8.9.17

Das impressões

Na última quarta-feira fui à antiga faculdade para cancelar a minha matrícula e a moça da recepção olhou bem seriamente para mim enquanto entregava a folhinha de solicitação e perguntou se eu era maior de idade para realizar o procedimento. Respondi que sim e só pude rir no momento, já que aparentemente foi só cruzar a casa dos trinta para que a sociedade, de uma maneira geral, passasse a me chamar de senhora onde quer que eu vá.

Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que uma pessoa me chamou seriamente de senhora. Não foi aquele senhora por educação, foi um senhora por eu aparentemente ser mais velha mesmo. Cheguei em casa chocada. Nunca tive nenhum problema com a minha aparência e muito menos com a minha idade, mas naquele dia eu me questionei se estava mostrando para o mundo uma imagem diferente da que eu sou realmente.

Tudo bem que eu não tenho mais vinte e tantos anos e que pode ser que o estresse diário me torne sim uma pessoa mais séria e sisuda. Será que são as roupas que eu escolho? Apesar de saber que eu sou uma cópia da minha mãe, nunca mesmo me imaginei como senhora. Foi tão estranho! Minha cabeça, meus olhos, meus cabelos cacheados, tudo ali como sempre foi. E eu virei uma senhora.

Falando em mãe, lembrei de um dia em que ela se olhava no espelho enquanto se arrumava para uma festa e me disse que não tinha percebido que o tempo tinha passado. Ela me disse que na cabeça dela ela ainda era aquela menina de vinte anos, mas que o espelho mostrava que não. Na época, eu ainda muito menina, não entendi como alguém não poderia sentir o tempo passar. Hoje eu entendi, mãe. Agora eu senti no reflexo que o tempo não passou também.

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