29.10.17

Do amanhã

Eu frequento uma terapia em grupo há algum tempo. Temos um encontro semanal onde lemos um texto, fazemos uma reflexão sobre o que foi lido e depois as pessoas se sentem a vontade para falar ou não sobre o tema em questão. Compartilhamos situações difíceis, pequenas vitórias, algumas tristezas e aprendemos sobretudo a ouvir e a tentar compreender o outro. Opiniões são dadas, novos pontos de vista compartilhados e a cada encontro saímos com a sensação de que temos ainda muito a aprender. Tem me feito muito bem.

Em um desses encontros, conversávamos sobre a violência e as suas consequências nas nossas vidas. Nossa mediadora, que é uma pessoa de uma sensibilidade incrível, encontra sempre o momento certo para intervir e fazer algum questionamento que nos leve a analisar a situação por um prisma diferente. Na última reunião ela fez o comentário que transcrevo abaixo:

Muito se fala sobre violência, sobre o medo de morrer, sobre a possível existência de vida após a morte... Mas existe vida antes da morte?”

Foi interessante ver um grupo de mais de vinte pessoas emudecer ao mesmo tempo. Nós temos a certeza de somos indestrutíveis, de que nada de mal nos acontecerá, de que a morte não baterá à nossa porta e seguimos deixando tudo que deveria ser primordial para depois. Para depois a ligação para os pais, o abraço na avó de quase noventa anos, o “tá tudo bem com você?” para os próprios irmãos, o agradecimento ao amigo um pouco ausente... E se o amanhã não chegar?

O quê você anda fazendo da sua vida?
E da vida das pessoas que passaram pelo seu caminho?
Que sementes você quer deixar para quando não estiver mais aqui?
Que lembranças os outros terão de você?

Há algum tempo eu passei a me cobrar responsabilidade sobre os meus atos e sobre as consequências diretas e indiretas que eles podem exercer sobre outras pessoas. É um caminho difícil e obviamente não podemos trazer para nós todas as consequências das escolhas de outras pessoas, mas acredito seriamente que muitos problemas poderiam sim ser evitados se todos tivessem um pouco mais de consciência de si e dos seus atos. 

Como a última reunião nos deixou com esse convite à reflexão, resolvi vir ao blog para deixar um registro e para fazer um convite também a quem quer que passe ao acaso por aqui. E, por mais clichê que possa soar: o que você fez da sua vida até hoje? E se o amanhã não chegar?

11.10.17

Dos renascimentos

Parece que a tal crise dos trinta atrasou um pouquinho e só chegou agora, dois anos depois, me fazendo questionar ainda mais alguns caminhos e escolhas. Diferentemente de outras ocasiões, esse momento tem sido encarado de uma maneira muito positiva. Tem sido um convite para analisar aquilo que precisa ser modificado com mais urgência e como uma grande oportunidade para me reinventar.

A verdade é que, por mais que a gente tente todos os dias, não dá para fugir de si mesmo durante muito tempo, todos nós sabemos disso e teimamos em não acredidar. Ir contra a sua consciência e a sua essência é algo que demanda tanta energia, então porque aceitamos determinações e esteriótipos de um modelo de vida comprovadamente fracassado? Como consequência, temos o esse vazio.

Por mais clichê que possa parecer, é engraçado como o universo tende a emitir sinais para avisar que você não está sozinho na caminhada quando você se conecta e deixa de lutar contra a sua verdade. A lista de possíveis coincidências chega a assustar! Os pequenos milagres cotidianos passam a ser mais frequentes, as respostas um pouco mais rápidas e isso demanda atenção e principalmente ação.

Após analisar o que me tornei e onde estou após esses trinta e dois anos de constante construção, é chegado o momento de reformar, desconstruir, transformar e transbordar para o caminho que ainda tenho a ser vivido. Embora os planos estejam ainda com alguns fios muito soltos e outros bastante emaranhados, estou muito otimista e grata ao universo por me permitir renascer.

7.10.17

Das pistas

Tenho encontrado diariamente algumas pequenas pistas mostrando que estou no caminho que escolhi como correto. Sigo por alguns dias na névoa da dúvida, vacilando entre um passo e outro, temendo escorregar desfiladeiro abaixo. A subida tem sido muito íngreme, tenho machucado meus pés e o cansaço me faz querer desistir, mas sigo forte agarrando com unhas e dentes o que pode servir de apoio para o próximo passo.

Outro dia pulei de felicidade ao reconhecer mais uma possível pequena migalha no chão comprovando que as voltas foram sim muito necessárias. Como a vida é clichê e engraçada! Só agora eu poderia estar onde estou, só agora aparecem os elementos necessários para realizar aquilo sempre guardei aqui no campo das ideias e que nunca encontrei oportunidade sequer para verbalizar.

É difícil escolher um caminho diferente dos demais, já que para muitos é inaceitável compreender que fracasso e sucesso são apenas pontos de vista diferentes daquilo que o outro projetou para si. Mas sigo em frente sempre atenta às migalhas na floresta de sonhos e medos, acreditando que busco o que acredito que é o essencial e o mais correto para mim.


3.10.17

Dos atropelos

Era a última sexta-feira de setembro quando fui ao supermercado que fica ao lado do trabalho para comprar alguma bobagem e os funcionários já trabalhavam na construção de uma pirâmide de panetones. Voltei ao corredor principal para conferir se os meus olhos viram mesmo o que estava acontecendo ou se eu estava vendo uma miragem. Já estamos na primeira semana de outubro e por mais que a gente fuja, de um jeito ou de outro, já é natal.