mais vinte e tantos anos e que pode ser que o estresse diário me torne sim uma pessoa mais séria e sisuda. Será que são as roupas que eu escolho? Apesar de saber que eu sou uma cópia da minha mãe, nunca mesmo me imaginei como senhora. Foi tão estranho! Minha cabeça, meus olhos, meus cabelos cacheados, tudo ali como sempre foi. E eu virei uma senhora.

Falando em mãe, lembrei de um dia em que ela se olhava no espelho enquanto se arrumava para uma festa e me disse que não tinha percebido que o tempo tinha passado. Ela me disse que na cabeça dela ela ainda era aquela menina de vinte anos, mas que o espelho mostrava que não. Na época, eu ainda muito menina, não entendi como alguém não poderia sentir o tempo passar. Hoje eu entendi, mãe. Agora eu senti no reflexo que o tempo não passou também.

4.9.17

Das intuições

Tem gente que não acredita e acha até que é brincadeira, mas pelo menos comigo é incrível como a minha intuição nunca falha. Isso mesmo, nunca, nem nas menores besteiras, nem nas maiores também. Esse é o meu medo.

Mesmo quando todos ignoraram a minha dúvida, eu sentia que aquele detalhe na documentação de um processo do trabalho traria problemas futuramente. E trouxe. Agora é resolver e não "deixar pra lá" nem mais uma vez quando a minha intuição falar.

3.9.17

Dos planos

Para agosto eu tinha um plano secreto de escrever diariamente, nem que fossem duas linhas, para tentar voltar a ter o hábito de sempre passar por aqui. Não teria nada além de uma rotina, de pequenos detalhes ou algumas descrições imperfeitas de acontecimentos que acho que gostaria de lembrar algum dia.

Dos grandes acontecimentos a gente sempre guarda uma recordação, sejam elas alegres ou tristes. Mas, e dos pequenos? O que sobra das pequenas gentilezas, aprendizados, descobertas e alegrias? Por aqui assumo logo que a tendência é esquecer, apesar do meu esforço diário de prestar atenção nas coisas que acontecem ao meu redor. Não tem jeito, a rotina suga as nossas lembranças.

O Retrato sempre me ajudou a guardar os pequenos detalhes de cada momento que registrei por aqui. Sempre que leio um post antigo, consigo sentir exatamente o que eu estava sentindo e o que me motivou a escrever. Em alguns deles, consigo até mesmo o visualizar o momento em que escrevia, a roupa que estava usando e o local onde estava. De uns anos pra cá, apesar das experiências continuarem acontecendo, sinto como se eu estivesse deixando o livro das minhas memórias em branco.

Completei 32 anos no dia 27 e não tem uma linha escrita sobre esse dia. Sobre como acordei tarde e encontrei ele arrumando a casa para que eu não me estressasse com a bagunça de sempre; sobre como minha sogra chegou com duas sacolas carregadas de ingredientes e preparou uma peixada maravilhosa para o nosso almoço; sobre como o dia correu calmo, quente e melancólico como qualquer domingo; sobre ter a sorte de estar perto da minha família; sobre quem não precisa de nenhuma rede social para lembrar e nunca esqueceu.

Tentei me lembrar também dos detalhes de alguns dias que foram importantes para mim nesse hiato não planejado aqui no blog e o que veio na memória foi uma mistura de dias iguais e muito vazio. Bem, foi por conta dos mesmos motivos de sempre que o plano não funcionou em agosto, mas vai funcionar em setembro sim! Assim espero.